sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Sabor de Infância

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Há uns dias me surpreendi com o número de mães que me procuraram para falar sobre a busca por uma boa escola. A mãe de Thiago se queixava da necessidade de transferí-lo para uma escola maior, enquanto o irmão caçula pedia para não sair de onde estão todos os amiguinhos. Íris também chegou em casa contando sobre sua amiga Sabrina, de 11 anos, aos prantos nos últimos dias de aula por também não aceitar uma mudança semelhante. Fernanda e Cláudia, com Júlia e Letícia, também estão na mesma peregrinação, agora com as meninas no ensino fundamental – a maioria dos amigos mudam juntos para outro colégio, mas as mães não gostaram da escolha. Socorro prefere colocar os filhos, desde cedo, numa escola grande. Mara vai levar Clara, de 2 anos, pela primeira vez à escolinha. Mas, até agora, nenhuma se encaixou nos moldes que planeja para a filha “a maioria tem pouca área verde e muitas crianças em uma única salinha”. Todos procuram a escola dos sonhos, o lugar perfeito: totalmente protegido, acolchoado, limpo, tranqüilo, alegre e espaçoso... Outro dia alguém me disse que fez a escolha certa pelo cheiro... e confesso que também já fiz algo bem parecido - nessas horas, sempre seguimos nosso instito e lembramos de um sabor gostoso de infância....

Sobre a busca por escolas:
Muitas fases... e curiosidades

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Muitas fases... e curiosidades

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

A 1ª vez- Quando decidimos colocar nosso bebê na escolinha (berçário, ou creche), pensamos em uma extensão de nossa casa. Por isso, tantas reticências na hora da escolha...
Mesmo com tantos cuidados, atenção redobrada e com a chamada "fase de adaptação", que parece não dar tempo ao tempo, o sofrimento daquela rápida separação não é só deles. Nós também, que iremos nos desgrudar pela primeira vez, ficamos inseguros e até engolimos o choro. Precisamos ter segurança, mas bem que gostaríamos de ser um passarinho pra chegar na janela da salinha que o bebê está e ficar observando aquele pedacinho de mundo, que dali por diante será dele.

Os primeiros passos - Quando já sabem falar, andar e saem de bebezinhos às turmas do infantil, qual é o pai, ou mãe, que não tem curiosidade em saber como foi a roda de conversa naquele primeiro dia de volta às aulas? Ou mesmo, como foi feito aquele trabalhinho que separamos com tanto carinho pra mostrar pros tios, avós e amigos? Até numa viagem a trabalho, quem não para pra pensar: “o que fez hoje o meu pequeno?”. Hoje, as pastinhas de trabalho (verdadeiros portfólios) vêm até com fotos de alguns momentos, e já conseguem nos aproximar um pouco dessas tantas fases e curiosidades.

A 1ª leitura - Durante a alfabetização, nem se fala! Se a relação com o professor volta a ser tão estreita e carinhosa é também uma fase de grande independência. Eles começam a enxergar, ler o mundo de outra forma e, por isso mesmo, nossa curiosidade volta à tona: como foi feito esse texto? O que você escreveu (ou disse) aqui? Qual é o seu desenho? O que aconteceu no tão esperado acampamento na escola?

O primeiro salto - nas entrelinhas do crescimento vem o ensino fundamental... agora são eles que enfeitam os cadernos e escrevem na agenda apenas as atividades de casa - deixam de trazer recadinhos e já fazem os cálculos do próprio boletim. Todos os dias chegam eufóricos, trazem novidades... Começam a entender raiz quadrada, falam sobre sexualidade e são os ambientalistas do futuro. Ainda está em tempo... é bom deichá-los contar, sentir que estamos juntos, aprendendo, saber que estamos sempre perto.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Recall vira assunto de criança

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio



Amanhã começam a funcionar os postos de troca dos BINDEEZ, brinquedos que o setor comercial esperava aparecer como a sensação de vendas no natal, mas que foram retirados do mercado em diversos países, por conter substância letal.

As “bolinhas mágicas” que se juntam com água causaram acidentes graves com crianças na Austrália, Canadá e EUA, depois de ingerirem as miçangas coloridas com substância semelhante à droga GHB (ácido gama-hidroxibutrico) - mais conhecida como “ecstase líquido” - sedativo ilegal que pode causar desde sonolência, perda da consciência ou morte.

Com o conhecimento dos fatos, a importadora do produto aqui no Brasil (Long Jump) foi autuada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça e divulgou ontem, 19/11, nota oficial sobre o recall com início nesta quarta-feira 21/11.

Os brinquedos já foram retirados do mercado e até o final de novembro o Instituto Nacional de Metrologia e Normatização (Inmetro), que já havia garantido o selo de qualidade à linha BINDEEZ, deve liberar um novo laudo sobre a segurança do lote distribuído no Brasil.

O BINDEEZ é a bola da vez, mas o assunto ”reccal de brinquedos” está aparecendo cada vez mais na mídia e nas conversas em casa entre os pais e as próprias crianças.

