quarta-feira, 10 de outubro de 2012

1, 2, 3, 4 filhos... e uma mãe de primeira viagem



Ano passado, nesta mesma época, acompanhei o chocar dos ovinhos e os primeiros vôos de três sabiás no ninho. Acordava todos os dias, espiava, fotografava, filmava...
Segundo os meninos, espionava tudo e nao queria saber de mais nada...

Um ano depois de postar o Ninho de Sabiá e o Poeminha de Saudade - por meus filhotes estarem crescendo -, tenho agora na varanda dos quartos (entre o amanhecer com a saíra e os picapaus), outra família de sabiá que fez do nosso, o seu lar...

Ora,  se retomei os registros de repórter mae, com o nascimento e os primeiros voos dos passarinhos, por quê nao, voltar aqui para recontar o que, até agora, só havia escrito em papel? 

Ser  mãe de primeira viagem não é exatamente como pensamos... e posso dizer, sim, que esta é para mim, uma primeira vez. Afinal, nunca fui mãe aos 38, assim como também nunca fui mãe de quatro filhos... Nunca precisei de repouso total; assim como nunca me preocupei em lidar com a reação de três, de uma só vez... O sentimento é mesmo ímpar!

Mas, sentir Nina mexer na barriga traz uma paz... uma sensação de tranquilidade
e uma felicidade... daquelas de quem acompanha a magia da vida em um ninho de passarinhos
Lembra, pra mim, a satisfação de ver os meninos brincando felizes, correndo, pedalando,ou tomando banho de mangueira no jardim...

Às 30 semanas confirmo o que diz o conhecimento popular: nenhuma gravidez é igual à outra. os sentimentos são os mesmos: felicidade, insegurança, uma força incomum, e uma sensibilidade sem igual...tudo na mesma panela, misturado...

Mas,de fato, nada se repete. Cada momento de uma gestaçao é único e aproveitamos cada um da forma que nossa realidade nos propicia.
As sensações físicas são singulares em cada uma, num determinado momento: enjôos, sonolência, libido, inchaços, cansaço e disposiçao...Nem mesmo os sinais do parto se repetem. Acredita que, já na quarta gestação, um certo dia me perguntei: será que isso é uma contração?

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

poeminha de saudade


Caio, Caito,

hoje foi seu último dia de aula naquele pedacinho do céu
Já fiquei com saudades de levar você na salinha
e, todos os dias, ouvir você me dizer em segredo: "você é linda, fofa e maravilhosa"



É bom sentir saudades enquanto vocês estão aqui
Quando olho por perto e ainda vejo...
os desenhos de mundo e inspirações planetárias de Davi


As flores e todas as cores nos traços de Íris, sempre viva, sempre bela...



Todas as declarações mais lindas do mundo
“Mais grandes” do universo
e mais gostosas de abraçar

É bom o carinho dessas mãozinhas
que carimbam o papel 
e me ensinam  a escrever rimas com palavras de A a Z
pra dizer AMO VOCÊ!

domingo, 20 de novembro de 2011

No coreto da praça

Azaléias no Jardim da Casa Velha da Ponte

Donde está Cora?
Nas meninas cheias de vida
Nas mulheres cansadas

Donde está Cora?
Nos poemas de esquina
E nas cores de outrora

Donde está Cora?
Nos caminhos de pedra
e na terra molhada

Coralina, Cora...
Aos versos e reversos
Desta nossa vida tão atribulada...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ninho de sabiá


“Minha mãe me trocou por um passarinho”

Foi este o título que Íris, Davi e Caio imaginaram “de supetão” – de imediato – quando os convidei a sentar no chão e escrever um poema sobre os mais novos passarinhos de nosso jardim.
Depois de acompanhar e me ver empenhada em registrar  “todos os momentos”  que figuravam o ninho, construído pelos sabiás, na varanda da cozinha; tínhamos o clima perfeito para inspirar:  era um fim de tarde chuvoso, com arco-íris e tudo, e ainda faltava luz antes do jantar...


Sabiá construiu seu ninho
No cantinho do meu telhado

Com pedrinhas de barro, folhas e gravetinhos...
vai-vém sabiá pra todo lado  

Agora sim, três ovinhos bem guardados
Um dia, de repente, meus três filhinhos super contentes:
- Mamãe!
- nasceu o passarinho!
- eu vi! Estão bem ali...

