sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Parada Cultural

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris Davi e Caio


Embora o assunto estivesse guardado pra um excelente texto, este post foi feito às pressas porque depois da mudança pra nossa casa (própria) dos sonhos, ainda estamos entre caixas, bagunça e sem internet. Mas, vale a leitura e a participação ainda no debate sobre leitura (concorrendo ao livro O Saci, de Monteiro Lobato) promovido pelos blogs do Mulheres na Rede e site Desabafo de Mãe.


Hoje (10/10) é dia do açougueiro... isso mesmo, dia do açougueiro: aquele profissional que habitualmente prepara os cortes de carne que vai à mesa do brasileiro, com o arroz e feijão de todo dia. Mas, o que isso tem haver com nosso debate literário?
Foi exatamente num açougue que encontrei o melhor exemplo de biblioteca popular, livros livres e cultura democrática. E, quem quiser me prove o contrário, ou conte outra história dessas que parece filme.
No post "Por um livro livre", quando propuz a doação de alguns de nossos livros infantis para cativar novos pequenos leitores - afora filhos, netos e sobrinhos – já sabia exatamente aonde poderia soltar aqueles títulos que separei (alguns exemplares repetidos que tinha em casa e outros, que estavam separados para dar de presente).
Fui ao açougue cultural T-Bone, na Quadra 312 Norte de Brasília, e entreguei a sacola bem recheada. A história de Luiz Amorim, açougueiro desde os 12 anos de idade, que aprendeu a ler aos 16 anos, quando ainda morava nos fundos do trabalho você pode ler no próprio site do Açougue Culturral T-Bone. Hoje Luiz Amorim mantém uma biblioteca comunitária e pelo menos 35 Paradas Culturais (bibliotecas mantidas em paradas de ônibus do plano piloto em Brasília).

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Solidariedade e Doação

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio

O título do post é de um trabalho que Íris fez pra escola. Exatamente "Solidariedade e Doação". O grupo fez um modelo de revista, com matérias e resenhas de leituras sobre o tema. Os livros-base foram "Amor não tem cor" e "Um garoto consumista na roça". Então ela me fez umas perguntas sobre "Doação" e levamos a sério a entrevista.

Conversamos sobre as leituras para o trabalho e sobre algo ainda mais importante: as atitudes reais em torno do tema. Citei o exemplo dos doadores de órgãos e dos transplantes que salvam vidas; do sangue do cordão umbilical que começa a ser coletado pelos hemocentros e da doação de medúla óssea; falamos ainda dos simples gestos das doações materiais e da solidariedade fora do discurso. Nisso ela e Davi acompanharam de perto, com um exemplo prático, aquilo tudo que conversávamos:

Há um mês, sem saber como ajudar uma amiga na luta contra a leucemia de seu bebê e a burocracia do sistema de saúde pública para tratamento da doença, me vi angustiada e perdida.

Num telefonema que seria para dar as boas novas, Jaciene (moça forte e decidida, de voz e passos firmes) me ligou chorando: o pequeno Pedro Paulo tinha Leucemia Linfoide Aguda (LLA) diagnosticada em seu segundo dia de vida.

Depois de rabiscar no papel minhas pesquisas imediatas sobre o câncer infantil e as entrevistas que resolvi fazer com especialistas, o texto saiu (tímido e amedrontado). Falei sobre a dura realidade que, sinceramente, não gostaria que fosse minha. De certa forma é...Lembrei de outros personagens que já passaram por mim numa situação parecida e, como ficar sem agir?

Não sou cientista médica, não tenho poderes econômicos, nem tampouco a força que precisaria num momento de agonia. Mas, com o diagnóstico de um caso raro e a queixa generalizada pela burocracia, entrei em contato com editorias de jornais para dar destaque ao problema - não apenas de Jaciene, Silvio e Pedro Paulo - enfrentado por tantas crianças que, neste momento, dormem e acordam na luta por mais um dia de vida.
Encaminhei a matéria como sugestão de pauta à imprensa mas, o pequeno Pedro Paulo não conseguiu esperar. Como não houve retorno de apuração dos veículos contactados, publiquei a luta das crianças com câncer, no Repórter free. Quem sabe a divulgação online surge como opção para debate, conscientização e mais atitudes...

Infelizmente muito se perde no meio do caminho. Mas, a interpretação do dia-a-dia pode se transformar em uma nova leitura de mundo. Se ensinada desde cedo, a transformação do conhecimento para uma atitude pode inspirar maior solidariedade e respeito às futuras gerações.