Ainda na semana passada, depois de ver a foto do brinquedo em uma revista, Davi, 7 anos, me explicou tudo: “minha professora disse que esse brinquedo é muito perigoso e que a gente não pode brincar com ele”, acrescentou que tinha uma espécie de veneno e que por isso não podia ser jogado no lixo “para as crianças pobres também não se machucarem”. Na mesma hora entrei com ele na Internet, vi as notícias sobre o assunto e expliquei também pra Íris que perguntou o por quê de o brinquedo ainda não ter sido proibido no Brasil.

Ainda bem que a pergunta dela teve resposta quase imediata. Mas, nem de longe estamos tranqüilos com nossa segurança doméstica em relação ao universo infantil - se estendendo às escolas, às casas de amigos, aos parquinhos...

Nos últimos anos, principalmente neste 2007, o número de comunicados oficiais de recall aparece como um alerta para quem vê a prateleira cheia de novidades tentadoras.

Existe até um Sistema de acompanhamento online de recall aonde, até este ano, as empresas automobilísticas eram as que mais apareciam. Hoje, as distribuidoras de produtos infantis entram no ranking. Em 2002 foram os brindes de ovos de páscoa Trakinas distribuídos pela Kraft Foods; em 2006 os mordedores infantis com água, suspeitos de contaminação do líquido interno - o produto "The first years” era distribuido pela Girotondo. Em 2007 foi a GULLIVER, com a linha MAGNETIX e problemas semelhantes aos da MATTEL, que também anunciou recall por situações de risco causadas por imãs contidos dos brinquedos.

A MATTEL alcançou o número recorde de recalls, com 31 comunicados apenas este ano, envolvendo desde conjuntos de acessórios barbie e Polly, até as figuras magnéticas da Coleção The Batman. Segundo a empresa, os recalls aumentaram porque estão sendo feitos novos testes de qualidade em todo o seu portfólio de brinquedos desde 2006. Mas, para os pequenos consumidores, grandes riscos à mão.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Jogo da vez

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio


é o “Imagem & Ação” na Internet. A onda é jogar com pessoas de qualquer parte do mundo, no idioma que você escolher.

Daniel trouxe a novidade aqui pra casa e já nos divertimos um bocado esses dias. É brincadeira e descontração certa pra os pequenos e pra gente também. Do inglês, Sketch (esboço) com um izinho digital...assim jogamos o iSketch na Rede: a qualquer momento, 24 horas por dia.

Pros pequenos, no final de semana, enquanto os pais lêm o jornal ou descansam até mais tarde um pouquinho e até durante a semana, antes ou depois da escola. Pros grandinhos um momento de descontração e até no treino de um novo idioma. Juntos, a diversão fica ainda melhor...uma tremenda confusão! cada um grita pra um lado, todo mundo quer desenhar, ninguém descobre a palavra certa e assim vai...

Depois de fazer o login e cadastrar uma senha, seu acesso é liberado. Do lado esquerdo da tela (em “other languages”) você escolhe o idioma e a sala que deseja entrar – aqui em casa estamos nos divertindo em inglês. Pode ser francês, italiano, alemão ou diversos assuntos com níveis diferenciados.

Daí, é só começar a brincadeira de adivinhar a palavra que o outro está traduzindo em esboços o mais rápido possível. Cada partida tem 10 rodadas e o vencedor será aquele que obtiver maior pontuação – com um desenho “perfeito” para ser descoberto em segundos, ou com um maior número de palavras adivinhadas.

As salas nunca estão vazias e essa pode ser uma boa opção para treinar diversas habilidades: vocabulário, agilidade, criatividade, raciocínio lógico e até coordenação motora, quando precisamos fazer traços rápidos e bem definidos com o mouse. Um desafio pra qualquer um que sabe desenhar e não domina uma língua, ou para quem é expert num assunto e não é bom desenhista.
Baixe o
Adobe Macromedia Shockwave Player para que o jogo funcione no seu computador, veja as regras em português e acesse o iSketch. O resto é só diversão!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Mulher Pensando

Por Agnes Pires
Designer mãe
dos gêmeos Ian e Iasmin


Agnes fala um pouco sobre como sente a falta de tempo para acompanhar mais os filhos e sobre o momento de produção de Iasmin, autora de "Mulher Pensando", obra que ilustrou nossa matinê na última edição - um desenho cheio de expressão e maturidade aos 5 anos de idade:



Eu estava ensinando como a gente deve dividir o espaço, proporções e a partir daí fazer um retrato ou um desenho imaginário. Os resultados foram ótimos, Iasmin produziu bastante. Agora é Ian quem está dedicadíssimo ao desenho, deu uma guinada grande - uma graça.Cada um tem seu momento de produção...pode acontecer com um, ou com outro.

Agora Iasmin está muito empolgada com a leitura e isso tambem é reflexo da pedagogia da escola sem tanto empenho à arte-educação, como se fosse uma coisa menor. É... geralmente eles dão mais ênfase até o jardim e depois passam a cobrar tanta responsabilidade de leitura, que esquecem da importância da criatividade... da composição de pensamento de outras formas, não é? e a gente termina assimilando, exigindo um pouco assim. Cobro muito da caligrafia também (e isso puxei de mainha).