Outra vez, toda contente,
mamãe sabiá 
vai-vem pra lá e pra cá

Pela manhã bem cedinho e à tardinha,
os três pequeninos esperam papai
também com a comidinha
Já cresceram um bocado,
os três agora grandinhos...
Um  bem estabanado

Outro, fofinho...
e o terceiro bem magrinho,
mas todos animados

Com a chuva veio o arco-Íris
e os passarinhos, coitadinhos
estão tremendo de frio

Bem unidos, abraçados
e assanhadinhos
já querem voar os pequeninos sabiás

Mas mamãe e papai
ainda precisam ajudar
e sair do ninho, não querem deixar

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Parada Cultural

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris Davi e Caio


Embora o assunto estivesse guardado pra um excelente texto, este post foi feito às pressas porque depois da mudança pra nossa casa (própria) dos sonhos, ainda estamos entre caixas, bagunça e sem internet. Mas, vale a leitura e a participação ainda no debate sobre leitura (concorrendo ao livro O Saci, de Monteiro Lobato) promovido pelos blogs do Mulheres na Rede e site Desabafo de Mãe.


Hoje (10/10) é dia do açougueiro... isso mesmo, dia do açougueiro: aquele profissional que habitualmente prepara os cortes de carne que vai à mesa do brasileiro, com o arroz e feijão de todo dia. Mas, o que isso tem haver com nosso debate literário?
Foi exatamente num açougue que encontrei o melhor exemplo de biblioteca popular, livros livres e cultura democrática. E, quem quiser me prove o contrário, ou conte outra história dessas que parece filme.
No post "Por um livro livre", quando propuz a doação de alguns de nossos livros infantis para cativar novos pequenos leitores - afora filhos, netos e sobrinhos – já sabia exatamente aonde poderia soltar aqueles títulos que separei (alguns exemplares repetidos que tinha em casa e outros, que estavam separados para dar de presente).
Fui ao açougue cultural T-Bone, na Quadra 312 Norte de Brasília, e entreguei a sacola bem recheada. A história de Luiz Amorim, açougueiro desde os 12 anos de idade, que aprendeu a ler aos 16 anos, quando ainda morava nos fundos do trabalho você pode ler no próprio site do Açougue Culturral T-Bone. Hoje Luiz Amorim mantém uma biblioteca comunitária e pelo menos 35 Paradas Culturais (bibliotecas mantidas em paradas de ônibus do plano piloto em Brasília).

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Solidariedade e Doação

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio

O título do post é de um trabalho que Íris fez pra escola. Exatamente "Solidariedade e Doação". O grupo fez um modelo de revista, com matérias e resenhas de leituras sobre o tema. Os livros-base foram "Amor não tem cor" e "Um garoto consumista na roça". Então ela me fez umas perguntas sobre "Doação" e levamos a sério a entrevista.

Conversamos sobre as leituras para o trabalho e sobre algo ainda mais importante: as atitudes reais em torno do tema. Citei o exemplo dos doadores de órgãos e dos transplantes que salvam vidas; do sangue do cordão umbilical que começa a ser coletado pelos hemocentros e da doação de medúla óssea; falamos ainda dos simples gestos das doações materiais e da solidariedade fora do discurso. Nisso ela e Davi acompanharam de perto, com um exemplo prático, aquilo tudo que conversávamos:

Há um mês, sem saber como ajudar uma amiga na luta contra a leucemia de seu bebê e a burocracia do sistema de saúde pública para tratamento da doença, me vi angustiada e perdida.

Num telefonema que seria para dar as boas novas, Jaciene (moça forte e decidida, de voz e passos firmes) me ligou chorando: o pequeno Pedro Paulo tinha Leucemia Linfoide Aguda (LLA) diagnosticada em seu segundo dia de vida.

Depois de rabiscar no papel minhas pesquisas imediatas sobre o câncer infantil e as entrevistas que resolvi fazer com especialistas, o texto saiu (tímido e amedrontado). Falei sobre a dura realidade que, sinceramente, não gostaria que fosse minha. De certa forma é...Lembrei de outros personagens que já passaram por mim numa situação parecida e, como ficar sem agir?