Com, ou sem Picles...
As crianças com câncer não podem esperar apenas pelo retorno de campanhas isoladas, como as do último dia 30 de agosto (dia do big mac) e dos eventos promovidos pela Abrace para arrecadar fundos. Como todas crianças, para crescerem saudáveis elas precisam de atenção especial, roupas brinquedos alimentação, educação e acompanhamento integral. Acesse o site da Abrace e saiba como ajudar: http://www.abrace.com.br/wtk/pagina/inicial. As doações podem ser deduzidas do Imposto de Renda e direcionadas a cada projeto e necessidade. Central de Doações/Telemarketing: (61) 3212.6000, 3212.6003 Atendimento das 8:00h às 20:00h.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Por um livro livre!

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris Davi e Caio

Faça um comentário sobre este post e concorra ao Livro O Saci, de Monteiro Lobato. O Concurso faz parte do debate "Onde você lê com seu filho" promovido pelos blogs que participam dos sites Mulheres na Rede e Desabafo de Mãe. Participe!


Ainda no debate sobre as bibliotecas públicas, afora minhas lembranças de infância (do post anterior)... e nossas expectativas para apresentar um mundo de ótimas possibilidades a nossos pequenos leitores, percebi no boca-a-boca (com os tímidos para comentários online), que o passeio mais comum para apresentar o mundo da leitura à nova geração tem parada estratégica nas livrarias, de shoppings em geral.

Embora as seções infantis das grandes livrarias, ou o espaço das lojas especializadas em produtos pedagógicos tragam o encantamento que tanto queremos apresentar às crianças, fico com a dúvida de estar associando os passeios de leitura ao contraponto do consumismo.

Esta semana mesmo, Davi chegou em casa dizendo: "pequei um livro que nunca li antes". Ele se referia ao "Baú contador de histórias", que já buscou na biblioteca da escola por inúmeras vezes e não se cansa de ler. Iris já chegou com outro tipo descoberta: há uns dias, depois de ver uma notícia sobre a façanha do gigantesco acelerador de partícula, pesquisou com uma amiga tudo o que podia sobre o assunto. Na mesma hora, lembrei do físico brasileiro Marcelo Gleiser e tecemos sobre seu livro "A dança do Universo".

Uma coisa é certa: seguindo o exemplo e a curiosidade deles, também voltamos a nos inspirar. Adorei quando os dois chegaram outro dia em casa com livros emprestados por outros amigos. Caio também já faz o mesmo. O projeto de leitura de sua escola estimula a troca de livros e, exatamente por saber que não vamos ficar com aquele exemplar em casa, fazemos juntos a leitura de tarefa de casa, tantas e tantas vezes quanto conserguimos.

Mas, também me emociono quando leio alguma notícia sobre alunos de escolas públicas que, mesmo sem condições financeiras para adquirir livros ou montar biblioteca, driblam a realidade e se inspiram no quixotesco prazer de ler.

Por isso, continuamos nossa busca pelas bibliotecas públicas das cidades, dos bairros, das escolas e das esquinas...como disse Bianca e Ceila em seus comentários no último post sobre "Onde você lê com seu Filho?".

Outro final de semana tomei café da manhã numa padaria perto de casa e, para minha surpresa, havia um livro infantil na prateleira do livro livre (projeto muito bacana sobre o qual até já falei no repórter free).
Então, que tal a idéia de libertar um de nossos livros infantis e pensar na multiplicação dos pequenos leitores, além de nossos filhos, sobrinhos, netos e amigos a quem costumamos presentear?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Onde você lê com seu Filho?

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio


Traçado por Oscar Niemeyer para ser um espaço de inclusão, o Conjunto Cultural da República demorou mais de quatro décadas para ser construído e “mais um pouquinho” para começar a funcionar... até hoje é sub-utilizado.
Em meio ao solo fértil do cerrado, as idéias parecem grandiosas, mas falta brotar as oportunidades de conhecimento e misturar as várias realidades que passam por aqui. No museu de grandes eventos, exposições e fóruns abertos ao público, que nem sequer sabe o que está acontecendo dentro daquela cúpula. O conjunto já recebe autoridades e todas as pompas dignas de sua arquitetura, mas parece que a área ainda é cercada por um campo de força (daqueles mesmo que vemos em desenho animado).

Prateleiras Vazias
Há um ano, durante o Festival de Cultura Popular de Brasília, passeamos (eu, Daniel e os meninos) por ali. O cenário já nos é conhecido. Íris, Davi e Caio disseram que é um lugar ótimo pra correr, andar de bicicleta, scate e patins...traços puros de Niemeyer. Mas ficamos de voltar depois, pra conhecer os prédios por dentro, fazer outros passeios.

