sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Presentes cor da terra

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio




Embora seja um costume, reconheço que estimular os pequenos à solidariedade não é apenas juntar os brindes de lanchonetes ou aqueles brinquedos que não entram mais nas brincadeiras e fazer doações em saquinhos de presentes. A cada dia torna-se mais importante cultivar a tal da “responsabilidade social” e mesmo com um nome tão sério e badalado, nos faz encarar a economia de custos, consciência ambiental e o reconhecimento aos valores culturais.

Falo isso porque encontrei exatamente o que eu queria para presentear a todos (avó, pai, mãe, irmãos, sobrinhos e amigos...) numa busca descompromissada pela internet. Procurava por um CD antigo, que perdemos junto a um equipamento de som roubado (há uns anos) e sempre quis reaver. Era o primeiro CD - Roda que Rola (escute algumas músicas) - do coral dos Meninos de Araçuaí , organizado pelo grupo Ponto de Partida. Já havia procurado essa "iguaria mineira" em muitas lojas de música e produtos pedagógicos mas, em mais de três anos, não obtive sucesso.

Assim, entrei no site da Cooperativa Dedo de Gente e descobri muito mais: cartões de natal desenhados com terra de formigueiro, carvão, urucum e outras tintas naturais;; bonecas de pano, jogos pedagógicos, esculturas e peças utilitárias em ferro, bambu e madeira; bordados, doces, licores, geléias naturais e outros tantos feitos artesanais. Percebi que, ao adquirir tamanhas riquezas, estaria me deliciando e, de quebra, estimulando a arte em crianças e adultos e ajudando a amadurecer um projeto enriquecedor, que envolve diversas famílias, escolas e comunidades. Pessoas que, ao presentear alguém, posso de longe desejar um Feliz Natal e um Ano Novo de grandes produções.

Os produtos são feitos em “fabriquetas” onde trabalham artesãos do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas Gerais. A Cooperativa fica na cidade de Curvelo, mas distribui seus produtos exclusivos pelo mundo afora. Vale conferir!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Figuras Imaginárias

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique


Não, não estou falando dos amigos invisíveis, seres imaginários tão comentados por especialistas e pela mídia, mas com os quais nunca tive contato. Falo das figuras criadas com fins comerciais para ilustrar datas comemorativas e, de quebra, aumentar colossalmente as vendas. São eles: Coelhinho da Páscoa e Papai Noel.


É verdade que as estórias que os criam e os perpetuam são muitas vezes recheadas de sentimentos, simbolismos religiosos e valores morais e há uma tentativa de conferi-lhes algum caráter educativo. “O coelhinho é a fertilidade, a vida”, “O Papai Noel dá presentes para meninos que são bons, estudam e respeitam os pais” e por aí vai... Mas o fato é que essas figuras são exploradas pelo comércio como apelo ao consumo. Bichos de pelúcia, ovos de chocolate de tamanhos desproporcionais às crianças que irão recebê-los, brinquedos tão encantadores quanto caros, novo modelo do velho vídeo game, mil novidades e muita, mas muita propaganda.

Assim, fica aquela grande dúvida sobre apresentar ou não essas figuras imaginárias aos nossos queridos e até então “puros” filhotes. Inevitavelmente eles são descobertos. Enrique já reconhece o “Tatai El” em qualquer enfeite de Natal. Por enquanto ele é apenas uma figura engraçada, mas até quando eu conseguirei desvincular esse velhinho aos presentes que ele entrega? Será que devo mesmo não alimentar a crença no Papai Noel que quase todas as crianças têm, ou não faz mal nenhum, já que um dia se descobre que ele não existe? Eu nunca acreditei em Papai Noel. Não porque meus pais ficavam dizendo “ele não existe, ele não existe”, mas por falta de estímulo para me fazer acreditar que, sim, ele existe. Agora, estou do lado de lá (leia-se “mãe”) e sinceramente não sei o que é melhor. Talvez deixar a coisa fluir naturalmente e ficar monitorando os limites da exploração comercial dessas figuras? Dúvidas, dúvidas...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Papai Noel vai à favela?

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio



Papai Noel existe? Ele compra presentes, ou tem uma fábrica de brinquedos?
A gente pode ficar acordado pra falar com ele? Ele vem de trenó ou de helicóptero? Mamãe, Papai Noel não vem na favela?




A magia do Natal também está na forma com que a gente percebe, entende, ou explica certas perguntas. Cada uma foi feita em um momento diferente, em idades diferentes, contextos únicos. E minha primeira reação foi pensar em como falar sobre os momentos mágicos, sem truques, com sinceridade.

O mérito não é meu. Não lembro de ter apresentado aos meus filhos, o coelhinho da páscoa, as fadinhas, o Papai Noel ou os duendes, mas eles começaram a aparecer e a animar muitas de nossas festas, quando nos permitimos voltar à inocência de criança - comentada pelo repórter pai Javier, agora há pouco.

Quando Íris tinha 7 anos, estávamos em Recife e fomos entregar um presente de Papai Noel em Peixinhos (uma favela de Olinda). Então ela perguntou de supetão: “mamãe, Papai Noel não vem na favela?”. Tomei um susto e perguntei pra mim mesma o que deveria responder, mas a dúvida era óbvia e pertinente. Respirei e expliquei que para Papai Noel existir muita gente tinha que ajudar.

Hoje, quando Davi chega com as mesmas crenças, fantasias e perguntas sobre os presentes de Natal, a resposta também surge com uma pergunta: o que você acha?
E continuamos a conversa:
- Acredito que ele tem uma fábrica cheia de duendes...
- é...algumas pessoas acreditam que ele tem muitos ajudantes... e agente mesmo pode ser um deles.
- assim mamãe, quando a gente junta nossos brinquedos e leva para as crianças pobres?
- exatamente! E para que todo mundo se ajude, ninguém pode pensar que o presente de Papai Noel deve ser o mais caro. Ao contrário, o que é mesmo que a gente quer e precisa?

Caio, por exemplo, precisa de um carro de bombeiro cor de laranja. Davi pensava numa fantasia do Homem Aranha: “aquela que cobre a cabeça toda e não dá nem pra aparecer o cabelo”. Custaria aproximadamente R$ 150!!! Mas, com nossa conversa, mudou de idéia e acrescentou outra opção de aventuras em sua cartinha: um kit com brinquedos de espionagem (com binóculos, periscópio e um monte de equipamentos ultra-secretos), R$ 30. Acho que a brincadeira vai ser até mais divertida.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Voltando à Maternidade

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique

Não tem jeito. Mães gostam de falar sobre filhos. Por mais que se tente mudar de assunto, o tema sempre volta à tona. Então, cá estou eu, estimulada especialmente pela minha amiga Ana Inês, a escrever de novo sobre.... maternidade! Eu costumo dizer que, assim como a história da humanidade tem como marco cronológico o nascimento de Jesus, a história da mulher – e do homem, claro – é marcada indiscutivelmente pelo nascimento de um filho.

Em especial do primeiro filho. Há uma Mariana a.E e outra d.E (leia-se “antes de Enrique” e “depois de Enrique).
A mudança é radical. E brusca, eu diria. De um dia para o outro passamos a ser mãe. Sim, porque a gravidez é um estado, não uma realidade perene. São nove meses de espera e não de preparo. Não existe tempo, nem curso, nem livro, nem conselho, nem nada que de fato nos prepare para a condição de mãe. Uma coisa é ter o filho na barriga. Em tese, sua vida continua a mesma. Um pouco mais pesada e limitada, mas a mesma. Você pode exercer integralmente seu direito de ir e vir, pode dormir a qualquer momento, pode tomar um banho demoraaaaaaaaaaado, enfim, desde que você tenha habilidade para lidar com aquela barrigona, pode fazer tudo a qualquer hora e em qualquer tempo. Mas um belo dia você acorda mãe. De repente ao seu lado aparece um pequeno ser. Uma coisinha fofa e esfomeada, completamente dependente de você, e para quem você vai passar a se dedicar 24h por dia.