Não sou cientista médica, não tenho poderes econômicos, nem tampouco a força que precisaria num momento de agonia. Mas, com o diagnóstico de um caso raro e a queixa generalizada pela burocracia, entrei em contato com editorias de jornais para dar destaque ao problema - não apenas de Jaciene, Silvio e Pedro Paulo - enfrentado por tantas crianças que, neste momento, dormem e acordam na luta por mais um dia de vida.
Encaminhei a matéria como sugestão de pauta à imprensa mas, o pequeno Pedro Paulo não conseguiu esperar. Como não houve retorno de apuração dos veículos contactados, publiquei a luta das crianças com câncer, no Repórter free. Quem sabe a divulgação online surge como opção para debate, conscientização e mais atitudes...

Infelizmente muito se perde no meio do caminho. Mas, a interpretação do dia-a-dia pode se transformar em uma nova leitura de mundo. Se ensinada desde cedo, a transformação do conhecimento para uma atitude pode inspirar maior solidariedade e respeito às futuras gerações.


Com, ou sem Picles...
As crianças com câncer não podem esperar apenas pelo retorno de campanhas isoladas, como as do último dia 30 de agosto (dia do big mac) e dos eventos promovidos pela Abrace para arrecadar fundos. Como todas crianças, para crescerem saudáveis elas precisam de atenção especial, roupas brinquedos alimentação, educação e acompanhamento integral. Acesse o site da Abrace e saiba como ajudar: http://www.abrace.com.br/wtk/pagina/inicial. As doações podem ser deduzidas do Imposto de Renda e direcionadas a cada projeto e necessidade. Central de Doações/Telemarketing: (61) 3212.6000, 3212.6003 Atendimento das 8:00h às 20:00h.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Por um livro livre!

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris Davi e Caio

Faça um comentário sobre este post e concorra ao Livro O Saci, de Monteiro Lobato. O Concurso faz parte do debate "Onde você lê com seu filho" promovido pelos blogs que participam dos sites Mulheres na Rede e Desabafo de Mãe. Participe!


Ainda no debate sobre as bibliotecas públicas, afora minhas lembranças de infância (do post anterior)... e nossas expectativas para apresentar um mundo de ótimas possibilidades a nossos pequenos leitores, percebi no boca-a-boca (com os tímidos para comentários online), que o passeio mais comum para apresentar o mundo da leitura à nova geração tem parada estratégica nas livrarias, de shoppings em geral.

Embora as seções infantis das grandes livrarias, ou o espaço das lojas especializadas em produtos pedagógicos tragam o encantamento que tanto queremos apresentar às crianças, fico com a dúvida de estar associando os passeios de leitura ao contraponto do consumismo.

Esta semana mesmo, Davi chegou em casa dizendo: "pequei um livro que nunca li antes". Ele se referia ao "Baú contador de histórias", que já buscou na biblioteca da escola por inúmeras vezes e não se cansa de ler. Iris já chegou com outro tipo descoberta: há uns dias, depois de ver uma notícia sobre a façanha do gigantesco acelerador de partícula, pesquisou com uma amiga tudo o que podia sobre o assunto. Na mesma hora, lembrei do físico brasileiro Marcelo Gleiser e tecemos sobre seu livro "A dança do Universo".

Uma coisa é certa: seguindo o exemplo e a curiosidade deles, também voltamos a nos inspirar. Adorei quando os dois chegaram outro dia em casa com livros emprestados por outros amigos. Caio também já faz o mesmo. O projeto de leitura de sua escola estimula a troca de livros e, exatamente por saber que não vamos ficar com aquele exemplar em casa, fazemos juntos a leitura de tarefa de casa, tantas e tantas vezes quanto conserguimos.

Mas, também me emociono quando leio alguma notícia sobre alunos de escolas públicas que, mesmo sem condições financeiras para adquirir livros ou montar biblioteca, driblam a realidade e se inspiram no quixotesco prazer de ler.

Por isso, continuamos nossa busca pelas bibliotecas públicas das cidades, dos bairros, das escolas e das esquinas...como disse Bianca e Ceila em seus comentários no último post sobre "Onde você lê com seu Filho?".

Outro final de semana tomei café da manhã numa padaria perto de casa e, para minha surpresa, havia um livro infantil na prateleira do livro livre (projeto muito bacana sobre o qual até já falei no repórter free).
Então, que tal a idéia de libertar um de nossos livros infantis e pensar na multiplicação dos pequenos leitores, além de nossos filhos, sobrinhos, netos e amigos a quem costumamos presentear?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Onde você lê com seu Filho?