Nas férias de julho, para quem fazia um roteiro de reconhecer e aproveitar a própria cidade, a Esplanada dos Ministérios e o Conjunto Cultural da República não poderiam ser deixados de lado. O museu estava aberto a algumas exposições - se encantaram principalmente com as histórias dos samurais, durante as comemorações de 100 anos das relações nipo-brasileiras. Atravessaram a rua (o Eixo Monumental), foram ao Teatro Nacional, à exposição internacional sobre Darwin e fizeram grandes descobertas mas, chegaram com uma queixa: não puderam entrar na biblioteca.
Ali mesmo, ao lado do Museu, a Biblioteca Nacional de Brasília, que deveria ter sido inaugurada há pelo menos dois anos, ainda não permitia a entrada de visitantes. Por um simples motivo: estava completamente vazia. O conjunto cultural que abriga a biblioteca seria ideologicamente uma ponte entre o centro de circulação popular (a rodoviária) e o centro do poder público (a praça dos três poderes). Mas, até mesmo as crianças fizeram sua releitura prática da situação. “Mas como pode mamãe? Uma biblioteca sem livros?”, eles me perguntaram.

Memórias de Infância
Quando eu tinha a idade de Íris (12 anos), morávamos ao lado da Universidade Federal de Pernambuco e aos domingos era feliz e sagrado nosso piquenique e pedalada ao lado da biblioteca Central. Levávamos nossos próprios livros, músicas e histórias pra contar ( eu, minha mãe e meus irmãos) e, durante a semana, entre as pequenas seções infantis das livrarias, ou a espera de minha mãe na universidade, crescemos nos achando – entre os livros - num ambiente familiar.

Hoje, indo ao trabalho, parei na Esplanada dos Ministérios (naquela biblioteca - edifício com características de pavilhão, retilíneo em cinco pavimentos).

Timidamente fui recebida por um guarda. Depois de meia dúzia de perguntas, ele me respondeu que no último andar acontecia ali uma exposição – era vestígio da I Bienal de Poesia de Brasília. Subi, tirei umas fotos, li as instalações, vi os espelhos de Mario Quintana e Cecília Meireles e resolvi procurar alguém pra conversar. Sorte minha, no elevador encontrei (sem ainda nem saber de quem se tratava) o professor Antônio Miranda, diretor da Biblioteca. Em poucos minutos ele me tranqüilizou.

Disse que iriam inaugurar todo o espaço até o próximo mês de novembro e justificou que a intenção de abrir as portas junto à Bienal de Poesia não se concretizou porque ainda estavam trabalhando na catalogação dos 50 mil títulos do acervo que precisa ser organizado, mas confirmou também a idéia do espaço prático, que além das estantes cheias de livro, servirá estrategicamente para se trabalhar a inclusão digital. Mas, foi sua última frase que me animou de verdade: “para as crianças, teremos aqui uma ampla sala de leitura e um espaço multimídia”, apontou o professor Miranda para o primeiro saguão, ao destacar também a atenção especial à acessibilidade.

Espero realmente que essas idéias se concretizem o mais rápido possível e possamos, durante os finais de semana, em vez de ir a shoppings e cinemas, fazer um passeio de bicicleta ali perto da biblioteca... exercitar a leitura sem a prática do consumismo.


Faça um comentário sobre a biblioteca de sua cidade, ou sobre "Onde você lê com seu filho" e concorra ao Livro O Saci, de Monteiro Lobato. O Concurso faz parte do debate sobre Escola e Leitura promovido pelos blogs que participam do Mulheres na Rede e do Desabafo de Mãe. Participe!




quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Aprovada licença maternidade de 6 meses

Por Ana Inês
Repórter Mãe
de Íris, Davi e Caio

Este post etá no site Desabafo de Mãe
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Depois de tramitar no Congresso Nacional por aproximadamente 8 meses (tempo de uma gestação), o Projeto que amplia para seis meses a licença maternidade foi aprovado, nesta terça-feira (13/08), pela Câmara dos Deputados.

A garantia também contempla as mães adotivas. Mas, como o nascimento foi um pouquinho “prematuro”, ainda falta a sanção do presidente Lula para que o rebento saia da incubadora. E, um pouquinho mais, para que as chamadas Empresas Cidadãs recebam o estímulo que esperam (incentivos fiscais) e garantam o benefício, por mais 60 dias, às mães trabalhadoras.

Assim que a lei for sancionada, as servidoras públicas em todo o país poderão contar com o benefício. No entanto, mesmo que já seja adotada por algumas empresas e estados brasileiros, a ampliação da licença maternidade só será efetivada pela maioria das empresas privadas quando os incentivos fiscais previstos pelo governo forem liberados - o que está deve entrar apenas no plano orçamentário de 2010, exatamente porque o orçamento da União para 2009 está sendo encaminhado ao Congresso nos próximos dias e ainda não contempla as deduções.