E ele vem assim, de repente. Sem manual, sem instruções, sem 0800, sem atendimento on line! E, então a vida muda. A Mariana muda. Completamente. Muda física e emocionalmente. Mudam os planos, mudam as prioridades, mudam as preferências, mudam os horários, mudam os hábitos, muda a mentalidade, muda a sensibilidade, muda, muda, muda e não pára nunca mais de mudar. Porque os pequenos vão crescendo, vão mudando também, vão virando gente grande, vão adquirindo vontade própria, conquistando espaço e aprendendo à velocidade da luz! Se a gente parar no tempo, não dá conta do recado. E ainda bem que é assim. Porque mudar é bom, amadurece, transforma, fortalece e ensina.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Sob o signo dos Direitos da Criança

Por Graça Graúna
Histórias de uma vovó pássaro

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi apresentada à Organização das Nações Unidas (ONU), em 10 de dezembro de 1948. Onze anos depois, em 20 de novembro de 1959, as crianças tiveram também, seus direitos discutidos e defendidos pela UNICEF, isto é, Fundo das Nações Unidas para a Infância; uma organização que se preocupa com o bem-estar da criança de várias partes do mundo. É dessas questões que trata a obra de Silvana Salerno, numa linguagem acessível, bem-humorada, informativa e também esperançosa em várias passagens desse livro destinado ao público infanto-juvenil. Em 2008, essa Declaração completa 60 anos. Vim ao mundo também nesse mesmo ano; isto significa que nasci sob o signo dos Direitos Humanos.

A ilustração de Michele Iacocca acompanha esse ritmo, ao atualizar por meio do desenho os conceitos em torno das relações sociais, contextualizando-as desde a Idade da Pedra, das invasões e guerras até os atuais conflitos do nosso dia a dia. Um bom exemplo da imagem e da palavra esperançosa nesse livro traduz-se, por assim dizer, em recado para o leitor (não importa a idade), a começar pela capa, na qual se vê e sente o equilíbrio entre os pratos de uma mesma balança: de um lado aparecem cinco crianças de diferentes etnias, todas sorridentes; do outro, a estampa dos Direitos da Criança
, em alusão ao documento da UNICEF: um órgão criado pela ONU, em 1946. À medida que Salerno mostra no texto como as pessoas desde sempre viveram entre tapas e beijos, e como os mais fortes sempre dominaram os mais fracos; a ilustração de Iacocca dá voz a um personagem que, aparentemente fraco e sozinho diante dos opressores, não teme dizer (em caixa alta, isto é, palavras em letra maiúscula): "ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM!" (p.4).

Na seqüência, para chamar a atenção dos leitores, Salerno destaca em negrito algumas palavras: "Muito tempo passou, a vida mudou muito, mas esse tipo de coisa ainda acontece. O mais forte continua querendo mandar no mundo" (p.5). Essa idéia perpassa a ilustração que traz duas crianças (uma branca e outra negra) brigando por causa de uma bola. De posse do brinquedo, o menino branco parece dono do mundo, como sugere a bola nas mãos dele, enquanto o menino negro e passivo fica só olhando o mundo nas mãos do outro.

Essa pequena enciclopédia mostra que "muitas vezes os adultos não respeitam os pequenos. Para que isso não acontecesse mais, o pessoal da Liga das Nações decidiu escrever a Declaração dos
Direitos da Criança" (p.8). Isso aconteceu em 1924. A enciclopédia convoca os(as) leitores(as) de todas as idades a respeitar as diferenças; fala de como as várias nações começaram a brigar até acontecer a Segunda Guerra Mundial e o que levou tantos homens e mulheres a se reunirem todos com o mesmo pensamento, em Genebra, no ano de 1945.

A contadora de história observa que entre as pessoas ali reunidas havia negros e brancos. Cada um respeitando a religião do outro e falando línguas diferentes. A diversidade cultural que sugere a ilustração também vai ao encontro da narrativa ao destacar em caixa alta a palavra paz em várias línguas (paix, peace, mir), ressaltando que: "Uns tinham olhos puxados, outros eram de olhos azuis. Tinha gente de cabelo escuro e enroladinho, gente de cabelo loiro e liso e gente de cabelo vermelho. Mas todos pensavam igual: queriam paz no mundo" (p. 11). Na pequena enciclopédia o leitor adulto (ou não) pode ser surpreendido por crianças que, na ilustração, ostentam faixas denunciando o desaparecimento de milhões de crianças que ficaram perdidas ou sem família, por causa das guerras. A cada página dessa história dos direitos escrita para as crianças, a literatura (infanto-juvenil) se transforma em um instrumento que as crianças precisam para se defender, "para ninguém maltratá-las".

De todos os direitos, a escritora Silvana Salerno mostra que o ato de brincar é um bem tão importante quanto necessário ao desenvolvimento da criança e enfatiza: "Quando as crianças são bem tratadas, o mundo fica melhor" (p.29). Ela dedica uma parte da enciclopédia à criança brasileira, sobretudo "à meninada que vive nas regiões mais pobres" (p.30), às "crianças indígenas que estavam morrendo por falta de água boa para beber" (p.31) e ressalta o Estatuto da Criança e do Adolescente, criado no Brasil, em 1990, para que todas as crianças, todos os jovens sejam respeitados (p.33). Para finalizar, a autora propõe uma rede de conhecimento que inclua as crianças pobres, alertando que 27 milhões delas vivem miseravelmente no Brasil.

Nessa perspectiva, divididos em dez partes, os direitos das crianças dizem o seguinte (p. 18-27):
1 - Bom desenvolvimento. Todos os meninos e todas as meninas têm direito a todos os direitos da declaração: não importa que cor e religião tenham, não importa em que país nasceram, nem se são pobres ou ricos.
2 - A criança deve receber proteção especial para desenvolver tanto o corpo quanto a mente.
3 - Direito à cidadania. Logo que nasce, a criança tem direito a ganhar um nome e a receber uma nacionalidade. Quer dizer, se ela nasceu no Brasil, é brasileira.
4 - Toda criança tem direito a se alimentar bem, ter uma casa, brincar e ser tratada pelo médico.
5 - Escola e carinho. Se a criança for portadora de deficiência física ou mental, deve receber tratamento e também freqüentar a escola.
6 - Carinho e segurança são muito importantes para qualquer criança. As crianças sem família ou com família muito pobre devem receber ajuda do governo.
7 - Aprender, conhecer, brincar e descobrir são direitos da criança. Toda criança tem direito a estudar, e a escola deve ser gratuita.
8 - Em qualquer tipo de acidente, a criança tem de ser a primeira a receber proteção e socorro.
9 - Se uma criança for abandonada, ela deve receber abrigo. E nenhuma criança pode ser usada pelos mais velhos para ganhar dinheiro. Meninos e meninas não devem trabalhar antes dos 16 anos; e nessa idade, só podem fazer os trabalhos mais leves.
10 - Em casa, na escola, na rua, em todos os lugares, deve haver compreensão, amizade e justiça entre os povos para que as crianças cresçam em paz.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Ser pai é ser milhões de anos

Por Javier Martínez
repórter pai de Malu

Ser pai é ser milhões de anos. Pelo menos essa é a impressão que tenho. Como explicar então o meu fascínio pelos patos no Parque da Cidade e reparar na perfeição das penas? Como não acreditar que estamos vivos há uma eternidade se aquela folha foi vista pela primeira vez por minha filha e me fez emocionar por que eu nunca a tinha visto dessa forma? Como não acreditar no vento se sua carícia faz a minha filha ficar em paz e contemplar tudo maravilhada?

Esta nave tresloucada chamada Mãe Terra recebe um novo ser com tudo a descobrir, a começar pelos pais, que descobrem juntos que um avião é engraçado... Que o vapor da água fervendo é uma nuvem na cozinha para os olhos dela.

Que uma flor é perfeita, que um seio guarda magia, que a janela é o nosso programa de televisão favorito, que a chuva é, ainda, a coisa mais difícil de entender.

Os filhos não cansam de ser generosos conosco e com os outros. Que tudo faz mais sentido. Que não se trata somente de mais um ganho. Que vão te empurrar de volta para a infância, para a felicidade, para a emoção, para a inocência.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Sabor de Infância

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Há uns dias me surpreendi com o número de mães que me procuraram para falar sobre a busca por uma boa escola. A mãe de Thiago se queixava da necessidade de transferí-lo para uma escola maior, enquanto o irmão caçula pedia para não sair de onde estão todos os amiguinhos. Íris também chegou em casa contando sobre sua amiga Sabrina, de 11 anos, aos prantos nos últimos dias de aula por também não aceitar uma mudança semelhante. Fernanda e Cláudia, com Júlia e Letícia, também estão na mesma peregrinação, agora com as meninas no ensino fundamental – a maioria dos amigos mudam juntos para outro colégio, mas as mães não gostaram da escolha. Socorro prefere colocar os filhos, desde cedo, numa escola grande. Mara vai levar Clara, de 2 anos, pela primeira vez à escolinha. Mas, até agora, nenhuma se encaixou nos moldes que planeja para a filha “a maioria tem pouca área verde e muitas crianças em uma única salinha”. Todos procuram a escola dos sonhos, o lugar perfeito: totalmente protegido, acolchoado, limpo, tranqüilo, alegre e espaçoso... Outro dia alguém me disse que fez a escolha certa pelo cheiro... e confesso que também já fiz algo bem parecido - nessas horas, sempre seguimos nosso instito e lembramos de um sabor gostoso de infância....