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio


Traçado por Oscar Niemeyer para ser um espaço de inclusão, o Conjunto Cultural da República demorou mais de quatro décadas para ser construído e “mais um pouquinho” para começar a funcionar... até hoje é sub-utilizado.
Em meio ao solo fértil do cerrado, as idéias parecem grandiosas, mas falta brotar as oportunidades de conhecimento e misturar as várias realidades que passam por aqui. No museu de grandes eventos, exposições e fóruns abertos ao público, que nem sequer sabe o que está acontecendo dentro daquela cúpula. O conjunto já recebe autoridades e todas as pompas dignas de sua arquitetura, mas parece que a área ainda é cercada por um campo de força (daqueles mesmo que vemos em desenho animado).

Prateleiras Vazias
Há um ano, durante o Festival de Cultura Popular de Brasília, passeamos (eu, Daniel e os meninos) por ali. O cenário já nos é conhecido. Íris, Davi e Caio disseram que é um lugar ótimo pra correr, andar de bicicleta, scate e patins...traços puros de Niemeyer. Mas ficamos de voltar depois, pra conhecer os prédios por dentro, fazer outros passeios.

Nas férias de julho, para quem fazia um roteiro de reconhecer e aproveitar a própria cidade, a Esplanada dos Ministérios e o Conjunto Cultural da República não poderiam ser deixados de lado. O museu estava aberto a algumas exposições - se encantaram principalmente com as histórias dos samurais, durante as comemorações de 100 anos das relações nipo-brasileiras. Atravessaram a rua (o Eixo Monumental), foram ao Teatro Nacional, à exposição internacional sobre Darwin e fizeram grandes descobertas mas, chegaram com uma queixa: não puderam entrar na biblioteca.
Ali mesmo, ao lado do Museu, a Biblioteca Nacional de Brasília, que deveria ter sido inaugurada há pelo menos dois anos, ainda não permitia a entrada de visitantes. Por um simples motivo: estava completamente vazia. O conjunto cultural que abriga a biblioteca seria ideologicamente uma ponte entre o centro de circulação popular (a rodoviária) e o centro do poder público (a praça dos três poderes). Mas, até mesmo as crianças fizeram sua releitura prática da situação. “Mas como pode mamãe? Uma biblioteca sem livros?”, eles me perguntaram.

Memórias de Infância
Quando eu tinha a idade de Íris (12 anos), morávamos ao lado da Universidade Federal de Pernambuco e aos domingos era feliz e sagrado nosso piquenique e pedalada ao lado da biblioteca Central. Levávamos nossos próprios livros, músicas e histórias pra contar ( eu, minha mãe e meus irmãos) e, durante a semana, entre as pequenas seções infantis das livrarias, ou a espera de minha mãe na universidade, crescemos nos achando – entre os livros - num ambiente familiar.

Hoje, indo ao trabalho, parei na Esplanada dos Ministérios (naquela biblioteca - edifício com características de pavilhão, retilíneo em cinco pavimentos).

Timidamente fui recebida por um guarda. Depois de meia dúzia de perguntas, ele me respondeu que no último andar acontecia ali uma exposição – era vestígio da I Bienal de Poesia de Brasília. Subi, tirei umas fotos, li as instalações, vi os espelhos de Mario Quintana e Cecília Meireles e resolvi procurar alguém pra conversar. Sorte minha, no elevador encontrei (sem ainda nem saber de quem se tratava) o professor Antônio Miranda, diretor da Biblioteca. Em poucos minutos ele me tranqüilizou.

Disse que iriam inaugurar todo o espaço até o próximo mês de novembro e justificou que a intenção de abrir as portas junto à Bienal de Poesia não se concretizou porque ainda estavam trabalhando na catalogação dos 50 mil títulos do acervo que precisa ser organizado, mas confirmou também a idéia do espaço prático, que além das estantes cheias de livro, servirá estrategicamente para se trabalhar a inclusão digital. Mas, foi sua última frase que me animou de verdade: “para as crianças, teremos aqui uma ampla sala de leitura e um espaço multimídia”, apontou o professor Miranda para o primeiro saguão, ao destacar também a atenção especial à acessibilidade.

Espero realmente que essas idéias se concretizem o mais rápido possível e possamos, durante os finais de semana, em vez de ir a shoppings e cinemas, fazer um passeio de bicicleta ali perto da biblioteca... exercitar a leitura sem a prática do consumismo.


