quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O pai e o alambrado

Por Daniel Cruz, repórter pai de Íris, Davi e Caio
foto divulgação do 5º FICI


Definitivamente lugar de Pai é no Alambrado torcendo e ponto final. Assistir às partidas de futebol do filho é tão prazeroso quanto torcer pelo meu time de coração. Mas, o futebol também tem seus dramas. A vibração do pai-torcedor é tão sofrida que nos achamos no direito de ir até o banco de reserva, para conversar com o técnico no meio da partida:
– Olha, você escalou meu filho na posição errada. Ele não é zagueiro, meu filho é meia-direita.

Na verdade, essa angustia não é de torcedor, e sim de Pai, ao ver seu filho acuado no jogo e ser o possível culpado pela derrota do seu time.
É angustiante. No entanto, aprendemos a controlar nossas emoções. A comparação é hilária e homérica! Com 32 anos de alambrado nos estádios de futebol, já vibrei, chorei, gritei, aperreei e me extasiei com meu time, o Náutico. Mas quando vi meu menino no campeonato de futebol de campo, sub-7, isso mesmo, meu pequeno tem sete anos - todo padronizado, com direito a caneleira, chuteira, meião, short e camisa do time - fui ao delírio!!! Essa mistura explosiva de pai-torcedor me contagiou e me vi fazendo contas da pontuação da classificação, saldos de gols, cartões amarelos e vermelhos. Como controlar mais essa aventura futebolística? O remédio pode estar no Cinema e em nossa casa.
Eu e minha família fomos, aqui em Brasília, curtir a programação do 5º Festival Internacional de Cinema Infantil. Compramos os ingressos, inocentemente, para assistir ao filme Belga "Jogada Decisiva - Buitenspel" (dirigido por Jan Verheyencom, ano 2005 e 94 minutos de duranção). Sem ler a sinopse, compramos pipoca, suco, guaraná e outras guloseimas.
Quando começa o filme, aparece o menino Gilles que é um craque no futebol. Bert é seu Pai, fã e treinador, que sonha em vê-lo no time belga Red Devils. De repente, surge Garrincha na tela do cinema, o maior ídolo de Bert, que ensina o seu filho a ter habilidade tanto com a direita quanto a esquerda. Ao assistir a um jogo do filho, Bert revoltado com o árbitro tem um ataque cardíaco e morre. Silêncio total no cinema. Agora, o pequeno Gilles tem que aprender a caminhar sem os sonhos do seu pai. Na tela, um roteiro cheio de surpresas e emoções como um gol antológico.
Essa história futebolística que vivi em menos de uma semana me lembrou o meu Pai, Oscar. Botafoguense que também tem garrincha como ídolo, e que jamais me cobrou ser um ídolo dos gramados. Muito pelo contrário, meu Papai sempre ensinou que acima do clube do coração existe o Futebol Arte. Por isso, admirava a encliclopédia do Futebol, Nilton Santos do Botafogo; o violino, Carlinhos do flamengo; o homem do rifle, Bita do Náutico; o divino, Ademir da Guia do Palmeiras; Puskás da Hungria; Daniel Passarella, da Argentina; Didi do Botafogo...
É nesse clima de paixão que sigo os conselhos dos Deuses do Futebol: Deixa Davi - o meu filho torcedor da estrela solitária - brincar e rolar com a bola, com um único compromisso: VIVER O SEU PRÓPRIO SONHO. Peraí, um detalhe:
- Davi! chuta no canto e com força para fazer o gol!!! viu filho? Beijos do Teu Pai, Daniel!!!

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