Eu queria poder participar, criticar e contribuir nesse sentido junto à escola, mas infelizmente meu tempo não permite e o que posso fazer, faço em casa. Tenho chegado mais cedo, por volta das 20h, mas confesso que tô meio cansada, apesar de gostar da minha área. Só espero que Ian e Iasmin entendam minha ausência.

Dom Quixote animado

Por Anton Karas, uma animação feita em flash a partir do desenho original de Pablo Picasso


domingo, 4 de novembro de 2007

brincar de quê?

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Esta é uma figura ilustre, sempre presente nas brincadeiras entre os netos da vovó pássaro. Eles lembram das esculturas feitas de madeira, de bronze, lata ou de barro; dos quatros de sucata, desenhos de nanquim ou das telas quixotescas que nos trazem a lembrança da casa de vovó. Aqui, ele sempre é recriado e ali, encontramos sempre um cavaleiro andante procurando salvar o mundo e sua princesa...

Ontem mesmo, depois que recebemos mais uma das histórias da Vovó Pássaro , Caio e Rudá levaram pra brincar no parque um pouquinho dessa coleção literária que carregam na lembrança. "Vamos brincar de quê? - Eu sou dom quixote", eles conversavam sem nem mesmo saber falar direito esse nome tão "complicado" para os dois e três anos de idade.

Sonho que se sonha...

Histórias de uma Vovó Pássaro

_ Fechem os olhos, respirem fundo e prestem bem atenção; pois a história que vou contar é uma das minhas preferidas

_ disse a Vovó Pássaro, enquanto as crianças se mostravam ansiosas para mais uma noitada de sonhos.

Para início de conversa, Vovó Pássaro achou necessário explicar a origem da história:


_ Há mais de 400 anos, na Espanha, um grande escritor chamado Miguel de Cervantes criou uma das mais belas histórias para que o mundo não esquecesse que é possível juntar sonho e realidade. Ele também mostrou que nas asas da imaginação, podemos alcançar muitos horizontes. Acreditando nessa possibilidade, passo a contar do meu jeito. Então, crianças, estão preparadas para ouvir o que eu tenho pra contar?


Em algum lugar de La Mancha viveu um homem muito engenhoso. La Mancha é o lugar que ficou agregado ao nome do nosso herói; dessa maneira todos deram para lhe chamar: “o homem de La Mancha”, ou Dom Quixote que era mesmo o nome desse fidalgo. Era também chamado de Cavaleiro da triste figura. Com tantos nomes assim, como é que pode uma pessoa ser triste, não é mesmo? Quando o povo inventa uma coisa, fica sendo assim mesmo. E não é que chamavam o nosso herói de louco... só porque ele lia muito. Louco...onde já se viu...! Certo mesmo é que o nosso herói passava horas e horas dedicadas a leituras. Era livro que não acabava mais – do chão ao teto. Esse cavaleiro lia de tudo; as histórias de cavalaria eram as suas favoritas. Até nos intervalos de leitura, ele se dava ao direito de imaginar que se transformara em um cavaleiro andante: o mais sonhador, o mais apaixonado, o mais justo, o mais cortês, o mais sábio, o mais humilde e o mais forte também. Pensando assim...ele saiu a procura de sua princesa que o mundo conhece por Dulcinéia. Ao contrário dos outros cavaleiros, Dom Quixote era magro e velho. Apesar do peso da idade, ele se vestiu de coragem; foi até o quintal, entrou no estábulo, montou o velho e magro cavalo chamado Rocinante e saiu em disparada a procura de um ajudante que acreditasse nos seus sonhos; alguém que fosse seu verdadeiro escudeiro. Dito e feito. No meio do caminho, Dom Quixote encontrou um camponês chamado Sancho que estava muito ocupado, tirando água de um poço. Não demorou muito, Dom Quixote convenceu o camponês a segui-lo e ajudá-lo a tornar o sonho realidade. Assim, os dois homens selaram uma grande amizade e seguiram pelo mundo, defendo os fracos e oprimidos, lutando contra moinhos de vento e encantando Dulcinéias.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Resistência

Histórias de uma Vovó Pássaro
Ouvi do meu pai que a minha avó benzia e o meu avô dançava o bambelô* na praia, e batia palmas com as mãos encovadas o coco improvisado; ritimando as paixões na alma da gente.

Ouvi do meu pai que o meu avô cantava às noites de lua, e contava histórias de alegrar a gente e as três Marias.
Meu avô contava: - a nossa África será sempre uma menina. Meu pai dizia:
- ô lapa de caboclo é esse Brasil, menino!

E o côro entoava:

- dançamos a dor,
tecemos o encanto
de negros e índios
da nossa gente


(*) Bambelô é uma dança de roda, semelhante ao samba ou ao batuque cantado ou “Côco de roda”. É mais dançado no Nordeste, especialmente nas praias do Rio Grande do Norte (Natal).