Faça um comentário sobre a biblioteca de sua cidade, ou sobre "Onde você lê com seu filho" e concorra ao Livro O Saci, de Monteiro Lobato. O Concurso faz parte do debate sobre Escola e Leitura promovido pelos blogs que participam do Mulheres na Rede e do Desabafo de Mãe. Participe!




quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Aprovada licença maternidade de 6 meses

Por Ana Inês
Repórter Mãe
de Íris, Davi e Caio

Este post etá no site Desabafo de Mãe
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Depois de tramitar no Congresso Nacional por aproximadamente 8 meses (tempo de uma gestação), o Projeto que amplia para seis meses a licença maternidade foi aprovado, nesta terça-feira (13/08), pela Câmara dos Deputados.

A garantia também contempla as mães adotivas. Mas, como o nascimento foi um pouquinho “prematuro”, ainda falta a sanção do presidente Lula para que o rebento saia da incubadora. E, um pouquinho mais, para que as chamadas Empresas Cidadãs recebam o estímulo que esperam (incentivos fiscais) e garantam o benefício, por mais 60 dias, às mães trabalhadoras.

Assim que a lei for sancionada, as servidoras públicas em todo o país poderão contar com o benefício. No entanto, mesmo que já seja adotada por algumas empresas e estados brasileiros, a ampliação da licença maternidade só será efetivada pela maioria das empresas privadas quando os incentivos fiscais previstos pelo governo forem liberados - o que está deve entrar apenas no plano orçamentário de 2010, exatamente porque o orçamento da União para 2009 está sendo encaminhado ao Congresso nos próximos dias e ainda não contempla as deduções.

Leia também no Repórter free:
Licença Maternidade

terça-feira, 1 de julho de 2008

Reflexos e reações...atenção, gentileza e segurança

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio


Hoje Mariana ( repórter mãe de Enrique) me mandou este vídeo, com a mensagem de que talvez estivesse sendo repetitiva sobre os temas que cercam nosso tal instinto maternal. Mandei uma resposta, que virou desabafo:


Que nada Mari! repetitivo não. Reflexivo.
Nossos pequenos não só repetem o que fazemos, mas refletem o que projetamos mesmo para eles. Assimilam, aprendem e se comportam como nós. O mais interessante é que esses vídeos, essas histórias, essas imagens nos lembram algo muito pessoal. Uma briga, um exemplo, um momento bom ou difícil durante o qual nem sequer notamos nossa tamanha influência.

Nos últimos dois meses enfrentei uma barra com Davi e, talvez por não saber como lidar com a situação, também não conseguia fazer com que ele se sentisse seguro

Ele levou um susto durante um assalto aqui embaixo do prédio. Só agora, quase dois meses depois estamos sabendo lidar melhor com nossa reação. Não posso dizer que não foi nada demais. Ninguém se feriu e ninguém gritou, mas o susto-trauma foi grande: uma abordagem de um cara encapuzado, com uma faca na mão, pedindo o celular da professora de futebol que o trazia para casa. talvez o capuz, a imagem mais forte que tenha ficado para os pesadelos, além das pernas trêmulas e do grito engasgado.

Pra mim, a sensação pior foi a de não estar ao lado dele. Mesmo abraçando, tentando resolver de forma prática, acalentando e o recebendo durante as noites de inquietas com a situação, não conseguíamos passar a segurança que queríamos até outro dia, quando ele não dormia e, simplesmente, fiquei sentada ao lado, conversando, fazendo carinho e mostrando que estávamos todos ali e ele não estava sozinho. Não sei se isso também tem relação (é claro que sim). Enquanto ele tinha medo de um olhar diferente na rua, ou se explodia em casa com medo de tudo e estresse por tudo e, nós, vice-versa; também não consegui escrever.

Ensaiei várias vezes. Abria e fechava a tela e os bloquinho de anotações e não rendia. Mesmo recebendo vários e-mails pra que eu mandasse as atualizações do blog, nada feito. Deixei os endereços todos pra armazenar e talvez comunicar um longo afastamento. Fiz rascunhos de postagens mas algo estava errado, inseguro. É como se eu não tivesse nada o que falar, embora todas as pautas estivessem fervendo - sobre células tronco, não ao erotismo infantil, aulas de música, apresentações infantis, notas na escola, pique de trabalho, procura por babá...) tudo-tudo e, ao mesmo tempo, dando um sono danado. Como dizia Alice, num tal país... uma total descoragem!