Leia também no Repórter free:
Licença Maternidade

terça-feira, 1 de julho de 2008

Reflexos e reações...atenção, gentileza e segurança

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio


Hoje Mariana ( repórter mãe de Enrique) me mandou este vídeo, com a mensagem de que talvez estivesse sendo repetitiva sobre os temas que cercam nosso tal instinto maternal. Mandei uma resposta, que virou desabafo:


Que nada Mari! repetitivo não. Reflexivo.
Nossos pequenos não só repetem o que fazemos, mas refletem o que projetamos mesmo para eles. Assimilam, aprendem e se comportam como nós. O mais interessante é que esses vídeos, essas histórias, essas imagens nos lembram algo muito pessoal. Uma briga, um exemplo, um momento bom ou difícil durante o qual nem sequer notamos nossa tamanha influência.

Nos últimos dois meses enfrentei uma barra com Davi e, talvez por não saber como lidar com a situação, também não conseguia fazer com que ele se sentisse seguro

Ele levou um susto durante um assalto aqui embaixo do prédio. Só agora, quase dois meses depois estamos sabendo lidar melhor com nossa reação. Não posso dizer que não foi nada demais. Ninguém se feriu e ninguém gritou, mas o susto-trauma foi grande: uma abordagem de um cara encapuzado, com uma faca na mão, pedindo o celular da professora de futebol que o trazia para casa. talvez o capuz, a imagem mais forte que tenha ficado para os pesadelos, além das pernas trêmulas e do grito engasgado.

Pra mim, a sensação pior foi a de não estar ao lado dele. Mesmo abraçando, tentando resolver de forma prática, acalentando e o recebendo durante as noites de inquietas com a situação, não conseguíamos passar a segurança que queríamos até outro dia, quando ele não dormia e, simplesmente, fiquei sentada ao lado, conversando, fazendo carinho e mostrando que estávamos todos ali e ele não estava sozinho. Não sei se isso também tem relação (é claro que sim). Enquanto ele tinha medo de um olhar diferente na rua, ou se explodia em casa com medo de tudo e estresse por tudo e, nós, vice-versa; também não consegui escrever.

Ensaiei várias vezes. Abria e fechava a tela e os bloquinho de anotações e não rendia. Mesmo recebendo vários e-mails pra que eu mandasse as atualizações do blog, nada feito. Deixei os endereços todos pra armazenar e talvez comunicar um longo afastamento. Fiz rascunhos de postagens mas algo estava errado, inseguro. É como se eu não tivesse nada o que falar, embora todas as pautas estivessem fervendo - sobre células tronco, não ao erotismo infantil, aulas de música, apresentações infantis, notas na escola, pique de trabalho, procura por babá...) tudo-tudo e, ao mesmo tempo, dando um sono danado. Como dizia Alice, num tal país... uma total descoragem!

Hoje retomamos. Davi está mais tranquilo, animado com o início das férias e andando sozinho pela casa sem pedir companhia em cada cômodo que vai. Caio também mais independente e Íris, como sempre dando shows de meiguisse e maturidade. Ainda não sei se precisamos de ajuda pra superar o que para tantas pessoas em realidades distintas é simplório (não deveria ser) mas, graças a Deus, para nós é algo que não conseguimos banalizar. Sem clichês, essa tal violência urbana nos tem feitos prisioneiros. Mas não devemos refletí-la em nossa casa.

Pai de primeira viagem

Há uns dias tive uma grande surpresa:
com o título repórter pai, recebi um e-mail de Javier, pai da fofa Malu e companheiro de Bela, outra pernambucana com raízes no cerrado.
Javier nos brindou com este texto de "pai de primeira viagem", publicado há pouco na revista Deck Magazine, onde assina uma coluna.

Por Javier Martinez
Repórter pai de Malu

Semana passada fui para Argentina com a minha filha, sem a mãe. Malu tem um ano e oito meses. Era coisa rápida: visita a parentes e amigos. Saímos numa sexta e voltamos na segunda seguinte.

A ida foi tranqüila, o avião quase vazio e um espaço para brincar no chão da primeira fileira. Em Buenos Aires houve momentos muito lindos, revi muita gente. Enquanto isso, a saudade de Malu pela mãe aumentava.