Sobre a busca por escolas:
Muitas fases... e curiosidades

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Muitas fases... e curiosidades

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

A 1ª vez- Quando decidimos colocar nosso bebê na escolinha (berçário, ou creche), pensamos em uma extensão de nossa casa. Por isso, tantas reticências na hora da escolha...
Mesmo com tantos cuidados, atenção redobrada e com a chamada "fase de adaptação", que parece não dar tempo ao tempo, o sofrimento daquela rápida separação não é só deles. Nós também, que iremos nos desgrudar pela primeira vez, ficamos inseguros e até engolimos o choro. Precisamos ter segurança, mas bem que gostaríamos de ser um passarinho pra chegar na janela da salinha que o bebê está e ficar observando aquele pedacinho de mundo, que dali por diante será dele.

Os primeiros passos - Quando já sabem falar, andar e saem de bebezinhos às turmas do infantil, qual é o pai, ou mãe, que não tem curiosidade em saber como foi a roda de conversa naquele primeiro dia de volta às aulas? Ou mesmo, como foi feito aquele trabalhinho que separamos com tanto carinho pra mostrar pros tios, avós e amigos? Até numa viagem a trabalho, quem não para pra pensar: “o que fez hoje o meu pequeno?”. Hoje, as pastinhas de trabalho (verdadeiros portfólios) vêm até com fotos de alguns momentos, e já conseguem nos aproximar um pouco dessas tantas fases e curiosidades.

A 1ª leitura - Durante a alfabetização, nem se fala! Se a relação com o professor volta a ser tão estreita e carinhosa é também uma fase de grande independência. Eles começam a enxergar, ler o mundo de outra forma e, por isso mesmo, nossa curiosidade volta à tona: como foi feito esse texto? O que você escreveu (ou disse) aqui? Qual é o seu desenho? O que aconteceu no tão esperado acampamento na escola?

O primeiro salto - nas entrelinhas do crescimento vem o ensino fundamental... agora são eles que enfeitam os cadernos e escrevem na agenda apenas as atividades de casa - deixam de trazer recadinhos e já fazem os cálculos do próprio boletim. Todos os dias chegam eufóricos, trazem novidades... Começam a entender raiz quadrada, falam sobre sexualidade e são os ambientalistas do futuro. Ainda está em tempo... é bom deichá-los contar, sentir que estamos juntos, aprendendo, saber que estamos sempre perto.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Recall vira assunto de criança

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio



Amanhã começam a funcionar os postos de troca dos BINDEEZ, brinquedos que o setor comercial esperava aparecer como a sensação de vendas no natal, mas que foram retirados do mercado em diversos países, por conter substância letal.

As “bolinhas mágicas” que se juntam com água causaram acidentes graves com crianças na Austrália, Canadá e EUA, depois de ingerirem as miçangas coloridas com substância semelhante à droga GHB (ácido gama-hidroxibutrico) - mais conhecida como “ecstase líquido” - sedativo ilegal que pode causar desde sonolência, perda da consciência ou morte.

Com o conhecimento dos fatos, a importadora do produto aqui no Brasil (Long Jump) foi autuada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça e divulgou ontem, 19/11, nota oficial sobre o recall com início nesta quarta-feira 21/11.

Os brinquedos já foram retirados do mercado e até o final de novembro o Instituto Nacional de Metrologia e Normatização (Inmetro), que já havia garantido o selo de qualidade à linha BINDEEZ, deve liberar um novo laudo sobre a segurança do lote distribuído no Brasil.

O BINDEEZ é a bola da vez, mas o assunto ”reccal de brinquedos” está aparecendo cada vez mais na mídia e nas conversas em casa entre os pais e as próprias crianças.

Ainda na semana passada, depois de ver a foto do brinquedo em uma revista, Davi, 7 anos, me explicou tudo: “minha professora disse que esse brinquedo é muito perigoso e que a gente não pode brincar com ele”, acrescentou que tinha uma espécie de veneno e que por isso não podia ser jogado no lixo “para as crianças pobres também não se machucarem”. Na mesma hora entrei com ele na Internet, vi as notícias sobre o assunto e expliquei também pra Íris que perguntou o por quê de o brinquedo ainda não ter sido proibido no Brasil.

Ainda bem que a pergunta dela teve resposta quase imediata. Mas, nem de longe estamos tranqüilos com nossa segurança doméstica em relação ao universo infantil - se estendendo às escolas, às casas de amigos, aos parquinhos...

Nos últimos anos, principalmente neste 2007, o número de comunicados oficiais de recall aparece como um alerta para quem vê a prateleira cheia de novidades tentadoras.

Existe até um Sistema de acompanhamento online de recall aonde, até este ano, as empresas automobilísticas eram as que mais apareciam. Hoje, as distribuidoras de produtos infantis entram no ranking. Em 2002 foram os brindes de ovos de páscoa Trakinas distribuídos pela Kraft Foods; em 2006 os mordedores infantis com água, suspeitos de contaminação do líquido interno - o produto "The first years” era distribuido pela Girotondo. Em 2007 foi a GULLIVER, com a linha MAGNETIX e problemas semelhantes aos da MATTEL, que também anunciou recall por situações de risco causadas por imãs contidos dos brinquedos.

A MATTEL alcançou o número recorde de recalls, com 31 comunicados apenas este ano, envolvendo desde conjuntos de acessórios barbie e Polly, até as figuras magnéticas da Coleção The Batman. Segundo a empresa, os recalls aumentaram porque estão sendo feitos novos testes de qualidade em todo o seu portfólio de brinquedos desde 2006. Mas, para os pequenos consumidores, grandes riscos à mão.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Jogo da vez

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio


é o “Imagem & Ação” na Internet. A onda é jogar com pessoas de qualquer parte do mundo, no idioma que você escolher.

Daniel trouxe a novidade aqui pra casa e já nos divertimos um bocado esses dias. É brincadeira e descontração certa pra os pequenos e pra gente também. Do inglês, Sketch (esboço) com um izinho digital...assim jogamos o iSketch na Rede: a qualquer momento, 24 horas por dia.

Pros pequenos, no final de semana, enquanto os pais lêm o jornal ou descansam até mais tarde um pouquinho e até durante a semana, antes ou depois da escola. Pros grandinhos um momento de descontração e até no treino de um novo idioma. Juntos, a diversão fica ainda melhor...uma tremenda confusão! cada um grita pra um lado, todo mundo quer desenhar, ninguém descobre a palavra certa e assim vai...

Depois de fazer o login e cadastrar uma senha, seu acesso é liberado. Do lado esquerdo da tela (em “other languages”) você escolhe o idioma e a sala que deseja entrar – aqui em casa estamos nos divertindo em inglês. Pode ser francês, italiano, alemão ou diversos assuntos com níveis diferenciados.

Daí, é só começar a brincadeira de adivinhar a palavra que o outro está traduzindo em esboços o mais rápido possível. Cada partida tem 10 rodadas e o vencedor será aquele que obtiver maior pontuação – com um desenho “perfeito” para ser descoberto em segundos, ou com um maior número de palavras adivinhadas.

As salas nunca estão vazias e essa pode ser uma boa opção para treinar diversas habilidades: vocabulário, agilidade, criatividade, raciocínio lógico e até coordenação motora, quando precisamos fazer traços rápidos e bem definidos com o mouse. Um desafio pra qualquer um que sabe desenhar e não domina uma língua, ou para quem é expert num assunto e não é bom desenhista.
Baixe o
Adobe Macromedia Shockwave Player para que o jogo funcione no seu computador, veja as regras em português e acesse o iSketch. O resto é só diversão!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Mulher Pensando

Por Agnes Pires
Designer mãe
dos gêmeos Ian e Iasmin


Agnes fala um pouco sobre como sente a falta de tempo para acompanhar mais os filhos e sobre o momento de produção de Iasmin, autora de "Mulher Pensando", obra que ilustrou nossa matinê na última edição - um desenho cheio de expressão e maturidade aos 5 anos de idade:



Eu estava ensinando como a gente deve dividir o espaço, proporções e a partir daí fazer um retrato ou um desenho imaginário. Os resultados foram ótimos, Iasmin produziu bastante. Agora é Ian quem está dedicadíssimo ao desenho, deu uma guinada grande - uma graça.Cada um tem seu momento de produção...pode acontecer com um, ou com outro.