Hoje retomamos. Davi está mais tranquilo, animado com o início das férias e andando sozinho pela casa sem pedir companhia em cada cômodo que vai. Caio também mais independente e Íris, como sempre dando shows de meiguisse e maturidade. Ainda não sei se precisamos de ajuda pra superar o que para tantas pessoas em realidades distintas é simplório (não deveria ser) mas, graças a Deus, para nós é algo que não conseguimos banalizar. Sem clichês, essa tal violência urbana nos tem feitos prisioneiros. Mas não devemos refletí-la em nossa casa.

Pai de primeira viagem

Há uns dias tive uma grande surpresa:
com o título repórter pai, recebi um e-mail de Javier, pai da fofa Malu e companheiro de Bela, outra pernambucana com raízes no cerrado.
Javier nos brindou com este texto de "pai de primeira viagem", publicado há pouco na revista Deck Magazine, onde assina uma coluna.

Por Javier Martinez
Repórter pai de Malu

Semana passada fui para Argentina com a minha filha, sem a mãe. Malu tem um ano e oito meses. Era coisa rápida: visita a parentes e amigos. Saímos numa sexta e voltamos na segunda seguinte.

A ida foi tranqüila, o avião quase vazio e um espaço para brincar no chão da primeira fileira. Em Buenos Aires houve momentos muito lindos, revi muita gente. Enquanto isso, a saudade de Malu pela mãe aumentava.

Chamou a minha atenção que ela pedisse para passear com muita freqüência. Saímos várias vezes pelos quarteirões do bairro. Fiz uma pergunta capciosa para pegá-la, já que ela não conhece Santos Lugares, bairro onde mora minha mãe:
- Onde você quer ir filha?
Respondeu, na lata:
- Mamãe!
Um dia antes da volta eu disse que, após dormirmos, a gente voltaria a ver a mamãe. Minha filha foi correndo para o quarto e disse que queria dormir. Essa capacidade de surpreender das crianças é incrível.

A volta foi tranqüila até a escala em Porto Alegre. Atraso de trinta minutos. Avião lotado. Minha filha, já cansada, teve que sentar no meu colo e começou a chutar o respaldo da poltrona da frente. Atrás da gente havia outra criança passando por estresse similar. O vôo foi acompanhado por uma sucessão de gritos. Uma boneca foi parar no colo do vizinho, fiz um leite emergencial para acalmar, mas minha filha continuava a abrir e fechar a mesinha do respaldar para deleite do passageiro sentado na nossa frente. Entre chutes e gritos a mamadeira foi lançada e sumiu pelo chão entre as poltronas vizinhas.

Arrumaram um canto mais tranqüilo. Duas poltronas livres. Era um prefácio do paraíso. Mesmo assim, minha filha gritava do lado de cá e a resposta era um grito do lado de lá. Era sistemático: uma criança chorava e a outra respondia. Finalmente, as crianças dormiram. Malu acordou algum tempo depois nos braços da mãe. Estava tão cansada que olhou fixo e ficou em silêncio. Nem comemorou e voltou a dormir... Mas, dessa vez, com a certeza de que tudo estava voltando ao normal.

domingo, 8 de junho de 2008

Aprendi...

Por Mariana Galiza
Repórter Mãe de Enrique

Clichês à parte, ser mãe é um aprendizado. Muito se discute sobre o que, como e quando os pais devem ensinar isso ou aquilo para os filhos, mas o que eu venho descobrindo é que quem mais aprende nessa relação são os próprios pais. Algumas coisas, nós aprendemos meio que instintivamente. Ou melhor, descobrimos que existia um ser ali, até então escondido dentro da gente, que sabia fazer um monte de coisas relacionadas aos cuidados com filhos e que, quando precisou, se revelou! Outras coisas, vamos aprendendo aos poucos, errando, ficando – por vezes – desesperada, desistindo, voltando atrás e resolvendo tentar de novo e por aí vai. Mas tem outras tantas coisas, talvez as mais complicadas, que temos que aprender na marra, assim, de uma hora para outra, a fim de uma boa convivência familiar. Para ajudar futuras mães, resolvi listar alguns desses incríveis desafios que me foram lançados ao longo dos últimos dois anos:

*Criar, em questão de segundos, uma boa estorinha sobre “nuvens”, “carro”, “pessoa”, “banho”, ou qualquer outro tema criativo que vem à mente do seu filho quando você faz uma ingênua pergunta "que estória você quer que a mamãe conte pra você"?* Desenhar caminhão de lixo, hipopótamo e coisas esdrúxulas assim...