Chamou a minha atenção que ela pedisse para passear com muita freqüência. Saímos várias vezes pelos quarteirões do bairro. Fiz uma pergunta capciosa para pegá-la, já que ela não conhece Santos Lugares, bairro onde mora minha mãe:
- Onde você quer ir filha?
Respondeu, na lata:
- Mamãe!
Um dia antes da volta eu disse que, após dormirmos, a gente voltaria a ver a mamãe. Minha filha foi correndo para o quarto e disse que queria dormir. Essa capacidade de surpreender das crianças é incrível.

A volta foi tranqüila até a escala em Porto Alegre. Atraso de trinta minutos. Avião lotado. Minha filha, já cansada, teve que sentar no meu colo e começou a chutar o respaldo da poltrona da frente. Atrás da gente havia outra criança passando por estresse similar. O vôo foi acompanhado por uma sucessão de gritos. Uma boneca foi parar no colo do vizinho, fiz um leite emergencial para acalmar, mas minha filha continuava a abrir e fechar a mesinha do respaldar para deleite do passageiro sentado na nossa frente. Entre chutes e gritos a mamadeira foi lançada e sumiu pelo chão entre as poltronas vizinhas.

Arrumaram um canto mais tranqüilo. Duas poltronas livres. Era um prefácio do paraíso. Mesmo assim, minha filha gritava do lado de cá e a resposta era um grito do lado de lá. Era sistemático: uma criança chorava e a outra respondia. Finalmente, as crianças dormiram. Malu acordou algum tempo depois nos braços da mãe. Estava tão cansada que olhou fixo e ficou em silêncio. Nem comemorou e voltou a dormir... Mas, dessa vez, com a certeza de que tudo estava voltando ao normal.

domingo, 8 de junho de 2008

Aprendi...

Por Mariana Galiza
Repórter Mãe de Enrique

Clichês à parte, ser mãe é um aprendizado. Muito se discute sobre o que, como e quando os pais devem ensinar isso ou aquilo para os filhos, mas o que eu venho descobrindo é que quem mais aprende nessa relação são os próprios pais. Algumas coisas, nós aprendemos meio que instintivamente. Ou melhor, descobrimos que existia um ser ali, até então escondido dentro da gente, que sabia fazer um monte de coisas relacionadas aos cuidados com filhos e que, quando precisou, se revelou! Outras coisas, vamos aprendendo aos poucos, errando, ficando – por vezes – desesperada, desistindo, voltando atrás e resolvendo tentar de novo e por aí vai. Mas tem outras tantas coisas, talvez as mais complicadas, que temos que aprender na marra, assim, de uma hora para outra, a fim de uma boa convivência familiar. Para ajudar futuras mães, resolvi listar alguns desses incríveis desafios que me foram lançados ao longo dos últimos dois anos:

*Criar, em questão de segundos, uma boa estorinha sobre “nuvens”, “carro”, “pessoa”, “banho”, ou qualquer outro tema criativo que vem à mente do seu filho quando você faz uma ingênua pergunta "que estória você quer que a mamãe conte pra você"?* Desenhar caminhão de lixo, hipopótamo e coisas esdrúxulas assim...

* Inventar uma dança até para o barulho do liquidificador.

* Ter sempre argumentos convincentes para tirar seu filho do banho ou fazê-lo tomar banho!

* Manter a seriedade com as malcriações engraçadas. (Os pequenos têm uma incrível capacidade de fazer de uma birra uma situação surpreendentemente hilária)Além de muitos outros que certamente virão....

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Mulher Incrível

Por Mulher Elástica
Mãe Incrível de Violeta, Flecha e Zezé

Ontem acordei com um belo café da manhã na cama... passei o dia entre descanso, almoço, lanche e jantar especial, brincadeira no parque, passeio de bicicleta, tarefa de casa com Davi, histórias de Íris, livrinho de Caio... carinho completo!

Hoje acordei com os três na cama, preguiça de segunda-feira e vontade de começar a semana diferente. Num flash do dia, tudo ficou entre: café, tapioca, saladinha de frutas, brincadeira de shows de música, dança no meio da sala, fugir pra trabalhar, pagar conta de banco, dar banho, almoço, levar pra escola, correr pro trabalho, buscar todo mundo, voar pra casa, dar jantar, fazer malabares com escova e fio dental, colocar todo mundo pra dormir, tomar um banho, sentar aqui e escrever um pouquinho... Lembrando de todas nós, quem não é assim incrivelmente mulher elástica?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Brincar &Aprender: luz, parque e exposição!

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio



Um Desabafo Cultural para Ação Cultura em Família.
Acesse o site
Desabafo de Mãe e participe!



E, pra quem disse que museus e exposições são programas adultos, as esculturas interativas que visitamos por alguns finais de semana consecutivos nos trouxeram de volta o estímulo cultural próprio da infância.