Agora Iasmin está muito empolgada com a leitura e isso tambem é reflexo da pedagogia da escola sem tanto empenho à arte-educação, como se fosse uma coisa menor. É... geralmente eles dão mais ênfase até o jardim e depois passam a cobrar tanta responsabilidade de leitura, que esquecem da importância da criatividade... da composição de pensamento de outras formas, não é? e a gente termina assimilando, exigindo um pouco assim. Cobro muito da caligrafia também (e isso puxei de mainha).

Eu queria poder participar, criticar e contribuir nesse sentido junto à escola, mas infelizmente meu tempo não permite e o que posso fazer, faço em casa. Tenho chegado mais cedo, por volta das 20h, mas confesso que tô meio cansada, apesar de gostar da minha área. Só espero que Ian e Iasmin entendam minha ausência.

Dom Quixote animado

Por Anton Karas, uma animação feita em flash a partir do desenho original de Pablo Picasso


domingo, 4 de novembro de 2007

brincar de quê?

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Esta é uma figura ilustre, sempre presente nas brincadeiras entre os netos da vovó pássaro. Eles lembram das esculturas feitas de madeira, de bronze, lata ou de barro; dos quatros de sucata, desenhos de nanquim ou das telas quixotescas que nos trazem a lembrança da casa de vovó. Aqui, ele sempre é recriado e ali, encontramos sempre um cavaleiro andante procurando salvar o mundo e sua princesa...

Ontem mesmo, depois que recebemos mais uma das histórias da Vovó Pássaro , Caio e Rudá levaram pra brincar no parque um pouquinho dessa coleção literária que carregam na lembrança. "Vamos brincar de quê? - Eu sou dom quixote", eles conversavam sem nem mesmo saber falar direito esse nome tão "complicado" para os dois e três anos de idade.

Sonho que se sonha...

Histórias de uma Vovó Pássaro

_ Fechem os olhos, respirem fundo e prestem bem atenção; pois a história que vou contar é uma das minhas preferidas

_ disse a Vovó Pássaro, enquanto as crianças se mostravam ansiosas para mais uma noitada de sonhos.

Para início de conversa, Vovó Pássaro achou necessário explicar a origem da história:


_ Há mais de 400 anos, na Espanha, um grande escritor chamado Miguel de Cervantes criou uma das mais belas histórias para que o mundo não esquecesse que é possível juntar sonho e realidade. Ele também mostrou que nas asas da imaginação, podemos alcançar muitos horizontes. Acreditando nessa possibilidade, passo a contar do meu jeito. Então, crianças, estão preparadas para ouvir o que eu tenho pra contar?


Em algum lugar de La Mancha viveu um homem muito engenhoso. La Mancha é o lugar que ficou agregado ao nome do nosso herói; dessa maneira todos deram para lhe chamar: “o homem de La Mancha”, ou Dom Quixote que era mesmo o nome desse fidalgo. Era também chamado de Cavaleiro da triste figura. Com tantos nomes assim, como é que pode uma pessoa ser triste, não é mesmo? Quando o povo inventa uma coisa, fica sendo assim mesmo. E não é que chamavam o nosso herói de louco... só porque ele lia muito. Louco...onde já se viu...! Certo mesmo é que o nosso herói passava horas e horas dedicadas a leituras. Era livro que não acabava mais – do chão ao teto. Esse cavaleiro lia de tudo; as histórias de cavalaria eram as suas favoritas. Até nos intervalos de leitura, ele se dava ao direito de imaginar que se transformara em um cavaleiro andante: o mais sonhador, o mais apaixonado, o mais justo, o mais cortês, o mais sábio, o mais humilde e o mais forte também. Pensando assim...ele saiu a procura de sua princesa que o mundo conhece por Dulcinéia. Ao contrário dos outros cavaleiros, Dom Quixote era magro e velho. Apesar do peso da idade, ele se vestiu de coragem; foi até o quintal, entrou no estábulo, montou o velho e magro cavalo chamado Rocinante e saiu em disparada a procura de um ajudante que acreditasse nos seus sonhos; alguém que fosse seu verdadeiro escudeiro. Dito e feito. No meio do caminho, Dom Quixote encontrou um camponês chamado Sancho que estava muito ocupado, tirando água de um poço. Não demorou muito, Dom Quixote convenceu o camponês a segui-lo e ajudá-lo a tornar o sonho realidade. Assim, os dois homens selaram uma grande amizade e seguiram pelo mundo, defendo os fracos e oprimidos, lutando contra moinhos de vento e encantando Dulcinéias.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Resistência

Histórias de uma Vovó Pássaro
Ouvi do meu pai que a minha avó benzia e o meu avô dançava o bambelô* na praia, e batia palmas com as mãos encovadas o coco improvisado; ritimando as paixões na alma da gente.

Ouvi do meu pai que o meu avô cantava às noites de lua, e contava histórias de alegrar a gente e as três Marias.
Meu avô contava: - a nossa África será sempre uma menina. Meu pai dizia:
- ô lapa de caboclo é esse Brasil, menino!

E o côro entoava:

- dançamos a dor,
tecemos o encanto
de negros e índios
da nossa gente


(*) Bambelô é uma dança de roda, semelhante ao samba ou ao batuque cantado ou “Côco de roda”. É mais dançado no Nordeste, especialmente nas praias do Rio Grande do Norte (Natal).



quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Com a bênção dos ancestrais

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Hoje o dia foi um daqueles bem compridos... Agora há pouco, quase onze horas da noite, Caio dizia: "Tô cansado mamãe, tô cansado de dormir". Acho, que por causa da anestesia geral.

Coração na mão, eu e Daniel parecíamos estar vivendo um "dejà-vu". Na mesma idade em que Caio está hoje, Davi foi operado de hérnia. A imagem era aquela mesma, a situação bem parecida: manhã bem cedinho, friozinho na barriga, vimos nosso pequenino amolecendo, amolecendo, até dormir com a anestesia para que o entregássemos aos médicos.

Essa talvez seja uma das piores sensações (de inutilidade) que um pai e uma mãe pode passar, ainda que tenha escolhido o médico com tanta segurança - a pessoa certa, naquele momento, pra ser guardiã de um grande tesouro.

Ao meu lado, outra mãe aflita com o filho de seis anos na mesa de cirurgia para curar uma adenóide. Chamava e sacudia o menino para que ele reagisse e olhasse pra ela. Desavisada sobre o efeito da anestesia, ela já estava em prantos quando me vi tocando em seu ombro: "calma, é o efeito do anestésico. Ele precisa dormir. Não tenha medo, vai dar tudo certo", dizia pra ela em bom tom para que eu mesma ouvisse minha voz e conselho.

Mas, a manhã pareceu ter 24 horas. Caio acordou comigo trocando sua roupa para irmos ao hospital - seis da manhã. Às 8h20 sai do centro cirurgico certa de que tudo estaria resolvido em alguns minutos. Uma complicaçãozinha, e só viemos ter a primeira notícia às 9h45. O técnico de raio X apareceu na porta: "é da mãozinha de um bebê?" perguntamos aflitos. "Sim, só estamos aguardando a revelação para os médicos finalizarem o procedimento", respondeu.

Às 10h30 já estava com Caio no colo. Acordou, chorou, dormiu, reclamou, chorou novamente, dormiu, comeu, tomou picolé (surpresa de papai coruja e feliz) e a tarde foi mais tranquila.

A noitinha já chegamos em casa. Íris e Davi comemoraram nossa volta. Vi o brilho nos olhos e a vontade de um forte abraço.
Ontem, antes de dormir eles estavam bastante apreensivos, Davi dizia estar com medo e me perguntava: "alguma pessoa já morreu nessa cirurgia?". Engoli seco e respondi que não, que daria tudo certo. Não sabe ele que esse medo também era meu.

Mas, quando chegamos avisamos a todos e aos bons ventos que tudo estava tranquilo, "a cirurgia foi bem sucedida". O susto passou, a agonia também, agora são "apenas" mais 4 semanas de gesso até tirar o pininho instalado pra ele recuperar os movimentos mágicos de seus dedinhos.

