terça-feira, 11 de setembro de 2007

Maternidade X Profissão

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique, 1 ano e meio


Vivencio diariamente essa questão angustiante, maternidade X profissão, sempre que tenho que me vestir para ir trabalhar com o Enrique no alto de seu um ano recém-completo agarrado em minhas pernas e suplicando por mais uma mamadinha antes de eu sair.

Ainda que eu discorde de muita coisa do discurso feminista, é incontestável a importância das conquistas que as mulheres obtiveram nos últimos anos. Mas a emancipação feminina não deve ser argumento para minimizarmos ou mesmo excluirmos de nossa vida questões particularmente nossas, oportunidades exclusivas das mulheres como o que temos de mais feminino, que é a maternidade. É claro que ter filhos é uma opção e não uma obrigação. Mas o que questiono é o fato de muitas mulheres estarem se tornando mães apenas biologicamente, transferindo toda a responsabilidade – e o prazer, diga-se, de cuidar, educar e curtir seus filhos - às babás ou creches. Por mais bem preparadas, educadas, simpáticas e graciosas que elas sejam, nada substitui um banho dado pela própria mãe, uma troca de fralda temperada pelo carinho materno, uns minutos, ou mesmo horas, de brincadeiras e risadas com a mamãe e o papai.

E é para poder viver esses momentos tão especiais e que não acontecerão novamente na vida daquela criaturinha que as mães estão abrindo mão de seus empregos para poder ser mãe e só mãe. Certamente essa opção esbarra na necessidade, como é meu caso. Não posso deixar de trabalhar porque preciso do meu salário, mas hoje não tem ambição profissional que me faça substituir o tempo que tenho para meu filho por horas a mais de trabalho ou de estudos para concurso, pós-graduação ou qualquer outra aitividade não-maternal. É importante entender que isso não é desistir dos planos, da carreira, do futuro profissional. Mas, sim, adiá-los por um ou dois anos. Sem culpa.

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