Já faz três finais de semana mas, em todos eles, Íris,Davi e Caio pediram por um finalzinho de tarde no gramado daquele "parque chamado exposição"...

A frase foi de um menino de 5 anos, que corria eufórico em sua brincadeira: "o nome desse parque é exposição, sabia?", perguntou o pequeno Gustavo entrando em nossa brincadeira.

Um parque de esculturas interativas, com formas convidativas à brincadeira e imaginação de qualquer marmanjo e, muito mais, às fantasias de criança. A lua estava bem acesa e combinava com a luz azul brotando como mágica de cada peça. Nós também estávamos assim encantados: saímos do casulo, ficamos presos numa colméia gigante, viramos piratas e escorregamos na barriga de uma lagarta, por um túnel na via-láctea...

"Imaginar é como respirar: basta fechar os olhos e deixar o pensamento voar. A gente vai junto na música do vento e vira pensamento", desabafa o artista plástico Darlan Rosa, autor da obras que agora fazem parte da exposição permanente no CCBB, em Brasília.






Brincar &Aprender

Outro dia, quando Davi fazia um trabalho da escola sobre a moradia de diversos animais, lembramos imediatamente do parque, que bem nos serviu para uma aula ilustrada de ciências.
Outra oportunidade de cultura rebuscada em família foi há pouco mais de um mês, na exposição LUSA- a matriz portuguesa. Lá os meninos se apaixonaram pelo grande Atlas virtual - um livro gigante, dentro de uma caixa escura, refletindo mapas antigos. Uma verdadeira descoberta cartográfica.
Antes, vimos produtos históricos do comércio português além mar - grãos, frutas e especiarias... a mostra exibiu mais de 100 peças do acervo de instituições portuguesas. Lemos Fernando Pessoa, ouvimos o som dos mares num tapete aonde os meninos puderam deitar e rolar no tatame falante, poliglota inclusive, cheio de almofadas! Saímos e: meia volta... "vamos ficar mais um pouquinho?"

Em outros passeios já visitamos museus e exposições - o ateliê de Francisco Brennand, em Recife; os Fortes, faróis e a Casa de Jorge Amado na Bahia; os Quadrões da Mônica e os tapetes contadores de histórias, em Brasília... todos eles nos fazem aprender a reviver. Mas, a interatividade é algo rico. Lembro que não contamos histórias a uma criança, sem que ela se debruce, queira ver, tocar e quase pular nas páginas abertas... por isso mesmo quando nos permitimos a imersão do momento, aproveitamos as linhas e entrelinha. Em cada passeio Cultural em Família também redescobrimos um pouco de nós mesmos

segunda-feira, 21 de abril de 2008

mãe natureza

Nas manifestações do Abril Indígena - pelo Estatuto dos Povos Indígenas e para garantir políticas públicas que tragam desenvolvimento,  sem esquecer as raízes do país -, a luta de diversos povos e nações indígenas é a luta de muitas mães índias pelo sustento, saúde, respeito e qualidade de vida de suas famílias. A realidade dessas mulheres é uma grave consequência de um 'Erro de Português", como já transformou em poesia Oswald de Andrade:

"Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol,

 o índio tinha despido o português" 


foto Luiz Alves (Sefot/Câmara dos Deputados)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Lapidação

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Este post etá no site Desabafo de Mãe
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Desde que nascemos querem nos fazer de jóias “que lindo rostinho, um pezinho tão pequenino, um olhinho miúdo...” Aos três a situação é a mesma, nos ensinam os bons hábitos e as palavrinhas mágicas, nos mostram para todos em perfeição e, mais tarde... nada do que fazemos é correto, tudo instiga a lapidação de nós mesmos. Sempre temos que melhorar em alguma coisa, mudar um comportamento, uma resposta errada e a impressão sobre a futilidade de tudo o que fazemos.

Acho que meu mundo está às avessas: os pais não são perfeitos. Me surpreendi querendo moldar meus filhos, num padrão que eu mesma criei com o tempo. Será que é justo? Esse é meu modelo de mãe?

Ontem dei um tapa na boca de Davi... até hoje sinto a dor da minha inquietação, a minha inconformidade...talvez por não aceitar o que tudo aquilo quis dizer: que, como ele disse, eu sou chata mesmo...querendo que ele coma a fruta que ofereço, que tome banho no exato momento, que diga sim, ou diga não.

Por isso, se publiquei os elogios poéticos de Íris, por que não dar o mesmo espaço à opinião contrária de Davi? Me vi num dos episódios da série Menino Maluquinho, quando em um certo dia a mãe é a melhor do mundo e, no dia seguinte, passa a ser a pior mãe do mundo.