De longe recebemos ótimas energias: dos vovôs, das vovós, dos amigos, titios e titias, primos e irmãos. Algumas vieram por e-mail, trazidos com a força de nossos ancestrais, pelo canto da vovó-pássaro em pensamentos guarani:


Bom dia...Que Nhande Rú Ilumine seus caminhos. Seu Nétinho esta bem. Os Médicos estão sendo orientados pelos anjos de Cura. Saúde e muita Paz.
(Célia Ramos)

Estimo as melhoras do seu netinho. Não há de ser nada. Tudo vai passar bem e ele logo vai esquecer desse susto.Nhande Rú, Tupã e Nha Mandú irão fortificá-lo bastante. DJatxy (JaCy) lhe dará bons sonos a noite para lhe afastar o medo.Porã hetá nde reré. Muito bem ele ficará. Akuãuá, rikeindy Graúna. (Heitor Kaiová)

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Fim de semana: aqui e acolá

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris Davi e Caio

A diversão dos pais e até o esporte de domingo pode sim virar brincadeira de criança e programa de família. Foi assim nesse final de semana, em Recife, com a Corrida dos Fortes e em Brasília, com o Festival de Cultura Popular.

De Recife, Agnes, designer-mãe de Ian e Iasmin nos manda notícias:
"aí vai um pedacinho da nossa manhã divertida! A corrida foi ótima. Cláudio foi acompanhando as crianças durante o percurso, estimulando e tentando desviar o cansaço num sol super quente das 9h da manhâ. Eles correram 3km. O percurso da Corrida dos Fortes foi do Forte do Brum ao Forte das 5 Pontas, passando por pontos turísticos do Recife Antigo. Foi ótimo. Apesar de muito cansados, eles ficaram felizes com a participação e por ganharem uma medalha de recordação. Teve lanchinho depois, cada um ganhou uma squeeze. Iasmin chorou na linha de chegada, acho que nunca tinha sentido um cansaço ou uma emoção igual! Eles fizeram esse percurso em 21min. As primeiras crianças, já acostumadas com a corrida, chegaram em torno de 13 a 15min. Valeu a experiência, eles já querem correr de novo."


A competição, que já está no roteiro das corridas de rua para maratonistas experientes de todo o mundo, também tem espaço e percurso especial para atletas iniciantes e meninos e meninas cheios de energia, como Ian e Iasmin de 6 anos de idade (Iasmin é autora da obra em nossa matinê "mulher pensando").
O pai é praticante de triatlon, a mãe atleta por diversão e os filhos entraram no ritmo. A largada foi no Forte do Brum, entre Recife e Olinda, passando por vários pontos históricos da cidade no trajeto oficial de 10 km.

Com outro tom, também foi da terra dos brincantes que veio a inspiração para o fim de semana no cerrado. Aqui, no coração do Brasil, bateu o ritmo do maracatu, do coco de roda e dos espetáculos de rua. Conhecemos também o Calango Voador - que deixou Caio assustado, Íris entusiamada e Davi encantado. Um verdadeiro espetáculo circense com resgate popular (nada de cirque du soleil) algo pra se vê de perto, se sentir na pele, no próprio picadeiro, como personagem de uma literatura de cordel, de um auto de Ariano Suassuna e do saldoso carnaval.

Com certeza nossos programas-família, aqui e acolá, nos deram força pra firmar raizes e começar a semana.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Nossos Pequenos Cidadãos

Por Ana Inês
repórter mãe
de Íris, Davi e Caio


Com cara de brincadeira, mas falando de coisa séria, ontem foi o dia da 2ª Sessão Plenária Mirim da Câmara dos Deputados em Brasília. Pelo menos 400 crianças estiveram no Plenário da Câmara para votar projetos de lei de sua própria autoria. Das 211 propostas enviadas à Casa, três foram votadas e aprovadas por parlamentares de até 13 anos de idade. A idéia da sessão mirim não é fazer as crianças vêem como funciona o Plenário e sim fazê-lo funcionar com as próprias mãos, ou melhor, idéias.

A sessão teve de tudo, inclusive painel eletrônico e composição infantil de mesa diretora para liderar os trabalhos. O primeiro Projeto de Lei aprovado é de autoria de Karinne Souza Mendonça, 11 anos, estudante do 6º ano (5ª série), em Taguatinga-DF. No PL 32/07, Karina defende o direito das crianças não trabalharem e afirma que elas devem ficar na escola, em período integral, com toda assistência à educação, alimentação e saúde.

Cada um trouxe um pouco de sua realidade e por isso Mallena Nogueira Lira, 13 anos, aluna do 8º ano (7ª série) no município de Iracema, no Ceará, propôs sobre a proibição de paus-de-arara como transporte escolar, o que ainda é bastante comum nos rincões brasileiros. O PL 64/07 foi o segundo a ser votado e aprovado em plenário lotado. Já a deputada mirim Larissa Nicolau Fernandes trouxe o PL 12/07 aprovado por 301 votos a favor da igualdade de direitos perante a Lei para cidadãos comuns, políticos, juizes e promotores. Larissa tem 12 anos e é aluna da 5ª série em Belo Horizonte - MG.


As notícias do parlamento mirim, os jogos e as informações apresentadas a nossos pequenos cidadãos podem ser acessados no Portal do Plenarinho. O interessante das matérias é que elas trazem diversos assuntos de maneira bem simples - tem até um dicionário para explicar algo que parece mais complicado para o universo infantil, como o próprio ceonceito de política. O Portal é ótimo para aprender, ensinar, levar à sala de aula e discutir em casa. Íris (foto) se diverte e aprende muito quando entra no plenarinho e se sente a própria parlamentar.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Batalha do Sono

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris Davi e Caio

Nas bancas, ou entre as mães blogueiras, uma capa de revista com certeza chamou atenção neste mês de outubro: “50 soluções para vencer a batalha do sono”, da revista Crescer. Na Rede, a matéria conta ainda com um making of em vídeo, que lembra direitinho algumas imagens de nossos pequenos na hora de dormir: os pulos na cama, uma brincadeira com lanterna e o clássico esconde-esconde debaixo do cobertor. Tudo de tão gostoso, mas que também nos faz ficar de cabelo em pé quando a luta no final do dia é nossa. Com dados de uma enquete online a matéria traz histórias bem parecidas com o dia-a-dia de qualquer pai e mãe na batalha contra a falta de sono dos pequenos notívagos.

Hoje aqui em casa foi meio assim, ainda que me vanglorie por ter uma rotina saudável nessa hora com os meninos. Além de ainda estarmos nos acostumando com a casa nova, estávamos com a visita de vovô; o computador ligado e todos eles com um pique de bateria recarregada.
Geralmente começam a relaxar e vão pra cama às 20h30, mas já passava das 21 horas e nem pensei sobre o horário de verão que, nesse caso, dava a eles toda razão. Íris no computador estudando espanhol com o avô e depois atendendo a um telefonema de uma amiga, Davi correndo pela casa e Caio pulando na cama e fazendo toda a bagunça.

Ainda no trabalho, Daniel ligou pra saber como estava o ritmo da casa. Acabava de ganhar duas entradas pra apresentação da orquestra sinfônica do Rio aqui em Brasília. Fiquei morrendo de vontade, mas “nada feito estamos aqui em polvorosa”. Mas tudo bem. Essa é apenas uma quebra de rotina. Nada parecido com o rojão deles até os dois anos de idade. Agora a trupe já dorme a noite inteira, cada um em sua cama, afora aqueles conhecidos momentos de medo ou insegurança.

Íris por exemplo, que dormia no mesmo quarto de Davi e Caio até o ano passado, em sua primeira noite de independência, num espaço só dela...ah! nem me lembre: Chorou como há muito não fazia. Hoje não. Ela prefere mesmo ficar lendo até mais tarde e ter um quarto todo cheio de caixinhas, hello kitys e emílias.
Já pra os meninos, quase tudo é futebol, um pufe de bola, um cobertor igual a um campo gramado (bordado pela vovó coruja) e todo o aconchego de historinhas pra dormir melhor.

