terça-feira, 20 de novembro de 2007

Recall vira assunto de criança

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio



Amanhã começam a funcionar os postos de troca dos BINDEEZ, brinquedos que o setor comercial esperava aparecer como a sensação de vendas no natal, mas que foram retirados do mercado em diversos países, por conter substância letal.

As “bolinhas mágicas” que se juntam com água causaram acidentes graves com crianças na Austrália, Canadá e EUA, depois de ingerirem as miçangas coloridas com substância semelhante à droga GHB (ácido gama-hidroxibutrico) - mais conhecida como “ecstase líquido” - sedativo ilegal que pode causar desde sonolência, perda da consciência ou morte.

Com o conhecimento dos fatos, a importadora do produto aqui no Brasil (Long Jump) foi autuada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça e divulgou ontem, 19/11, nota oficial sobre o recall com início nesta quarta-feira 21/11.

Os brinquedos já foram retirados do mercado e até o final de novembro o Instituto Nacional de Metrologia e Normatização (Inmetro), que já havia garantido o selo de qualidade à linha BINDEEZ, deve liberar um novo laudo sobre a segurança do lote distribuído no Brasil.

O BINDEEZ é a bola da vez, mas o assunto ”reccal de brinquedos” está aparecendo cada vez mais na mídia e nas conversas em casa entre os pais e as próprias crianças.

Ainda na semana passada, depois de ver a foto do brinquedo em uma revista, Davi, 7 anos, me explicou tudo: “minha professora disse que esse brinquedo é muito perigoso e que a gente não pode brincar com ele”, acrescentou que tinha uma espécie de veneno e que por isso não podia ser jogado no lixo “para as crianças pobres também não se machucarem”. Na mesma hora entrei com ele na Internet, vi as notícias sobre o assunto e expliquei também pra Íris que perguntou o por quê de o brinquedo ainda não ter sido proibido no Brasil.

Ainda bem que a pergunta dela teve resposta quase imediata. Mas, nem de longe estamos tranqüilos com nossa segurança doméstica em relação ao universo infantil - se estendendo às escolas, às casas de amigos, aos parquinhos...

Nos últimos anos, principalmente neste 2007, o número de comunicados oficiais de recall aparece como um alerta para quem vê a prateleira cheia de novidades tentadoras.

Existe até um Sistema de acompanhamento online de recall aonde, até este ano, as empresas automobilísticas eram as que mais apareciam. Hoje, as distribuidoras de produtos infantis entram no ranking. Em 2002 foram os brindes de ovos de páscoa Trakinas distribuídos pela Kraft Foods; em 2006 os mordedores infantis com água, suspeitos de contaminação do líquido interno - o produto "The first years” era distribuido pela Girotondo. Em 2007 foi a GULLIVER, com a linha MAGNETIX e problemas semelhantes aos da MATTEL, que também anunciou recall por situações de risco causadas por imãs contidos dos brinquedos.

A MATTEL alcançou o número recorde de recalls, com 31 comunicados apenas este ano, envolvendo desde conjuntos de acessórios barbie e Polly, até as figuras magnéticas da Coleção The Batman. Segundo a empresa, os recalls aumentaram porque estão sendo feitos novos testes de qualidade em todo o seu portfólio de brinquedos desde 2006. Mas, para os pequenos consumidores, grandes riscos à mão.

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