O que fazemos em nosso extremo, quando o sol se põe e nos vemos tateando sem caminho certo? Não é esse meu estilo materno...resolvi deixá-lo pensar nas respostas chatas, na desatenção e perceber o quanto perdemos quando, não cumprimos nossa responsabilidade ou magoamos outra pessoa. Meu castigo foi estar exatamente aqui, reconhecendo o lado dramático da maternidade na 2ª infância. Pra ele, ficou o peso de perder algo de muito valor: ficou sem o futebol e sem o campeonato do final de semana.

- “agora sustente a palavra”, retrucou Daniel , que também avaliou nosso estilo paterno.

Hoje, pra agravar ainda mais a situação, Íris acaba de me perguntar sobre o que eu estou escrevendo. Quis saber sobre a campanha que havia mencionado fazer de repúdio à violência contra as crianças. Então perguntei: como posso agora lançar uma campanha contra a violência, se ontem mesmo tive aquela cena com Davi?

Grande desafio para nós mesmos: está lançada a idéia de NÃO à VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS, de palmadas e quaisquer castigos físicos à frustração moral.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Brincar & Aprender...MADRE Y PADRE / PADRE Y MADRE

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio




Cheguei em casa na hora do almoço e Íris me falou que tinha um presente pro repórter mãe. Nem consegui ver o que era, mas agora à noite veio a surpresa... corujices à parte, um poema lindo escrito entre bordas de minúsculos corações... e assim, retomamos nossa sessão de Brincar&Aprender:


MADRE Y PADRE / PADRE Y MADRE


Mãe e pai perfeitos são aqueles que cuidam da gente.
Que fazem carinho e dão beijinho, que se importam
com o futuro do filhinho, que entende a gente toda hora
a todo momento. É aquele que não bate. Que quer o nosso bem.

Que se o filho tiver um problema estão sempre dispostos
a resolver. Que brigam, só por uma necessidade, pelo
bem de seu pequenino.

Bom pai e boa mãe são aqueles que acalentam e que botam pra
Dormir. Contam história. Se o filho tiver um certo medo
Estão prontos para proteger.

Ensinam o ABC. E com carinho as perguntas vão responder.
Os caminhos certos da vida vão explicar, e assim vão se alegrar.

Me llamo Íris y soy una chica muy bonita, mi madre se llama Ana e mi padre Daniel tengo once años y moro en Brasil. Tengo dos hermanos Davi y Caio.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A carapuça serviu: "Não tire as crianças da sala!!!"

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Quando Daniel me mostrou o texto " Não tire as crianças da sala!!!" eu adorei. O título não foi dado por acaso. Confesso que foi o que sempre fiz; o que sempre fizemos ao assistir aos noticiários com tantas informações negativas, tragédias e violências que assustam qualquer um. De fato, nunca gostamos de apresentar aos nossos filhos, uma realidade fora do tempo. Para quê, deixa-los assistir a notícias violentas e saber de coisas que não acrescentariam nada à educação e à tranqüilidade infantil deles?

Confesso que ainda faço isso e tento preserva-los o quanto posso. Apresento a eles fatos e situações de risco, sem que necessariamente tenham que vivenciá-las ou presencia-las. Até comentei com Daniel “a carapuça me serviu...” mas, depois de ter ouvido dele o argumento e a lembrança de nunca termos “escondido” fatos ou informações políticas (desde greves, passeatas e polêmicas legislativas) vi que realmente sempre procuramos ilustrar o B, A, BA político e social de forma simples, bem cotidiana. Exemplo disso são as eleições: eles perguntam, participam, vão às urnas, confirmam os votos, participam das festas de posse e sempre perguntam: o que vai acontecer agora?

Outro dia vimos um documentário sobre a construção de Brasília – nada de mini-série JK, nada floreado. Os chamamos pra ver a história dos “candangos” que viveram em condições desumanas exatamente no lugar onde moramos hoje. Caio ainda está pequeno (3 anos) mas Davi (8) e Íris (11) já podem movimentar bem o senso crítico. Concordo que tudo tem seu tempo, que não devemos apressar a maioridade, mas acredito que em nosso papel de pai e mãe, temos que filtrar as informações sem criar alienação.

Ontem Íris mencionou parte de sua aula de geografia “o Brasil é um país de grande diversidade cultural e desigualdade social”, conversamos sobre a discrepância salarial de um juiz do Supremo, de um professor, de um deputado e de um empregado doméstico. No meio tempo ela refez de cabeça nossos gastos aqui de casa: quanto pagamos de escola, saúde, gasolina, supermercado... Hoje foi a vez de Davi: “ mamãe, qual é o seu salário?”. Aos poucos eles vão percebendo a importância de um presente utilitário, de uma realidade nada barata e de uma pessoa bem informada.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Águas de março

Mês da mulher (8/03), da poesia(14/03), da água (22/03), do teatro e do circo(27/03)...mês de Davi (30/03)...
"são as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração..."