Mas, nada melhor pra expressar bem tudo isso, do que duas músicas do Palavra Cantada que embala essa nossa história: "Dorme em paz" e "
Pro nenê nanar", do CD Canções de Ninar.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Na Estrada

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique


Férias. BR040. Destino Belo Horizonte. 700 km à frente. Uma criança de um ano e meio atrás. Uma verdadeira aventura para nenhum praticante de esportes radicais botar defeito. Não fosse pelo bom humor do Enrique e por seu comportamento consideravelmente tranqüilo, poderia ter sido uma aventura temerosa. Mas ainda que o pequeno tenha contribuído bastante, lidar com crianças traz sempre (in)esperados contratempos. A começar pelo tamanho da bagagem. É incrível como um ser tão pequeno ocupa tanto espaço. Três roupas por dia é uma média. Uma para antes do banho, outra para depois. A terceira é um coringa para uma eventual – e quase sempre inevitável – lambuzada de comida, suco, xixi, coco e outras sujeiradas deliciosas tão típicas e necessárias dessa fase. Além disso, brinquedos, berço portátil, mamadeiras, lanchinhos e outros acessórios indispensáveis para a distração infantil completam o arsenal. Sem contar a cadeirinha que ocupa pelo menos 70% do banco traseiro. A decisão de não levar o carrinho é sábia e imprescindível para sobrar espaço para nossa mala.

Obstáculo “como fazer caber tudo dentro do carro” superado, pé na estrada. Tudo vai bem até que o Enrique começa a perceber que sua permanência sentado – preso - naquele troninho acolchoado será um pouco mais longa que a habitual. A partir daí é que começa a segunda etapa da aventura: convencer uma criança cheia de energia de que ficar dez horas dentro do carro é divertido e agradável. E lá se vai todo seu repertório musical, toda a sua criatividade para inventar brincadeiras, a tentativa de “deixar chorar para ver se ele desiste” e, finalmente, a redenção: mamãe passar para o banco de trás. Como o Enrique ainda mama, fica ainda mais difícil fazer com que ele fique “longe” da mãe por tanto tempo. Assim, no minúsculo espaço entre a cadeirinha e a porta do carro, mamãe segue viagem, para tranqüilidade geral dos viajantes. Até que Enrique dorme e mamãe volta a fazer companhia para o papai. E nesse ciclo, fomos e voltamos. Valeu a experiência e, ainda mais, os quinze dias deliciosos em Belo Horizonte. Até a próxima aventura!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Mudança de hábito, de casa e de amigos

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Baixada a poeira da mudança paro para pensar no que está nos deixando com tantos receios. Na sexta-feira, pela primeira vez sentando-me com os meninos no pilotis do prédio, me vi puxando papo com o zelador e perguntando se era comum as crianças brincarem por ali. Ele respondeu que sim. Falou que quando o sol está muito quente, ou em alguns momentos do dia, ali embaixo “enche de crianças”. Ainda completei a pergunta (“e ninguém implica?”) quando tive uma resposta bastante amigável: ele afirmou que “não, de jeito nenhum”, repetiu que era bastante comum a brincadeira no pilotis, mesmo com o parquinho ali do lado. Pra mim, hoje essa informação vale ouro! Os meninos precisam se sentir seguros. Sem medo de brincar.


Por um "caso de polícia", mudamos de casa, de hábitos e procuramos novos amigos. Não me sinto segura em levar Davi na escolinha de futebol das manhãs de terças e quintas, pra ver os amiguinhos. O campinho do jogo fica bem pertinho de onde acabamos de nos mudar sem dizer nosso atual endereço a ninguém. Respiro fundo e faço uma recaptulação.

Ano passado mudamos de um condomínio onde já morávamos há três anos. Procuramos um lugar quase tão tranqüilo quanto o nosso cantinho na serra. Como a família cresceu com nossa casa ainda em construção e Daniel iria passar três meses trabalhando em Recife, também queríamos um lugar menos isolado, mais prático e seguro para que pudéssemos ficar tranqüilos com Íris, Davi e Caio.

Meu pai havia acabado de comprar um apartamento no mesmo bloco em que meu irmão morava há quase dois anos – seria ótimo pra os meninos ter os primos pra brincar, enquanto Daniel estivesse fora.

Mas, logo no primeiro mês nos deparamos com a maior das dificuldades: usufruir com tranqüilidade do espaço comum aos moradores daquele prédio. Era de se estranhar: as crianças menores brincavam sempre no pilotis do prédio vizinho e os maiores, da idade de Davi (com 6 anos), quase nem apareciam. O antigo morador, Walter, tinha duas filhas e havia dito estar vendendo o apartamento para que as meninas pudessem ter o espaço de uma casa maior pra brincarem soltas. Mas, quando já havíamos mudado, Rodrigo, de 5 anos, que morava no apartamento de cima disse de primeira: “o zelador é muito chato, ele briga e a gente não pode brincar aqui”. Fiquei intrigada quando a mãe contou que aos sábados, depois do meio dia era o horário em que a brincadeira estaria liberada.

Alguns meses depois, Daniel já havia voltado de viagem, quando confirmamos um fato que a mãe de Rodrigo já havia relatado e já estávamos sentindo na pele: “quando o zelador acha que as crianças estão brincando desacompanhadas dos pais, debaixo do prédio, se aproxima com ignorância, gritos e insultos”.

Outros incidentes parecidos já haviam causado estresse e insegurança para que não deixássemos mais as crianças brincando com carrinhos, bonecas, lápis, papel e brinquedinhos de cozinha ali embaixo durante os dias de semana. O instrumento mais comum, utilizado para inibir nossa presença, há qualquer momento, era a mangueira de água. Como de costume, pouco antes de decidirmos nos mudar - por orientação de amigos e advogados - eu estava sentada atrás de uma pilastra (assim como Caio, na foto ao lado), brincando de carrinhos com os meninos - Rudá, Mariana, Caio e Davi, de três, dois e sete anos. Sentados no chão, ao lado da babá de Rudá e Mariana, todos olharam assustados: o zelador se aproximava com a mangueira que, por inúmeras vezes, usou para expulsar as crianças da brincadeira com o pretexto de aguar as plantas ou lavar outra vez no dia a entrada da portaria e “sem querer” acabar por molhar quem estava por perto.

Da indelicadesa às concretas ameaças bastou um passo( nos pilotis ou nas escadas do prédio). Depois das agressões feitas a mim, a minha cunhada e às babás, além das crianças, as últimas foram dirigidas pessoalmente a meu irmão e ao Sr. Toninho, morador antigo que criou por ali suas três filhas e hoje acompanha o crescimento da netinha com menos de um ano de idade.

Agora penso: apesar do preço salgado que estamos pagando pelo aluguel do novo apartamento e do condomínio, depois de um ano e meio de agonia, acordo e posso sair deixando meus filhos com mais segurança. Depois da mudança, passamos ainda a primeira semana com o transtorno das obras de reparo e pintura que não puderam ser feitas antes, pela natureza urgente de nossa chegada por aqui. Mas, depois de prestar queixa na Delegacia de Proteção à Criança e ao adolescente - por ameaça, injúria, danos morais e “incitação ao racismo” (pelos insultos às babás na presença das crianças) - nossa decisão não poderia mesmo ser outra. Como meu vizinho de porta havia comentado: “era mesmo uma pena estarmos saindo daquela maneira, mas melhor prevenir que remediar”. Assim como oSr. Toninho, Sr. Marcos e Dona Léa também já moram no prédio há mais de 30 anos e hoje trazem ali uma segunda geração, seus netos e hoje lamentam:"antigamente o zelador era uma pessoa de nossa confiança, zelava até por nossas crianças".

Pois é...Depois de outra queixa à administração do condomínio e de mais uma indisposição em relação às ameaças que estávamos sofrendo por parte do "zelador", a única resposta palpável ao problema foi a revelação de alguns moradores insatisfeitos com o mesmo tipo de problema e a solicitação de assembléia, por parte de alguns deles. Fora isso, continuávamos dia e noite com a liberdade vigiada.

O antigo vigia noturno acabara de ser substituído por um “parente” do zelador, sem que nenhum morador tivesse sido apresentado ao novo funcionário do condomínio. Em minha última “conversa” com a síndica, o vigilante a acompanhava como um segurança pessoal. Pensei que o fato pudesse estar sendo exagerado em meu sentimento tão defensivo naquele momento mas, dias depois, a mesma pergunta era feita por dois outros vizinhos que presenciaram aquela discussão em que a síndica se referia às crianças de dois e três anos de idade como vândalos:
“o que fazia aquele vigilante, de braços cruzados, me encarando ao lado dela, enquanto discutíamos sobre a coação sofrida diariamente pelos meus filhos?". Como podemos nos sentir seguros ao chegar em casa, quando temos alguém à espreita?

