quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Figuras Imaginárias

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique


Não, não estou falando dos amigos invisíveis, seres imaginários tão comentados por especialistas e pela mídia, mas com os quais nunca tive contato. Falo das figuras criadas com fins comerciais para ilustrar datas comemorativas e, de quebra, aumentar colossalmente as vendas. São eles: Coelhinho da Páscoa e Papai Noel.


É verdade que as estórias que os criam e os perpetuam são muitas vezes recheadas de sentimentos, simbolismos religiosos e valores morais e há uma tentativa de conferi-lhes algum caráter educativo. “O coelhinho é a fertilidade, a vida”, “O Papai Noel dá presentes para meninos que são bons, estudam e respeitam os pais” e por aí vai... Mas o fato é que essas figuras são exploradas pelo comércio como apelo ao consumo. Bichos de pelúcia, ovos de chocolate de tamanhos desproporcionais às crianças que irão recebê-los, brinquedos tão encantadores quanto caros, novo modelo do velho vídeo game, mil novidades e muita, mas muita propaganda.

Assim, fica aquela grande dúvida sobre apresentar ou não essas figuras imaginárias aos nossos queridos e até então “puros” filhotes. Inevitavelmente eles são descobertos. Enrique já reconhece o “Tatai El” em qualquer enfeite de Natal. Por enquanto ele é apenas uma figura engraçada, mas até quando eu conseguirei desvincular esse velhinho aos presentes que ele entrega? Será que devo mesmo não alimentar a crença no Papai Noel que quase todas as crianças têm, ou não faz mal nenhum, já que um dia se descobre que ele não existe? Eu nunca acreditei em Papai Noel. Não porque meus pais ficavam dizendo “ele não existe, ele não existe”, mas por falta de estímulo para me fazer acreditar que, sim, ele existe. Agora, estou do lado de lá (leia-se “mãe”) e sinceramente não sei o que é melhor. Talvez deixar a coisa fluir naturalmente e ficar monitorando os limites da exploração comercial dessas figuras? Dúvidas, dúvidas...

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