terça-feira, 23 de outubro de 2007

Na Estrada

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique


Férias. BR040. Destino Belo Horizonte. 700 km à frente. Uma criança de um ano e meio atrás. Uma verdadeira aventura para nenhum praticante de esportes radicais botar defeito. Não fosse pelo bom humor do Enrique e por seu comportamento consideravelmente tranqüilo, poderia ter sido uma aventura temerosa. Mas ainda que o pequeno tenha contribuído bastante, lidar com crianças traz sempre (in)esperados contratempos. A começar pelo tamanho da bagagem. É incrível como um ser tão pequeno ocupa tanto espaço. Três roupas por dia é uma média. Uma para antes do banho, outra para depois. A terceira é um coringa para uma eventual – e quase sempre inevitável – lambuzada de comida, suco, xixi, coco e outras sujeiradas deliciosas tão típicas e necessárias dessa fase. Além disso, brinquedos, berço portátil, mamadeiras, lanchinhos e outros acessórios indispensáveis para a distração infantil completam o arsenal. Sem contar a cadeirinha que ocupa pelo menos 70% do banco traseiro. A decisão de não levar o carrinho é sábia e imprescindível para sobrar espaço para nossa mala.

Obstáculo “como fazer caber tudo dentro do carro” superado, pé na estrada. Tudo vai bem até que o Enrique começa a perceber que sua permanência sentado – preso - naquele troninho acolchoado será um pouco mais longa que a habitual. A partir daí é que começa a segunda etapa da aventura: convencer uma criança cheia de energia de que ficar dez horas dentro do carro é divertido e agradável. E lá se vai todo seu repertório musical, toda a sua criatividade para inventar brincadeiras, a tentativa de “deixar chorar para ver se ele desiste” e, finalmente, a redenção: mamãe passar para o banco de trás. Como o Enrique ainda mama, fica ainda mais difícil fazer com que ele fique “longe” da mãe por tanto tempo. Assim, no minúsculo espaço entre a cadeirinha e a porta do carro, mamãe segue viagem, para tranqüilidade geral dos viajantes. Até que Enrique dorme e mamãe volta a fazer companhia para o papai. E nesse ciclo, fomos e voltamos. Valeu a experiência e, ainda mais, os quinze dias deliciosos em Belo Horizonte. Até a próxima aventura!

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