No Estatuto da Criança:
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura,
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e
opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais.

Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.

Art. 16.
O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:
I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; (...) IV - brincar, praticar esportes e divertir-se; V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação.

Pelo Dia da Criança

Há dez dias Vovó Passaro leu pra mim um poeminha "Pelo Dia da Criança":

Quem disse que saudade não se mede?
Minha saudade é assim:
maior que as tranças de Rapunzel,
que a porção de areia do mar,
maior que o mundo


sábado, 6 de outubro de 2007

Todo cuidado é pouco: "Nossa casa, grandes riscos 2"

Texto e Foto Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio


Só hoje, depois de uma semana muito difícil, nossa casa acordou mais tranqüila. Sexta-feira bati o carro; sábado e domingo passei dez horas fazendo provas de concurso e, na segunda-feira, o maior desespero: Caio derrubou a estante da sala e quebrou os dedinhos da mão direita - exatamente três dias depois que eu tinha escrito sobre os riscos e acidentes no ambiente doméstico.

Pois é, parece mesmo que em pouco tempo muita coisa desmoronou. Mas talvez eu já consiga ver o fato como ironia do destino, ou pelo menos me confortar com um provérbio que ouvimos desde criança "dos males, o menor!". Ontem à noite, depois de buscar Íris e Davi na escola fomos lanchar e passear um pouco.

Como de praxe, todo mundo espantado e com mil perguntas sobre o gesso no bracinho de Caio. Ele não pára, continua correndo, brincando, sorrindo... e isso é exatamente o que chama mais atenção. Sabemos que a recuperação física de uma criança aos dois anos de idade é extremamente superior a de qualquer adulto. Mas não tem jeito, fecho os olhos e lembro da cena. A verdade é que nunca pensamos que certas coisas vão acontecer com a gente, mas, ainda bem que estávamos em casa e conseguimos agir rápido.

Na Segunda pela manhã brincávamos no quarto, quando Caio (em menos de um minuto) foi até a sala. Ouvimos o estrondo e o choro. Daí, um verdadeiro "Deus nos acuda!". Mas hoje, depois de ouvir pessoas que conheci na rua, contarem histórias parecidas outros desfechos, nem sempre felizes, respiro mais sossegada e para nos conformar e diminuir nosso sentimento de culpa, pensamos que o acidente poderia realmente ter tido conseqüências maiores e mais traumáticas.

Então, hoje é dia de preguiça mesmo - fazer tudo sem pressa pra nada, ainda que a casa esteja cheia de caixas por causa da mudança que faremos na próxima quarta- feira. Pensando bem, melhor assim. Hoje já estaríamos na agitação, se não fosse pelo novo condomínio proibir o trânsito de mudança nos finais de semana. Vamos passear, tomar picolé e curtir nosso momento de calmaria.


Nossa Casa, grandes riscos


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Dicas online para seguraça doméstica

Criança Segura – A cada ano, acidentes no grupo de crianças com idade abaixo de 14 anos resultam em quase 6.000 mortes . Busque informações e dicas sobre os perigos do ambiente doméstico, transporte seguro e outros aspectos que merecem nossa atenção.

Curso Online de segurança doméstica – Brinque e aprenda com um Jogo interativo de perguntas e respostas, que explicam como evitar casos de intoxicação em nosso dia-a-dia. Ideal para acessar junto aos filhos e cadastrar o nome das crianças para que, no final da animação, elas possam receber um diploma especial para quem acabou de aprender como diminuir o número alarmante de casos de intoxicação no país. Produzido pela BASF.

Segurança online -– Como nos orientar sobre o uso da web por crianças e adolescentes. A própria Microssoft traz dicas para segurança online por faixa etária. de 2 a 4 anos de 5 a 6 anos de 7 a 8 anos de 9 a 12 anos de 13 a 17 anos

Nossa Casa, grandes riscos

Por Ana Inês
repórter mãe
de Íris, Davi e Caio

No mês das crianças, com tantas preocupações sobre a qualidade e a segurança dos brinquedos – com aquelas pecinhas que podem ser engolidas ou causar qualquer susto ou acidentes mais graves - lembramos também de outros cuidados simples para garantir a segurança dos pequenos nas brincadeiras e atividades do dia-a-dia. Quem nunca ouviu dizer que é melhor prevenir do que remediar?

Além dos brinquedos, precisamos ter outro foco para evitar os tão "corriqueiros" acidentes domésticos. A ateção é fundamental tanto na hora de planejar uma decoração (quinas de mesas, armários e cadeiras, objetos próximos às janelas e cortinas, berços, camas ) até as atividades do dia-a-dia, na cozinha, banheiro e área de serviço. Sabe-se que acidentes domésticos, como quedas, sufocação e queimaduras podem acontecer com pessoas de qualquer idade, mas as crianças e os idosos são de fato os grupos de maior risco.

Para evitar esse problema é importante lembrar de algumas regras, que parecem óbvias mas ajudam a nos despertar. São detalhes que passam despercebidos, desde a distância mínima que permitimos as crianças se aproximarem da TV (que precisa ser de pelo menos 3 metros), aos locais onde guardamos os materiais de limpeza e higiene.

Outro alerta é o armazenamento de remédios que, em letras maiúsculas: DEVEM SER MANTIDOS FORA DO ALCANCE DE CRIANÇAS, mesmo se tratando daqueles que deixamos num “lugar fácil” para não esquecer a hora de administrar. Também devemos aprender, além de ensinar aos pequenos, que a cozinha e a área de serviço são lugares restritos: “PROIBIDO PARA CRIANÇAS”, Inclusive para aquelas que já pensam estar bem grandinhas. Esses são locais de fácil acesso a fogo, ferro de passar roupa, piso molhado e detergentes. Hoje já existem portões adaptáveis às portas de cozinhas de diversos tamanhos, com travas que impedem a passagem da criança.

Nos quartos, as grades de berço, travesseiros e até mesmo os cobertores e a altura da própria cama são considerados fatores de risco. Por isso devemos evitar deixar as crianças brincando sozinhas, principalmente até os quatro anos de idade.

Para os crescidinhos, um dos maiores riscos domésticos é o acesso ao computador. Não apenas pelo tempo de exposição às radiações do monitor, como no caso das TVs mas, também, pelo risco do que aprendem a acessar na web. Para evitar problemas futuros, desde cedo é importante que os pais, ou responsáveis pela criança, se mostrem dispostos a acompanhar o mundo virtual freqüentado pelos pequenos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Criaturas de Nhande Rú

Por Graça Graúna, vovó pássaro
Ilustração Brasília Morena

A menina estava atenta a tudo que a avó dizia:

- Conheço uma criatura que Nhande Rú pôs no mundo pra sossego de uns e desassossego de outros.

Nem começou a história, a menina encolheu os ombros e, acocorada, arregalou bem os olhos e pôs as mãos no queixo com muita vontade de ouvir o que a sua anciã tinha para contar.

As baforadas do cachimbo da velha senhora serpenteavam em meio à folhagem que contornava a entrada da velha casa de sapê. A menina, lá no seu cantinho, estava encolhida ora pelo friozinho da noite, ora pelo medo das histórias que a sua avó contava. Assim mesmo, ela insistiu em ouvir a historia.

- Então fique quieta. Preste bem atenção e quando for grande conte pra seus filhos o que eu agora vou lhe contar.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Caminhos da leitura

Por Ana Inês
reporter mãe de Íris, Davi e Caio

Pedi pra Íris fazer uma relação dos livros que já leu este ano e escrever um pouquinho sobre aqueles que mais gostou. O primeiro, é claro, tinha que ser Ponte para Terabítia - de Kateherine Paterson (Prêmio Astrid Lindgren 2006). A tradução é de Ana Maria Machado, que escolheu três títulos da escritora norte americana para jovens leitores brasileiros.

Quando eu trouxe Ponte para Terabítia pra casa, a obra começava a ser divulgada no cinema e minha proposta foi: “que tal ler a história, antes de assistir ao filme?”.

Aqui, minha personagem principal é Íris, de 11 anos, que assim como Jess e Leslie, também está na 5ª série (6º ano) e adora aventuras. Ela aceitou o desafio e, entre um livro e outro das leituras “para-didáticas”, se apaixonou por Jess, Leslie e May Belle e viveu os encantos de Terabítia. Deu risadas junto com eles, caiu em prantos e devorou o livro como uma tracinha. Não vimos o filme no cinema e só então, há uns dias com o DVD, pude cumprir meu trato. A impressão final é dela que, além da resenha publicada hoje no Blog Ler pra Crescer, da Jornalista Cristiane Rogério/ Revista Crescer, também quis fazer uma releitura da obra .