* Inventar uma dança até para o barulho do liquidificador.

* Ter sempre argumentos convincentes para tirar seu filho do banho ou fazê-lo tomar banho!

* Manter a seriedade com as malcriações engraçadas. (Os pequenos têm uma incrível capacidade de fazer de uma birra uma situação surpreendentemente hilária)Além de muitos outros que certamente virão....

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Mulher Incrível

Por Mulher Elástica
Mãe Incrível de Violeta, Flecha e Zezé

Ontem acordei com um belo café da manhã na cama... passei o dia entre descanso, almoço, lanche e jantar especial, brincadeira no parque, passeio de bicicleta, tarefa de casa com Davi, histórias de Íris, livrinho de Caio... carinho completo!

Hoje acordei com os três na cama, preguiça de segunda-feira e vontade de começar a semana diferente. Num flash do dia, tudo ficou entre: café, tapioca, saladinha de frutas, brincadeira de shows de música, dança no meio da sala, fugir pra trabalhar, pagar conta de banco, dar banho, almoço, levar pra escola, correr pro trabalho, buscar todo mundo, voar pra casa, dar jantar, fazer malabares com escova e fio dental, colocar todo mundo pra dormir, tomar um banho, sentar aqui e escrever um pouquinho... Lembrando de todas nós, quem não é assim incrivelmente mulher elástica?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Brincar &Aprender: luz, parque e exposição!

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio



Um Desabafo Cultural para Ação Cultura em Família.
Acesse o site
Desabafo de Mãe e participe!



E, pra quem disse que museus e exposições são programas adultos, as esculturas interativas que visitamos por alguns finais de semana consecutivos nos trouxeram de volta o estímulo cultural próprio da infância.




Já faz três finais de semana mas, em todos eles, Íris,Davi e Caio pediram por um finalzinho de tarde no gramado daquele "parque chamado exposição"...

A frase foi de um menino de 5 anos, que corria eufórico em sua brincadeira: "o nome desse parque é exposição, sabia?", perguntou o pequeno Gustavo entrando em nossa brincadeira.

Um parque de esculturas interativas, com formas convidativas à brincadeira e imaginação de qualquer marmanjo e, muito mais, às fantasias de criança. A lua estava bem acesa e combinava com a luz azul brotando como mágica de cada peça. Nós também estávamos assim encantados: saímos do casulo, ficamos presos numa colméia gigante, viramos piratas e escorregamos na barriga de uma lagarta, por um túnel na via-láctea...

"Imaginar é como respirar: basta fechar os olhos e deixar o pensamento voar. A gente vai junto na música do vento e vira pensamento", desabafa o artista plástico Darlan Rosa, autor da obras que agora fazem parte da exposição permanente no CCBB, em Brasília.






Brincar &Aprender

Outro dia, quando Davi fazia um trabalho da escola sobre a moradia de diversos animais, lembramos imediatamente do parque, que bem nos serviu para uma aula ilustrada de ciências.
Outra oportunidade de cultura rebuscada em família foi há pouco mais de um mês, na exposição LUSA- a matriz portuguesa. Lá os meninos se apaixonaram pelo grande Atlas virtual - um livro gigante, dentro de uma caixa escura, refletindo mapas antigos. Uma verdadeira descoberta cartográfica.
Antes, vimos produtos históricos do comércio português além mar - grãos, frutas e especiarias... a mostra exibiu mais de 100 peças do acervo de instituições portuguesas. Lemos Fernando Pessoa, ouvimos o som dos mares num tapete aonde os meninos puderam deitar e rolar no tatame falante, poliglota inclusive, cheio de almofadas! Saímos e: meia volta... "vamos ficar mais um pouquinho?"

Em outros passeios já visitamos museus e exposições - o ateliê de Francisco Brennand, em Recife; os Fortes, faróis e a Casa de Jorge Amado na Bahia; os Quadrões da Mônica e os tapetes contadores de histórias, em Brasília... todos eles nos fazem aprender a reviver. Mas, a interatividade é algo rico. Lembro que não contamos histórias a uma criança, sem que ela se debruce, queira ver, tocar e quase pular nas páginas abertas... por isso mesmo quando nos permitimos a imersão do momento, aproveitamos as linhas e entrelinha. Em cada passeio Cultural em Família também redescobrimos um pouco de nós mesmos