segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Papai Noel vai à favela?

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio



Papai Noel existe? Ele compra presentes, ou tem uma fábrica de brinquedos?
A gente pode ficar acordado pra falar com ele? Ele vem de trenó ou de helicóptero? Mamãe, Papai Noel não vem na favela?




A magia do Natal também está na forma com que a gente percebe, entende, ou explica certas perguntas. Cada uma foi feita em um momento diferente, em idades diferentes, contextos únicos. E minha primeira reação foi pensar em como falar sobre os momentos mágicos, sem truques, com sinceridade.

O mérito não é meu. Não lembro de ter apresentado aos meus filhos, o coelhinho da páscoa, as fadinhas, o Papai Noel ou os duendes, mas eles começaram a aparecer e a animar muitas de nossas festas, quando nos permitimos voltar à inocência de criança - comentada pelo repórter pai Javier, agora há pouco.

Quando Íris tinha 7 anos, estávamos em Recife e fomos entregar um presente de Papai Noel em Peixinhos (uma favela de Olinda). Então ela perguntou de supetão: “mamãe, Papai Noel não vem na favela?”. Tomei um susto e perguntei pra mim mesma o que deveria responder, mas a dúvida era óbvia e pertinente. Respirei e expliquei que para Papai Noel existir muita gente tinha que ajudar.

Hoje, quando Davi chega com as mesmas crenças, fantasias e perguntas sobre os presentes de Natal, a resposta também surge com uma pergunta: o que você acha?
E continuamos a conversa:
- Acredito que ele tem uma fábrica cheia de duendes...
- é...algumas pessoas acreditam que ele tem muitos ajudantes... e agente mesmo pode ser um deles.
- assim mamãe, quando a gente junta nossos brinquedos e leva para as crianças pobres?
- exatamente! E para que todo mundo se ajude, ninguém pode pensar que o presente de Papai Noel deve ser o mais caro. Ao contrário, o que é mesmo que a gente quer e precisa?

Caio, por exemplo, precisa de um carro de bombeiro cor de laranja. Davi pensava numa fantasia do Homem Aranha: “aquela que cobre a cabeça toda e não dá nem pra aparecer o cabelo”. Custaria aproximadamente R$ 150!!! Mas, com nossa conversa, mudou de idéia e acrescentou outra opção de aventuras em sua cartinha: um kit com brinquedos de espionagem (com binóculos, periscópio e um monte de equipamentos ultra-secretos), R$ 30. Acho que a brincadeira vai ser até mais divertida.

2 comentários:

Mariana Galiza disse...

Pois é, Anita. Enrique já aprendeu a falar "Tatai El". É inevitável descobrir a "existência" do Papai Noel, mas fico me perguntando se eu preciso explicar o que ele faz! ;-) Como Enrique não tem noção da palavra "presente", o Tatai El é apenas uma figura engraçada. Ainda estou pensando em como lidar com esses seres imaginários que sempre remretem a uma realidade capitalista de "ter" e "querer" manipulada pela publicidade. Preciso de ajuda!! hehe

beijão

Mariana Galiza disse...

Pois é, Anita. Enrique já aprendeu a falar "Tatai El". É inevitável descobrir a "existência" do Papai Noel, mas fico me perguntando se eu preciso explicar o que ele faz! ;-) Como Enrique não tem noção da palavra "presente", o Tatai El é apenas uma figura engraçada. Ainda estou pensando em como lidar com esses seres imaginários que sempre remretem a uma realidade capitalista de "ter" e "querer" manipulada pela publicidade. Preciso de ajuda!! hehe

beijão