Arte no Jardim

Por Íris, Davi e Caio
Tela exposta na matinê

Fim de férias, um clima de Janeiro, só pensando: "daqui a alguns dias voltamos para a escola". Fomos brincar numa manhã de sol, pegamos tinta e fizemos “Arte no jardim”.
E como sempre mamãe fotografando! (Íris)
Assim foi trabalhada a tela "Arte no Jardim", 60x40 cm, pintada com tianta guache por Íris Davi e Caio em janeiro de 2006. Hoje a obra está exposta no corredor de nossos quartos.



terça-feira, 18 de setembro de 2007

Medo de Quê?

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris Davi e Caio

desenho de Davi - relendo Mariana Massarani

Guardo na caixinha de meu quarto, e nos risos de minha lembrança, algumas frases soltas como pipas ao vento sempre empinadas por Íris, Davi e Caio.
Ontem pela manhã, enquanto Davi parecia conversar com a contra-capa de um livro depois de fazer sua leitura, ganhei de presente mais um desses pensamentos e corri para escrevê-lo:



“Ruth Rocha é legal! Ela escreve livros muito bons, sabia? (...) Olha só...este livro não tem tantas palavras repetidas, como quando é a gente mesmo que escreve – tem palavras diferentes”

Davi tem sete anos e havia acabado de ler pela segunda vez “Quem tem medo de Monstro?”, da coleção “Quem tem medo de quê”, de Ruth Rocha, com ilustrações de Mariana Massarani. Hoje ele me acordou cedo. Queria fazer várias perguntas, todas elas sobre os tamanhos medos que tenho agora, ou daqueles que lembro da minha infância. Foi um ótimo exercício!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Cinema Infantil


Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Confira a programação do 5º Festival Internacional de Cinema Infantil, que já passou pelo Rio de Janeiro e ainda acontece em Brasília, São Paulo, Campinas, Curitiba, Aracaju e Belo Horizonte!A coordenadora do FICI/Brasília, Anna Karina de Carvalho, confirma também que o cinema vai à escola, e a escola ao cinema. Essa parceria está levando a "Tela na sala de aula" à rede pública de ensino básico, com novas idéias para os conteúdos curriculares e uma forcinha da sétima arte.Este ano a novidade também fica por conta da inclusão dos clássicos Disney - versões originais como "Branca de Neve" (1937), "Peter Pan" (1953) e "A Dama e o Vagabundo" (1955) que, na opinião da responsável pelas imperdíveis oficinas de animação, Carina Camurati, são ícones do cinema infantil ajudando a trazer e cativar o público do circuito comercial infantil para as novidades do 5º Festival.A dica fica para a sessão com dublagem ao vivo de "El Ratón Pérez", da Espanha e da Argentina; para "Jogada Decisiva", da Bélgica; o Sueco "O Gatonauta - Pettson & Findus", para a idéia de "Os pequenos Jornalistas" e, para a sessão Curta Criança, em histórias brasileiras para crianças brasileiras. Vale conferir:

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O pai e o alambrado

Por Daniel Cruz, repórter pai de Íris, Davi e Caio
foto divulgação do 5º FICI


Definitivamente lugar de Pai é no Alambrado torcendo e ponto final. Assistir às partidas de futebol do filho é tão prazeroso quanto torcer pelo meu time de coração. Mas, o futebol também tem seus dramas. A vibração do pai-torcedor é tão sofrida que nos achamos no direito de ir até o banco de reserva, para conversar com o técnico no meio da partida:
– Olha, você escalou meu filho na posição errada. Ele não é zagueiro, meu filho é meia-direita.

Na verdade, essa angustia não é de torcedor, e sim de Pai, ao ver seu filho acuado no jogo e ser o possível culpado pela derrota do seu time.
É angustiante. No entanto, aprendemos a controlar nossas emoções. A comparação é hilária e homérica! Com 32 anos de alambrado nos estádios de futebol, já vibrei, chorei, gritei, aperreei e me extasiei com meu time, o Náutico. Mas quando vi meu menino no campeonato de futebol de campo, sub-7, isso mesmo, meu pequeno tem sete anos - todo padronizado, com direito a caneleira, chuteira, meião, short e camisa do time - fui ao delírio!!! Essa mistura explosiva de pai-torcedor me contagiou e me vi fazendo contas da pontuação da classificação, saldos de gols, cartões amarelos e vermelhos. Como controlar mais essa aventura futebolística? O remédio pode estar no Cinema e em nossa casa.
Eu e minha família fomos, aqui em Brasília, curtir a programação do 5º Festival Internacional de Cinema Infantil. Compramos os ingressos, inocentemente, para assistir ao filme Belga "Jogada Decisiva - Buitenspel" (dirigido por Jan Verheyencom, ano 2005 e 94 minutos de duranção). Sem ler a sinopse, compramos pipoca, suco, guaraná e outras guloseimas.
Quando começa o filme, aparece o menino Gilles que é um craque no futebol. Bert é seu Pai, fã e treinador, que sonha em vê-lo no time belga Red Devils. De repente, surge Garrincha na tela do cinema, o maior ídolo de Bert, que ensina o seu filho a ter habilidade tanto com a direita quanto a esquerda. Ao assistir a um jogo do filho, Bert revoltado com o árbitro tem um ataque cardíaco e morre. Silêncio total no cinema. Agora, o pequeno Gilles tem que aprender a caminhar sem os sonhos do seu pai. Na tela, um roteiro cheio de surpresas e emoções como um gol antológico.
Essa história futebolística que vivi em menos de uma semana me lembrou o meu Pai, Oscar. Botafoguense que também tem garrincha como ídolo, e que jamais me cobrou ser um ídolo dos gramados. Muito pelo contrário, meu Papai sempre ensinou que acima do clube do coração existe o Futebol Arte. Por isso, admirava a encliclopédia do Futebol, Nilton Santos do Botafogo; o violino, Carlinhos do flamengo; o homem do rifle, Bita do Náutico; o divino, Ademir da Guia do Palmeiras; Puskás da Hungria; Daniel Passarella, da Argentina; Didi do Botafogo...
É nesse clima de paixão que sigo os conselhos dos Deuses do Futebol: Deixa Davi - o meu filho torcedor da estrela solitária - brincar e rolar com a bola, com um único compromisso: VIVER O SEU PRÓPRIO SONHO. Peraí, um detalhe:
- Davi! chuta no canto e com força para fazer o gol!!! viu filho? Beijos do Teu Pai, Daniel!!!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Maternidade X Profissão

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique, 1 ano e meio


Vivencio diariamente essa questão angustiante, maternidade X profissão, sempre que tenho que me vestir para ir trabalhar com o Enrique no alto de seu um ano recém-completo agarrado em minhas pernas e suplicando por mais uma mamadinha antes de eu sair.

Ainda que eu discorde de muita coisa do discurso feminista, é incontestável a importância das conquistas que as mulheres obtiveram nos últimos anos. Mas a emancipação feminina não deve ser argumento para minimizarmos ou mesmo excluirmos de nossa vida questões particularmente nossas, oportunidades exclusivas das mulheres como o que temos de mais feminino, que é a maternidade. É claro que ter filhos é uma opção e não uma obrigação. Mas o que questiono é o fato de muitas mulheres estarem se tornando mães apenas biologicamente, transferindo toda a responsabilidade – e o prazer, diga-se, de cuidar, educar e curtir seus filhos - às babás ou creches. Por mais bem preparadas, educadas, simpáticas e graciosas que elas sejam, nada substitui um banho dado pela própria mãe, uma troca de fralda temperada pelo carinho materno, uns minutos, ou mesmo horas, de brincadeiras e risadas com a mamãe e o papai.

E é para poder viver esses momentos tão especiais e que não acontecerão novamente na vida daquela criaturinha que as mães estão abrindo mão de seus empregos para poder ser mãe e só mãe. Certamente essa opção esbarra na necessidade, como é meu caso. Não posso deixar de trabalhar porque preciso do meu salário, mas hoje não tem ambição profissional que me faça substituir o tempo que tenho para meu filho por horas a mais de trabalho ou de estudos para concurso, pós-graduação ou qualquer outra aitividade não-maternal. É importante entender que isso não é desistir dos planos, da carreira, do futuro profissional. Mas, sim, adiá-los por um ou dois anos. Sem culpa.