Parodeando Tom Jobim e, ainda com a lembrança da voz de Elis Regina, essa marcha estradeira das águas de março não me deixou escrever sobre tantas coisas...


Ontem foi o aniversário de Davi. Na última sexta-feira comemoramos na escola. Levei bolo, doces, salgados e fugi do trabalho pra montar e acompanhar a festinha relâmpago de recreio. Ótimo momento, não só para economizar, mas pra colocar em dia a conversa com a professora e conhecer mais de perto os donos de tantos nomes que ouvimos falar: "ontem o gabriel levou a bola, hoje sou eu... Juliana me deu uma carta, isabela ficou zangada".


Não tire as crianças da sala!!!

Por Daniel Cruz
Repórter pai de Íris, Davi e Caio

A cobertura jornalística na televisão é tão negativa que, num primeiro momento, ao aparecer um político na telinha, alguém começa a resmungar ou soltar um palavrão de dá arrepios em qualquer criança. Infelizmente, hoje, a imagem das figuras políticas vem associada à esperteza e astúcia - no sentido figurado mais próximo a uma ação desonesta para conseguir algo; e usar artifícios enganadores e, com isso, obter vantagens às custas de outrem – assim, descrito no Houaiss.

O processo de construção de uma criança cidadã deve estar em harmonia com a sua alfabetização e sua educação elementar do dia-a-dia, como lavar as mãos antes de almoçar ou escovar os dentes antes de dormir. Afinal, o fortalecimento de uma sociedade mais fraterna passa pela consolidação da democracia que, no nosso caso, tem apenas 23 anos. Talvez por isso, nossos representantes nos três Poderes ainda não tenham conquistado a confiança plena da sociedade.

Um dos melhores textos sobre alfabetização política é descrito no poema Analfabeto Político, do alemão Bertold Brecht, que diz “O pior analfabeto é o Analfabeto Político. Ele não ouve, não fala e nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”.

Essa compreensão elementar do conjunto de princípios ou opiniões políticas jamais deve se confundir com a índole de qualquer indivíduo, seja ela positiva ou negativa. São os atos dos políticos que dirão se ele é honesto ou desonesto. E, atenção: nunca caia no jargão político de que “brasileiro tem memória curta” e espante toda e qualquer visão niilista referente à política - de que nenhum político não vale nada. Vamos conversar sobre política com nossas crianças e construir um País mais Justo, Fraterno e Solidário.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Semana da Água

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio


Hoje pela manhã o Plenário da Câmara dos Deputados parecia uma grande sala de aula. Uma sessão solene abriu a Semana da Água e, além de parlamentares e representantes do poder público, foi contemplada por uma parcela importante da sociedade: crianças e adolescentes, alunos do ensino fundamental e médio de algumas escolas do DF e de Goiás.

Mesmo com toda a cerimônia de uma sessão plenária e com um tema tão abrangente a se expor, não havia como passar despercebida a presença dos quase 200 jovens (entre 6 e 18 anos de idade) que entusiasmaram inclusive os discursos dos próprios deputados na tribuna. Convidada pelo presidente da Câmara, Arlindo Chináglia, a Compor a Mesa junto às autoridades, a estudante Nina Barroso, 11 anos - que estava entre os amigos da Escola das Nações no plenário - timidamente dizia que estava ali apenas para fazer uma apresentação do coral de sua escola em homenagem à Água. Mas, segundo o deputado Jorge Khoury, representante da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, “são as crianças, a razão principal deste evento, de toda a nossa luta e da busca cada vez maior do desenvolvimento sustentável do nosso País”.

Ali, bem ao meu lado, outra mãe: Cláudia Martins, mãe de Daniel e Natália, registrava o momento tão pomposo para os filhos - quem sabe futuros atores naquele palco de representantes do povo? “Eu? Sou apenas uma mãe!”, disse toda empolgada por poder acompanhar os filhos no passeio da escola.
Novamente lembrei de mim mesma... ah! Por que não levei os meninos (Íris, Davi e Caio) para me acompanharem no trabalho e participarem daquele passeio histórico-cultural?

Pensando bem, mesmo que lembre deles o tempo inteiro enquanto estou fora de casa (principalmente em momentos tão expressivos como esse), preciso separar o joio do trigo, aprender a tirar as amarras do cordão umbilical. Mais do que para eles, sinto que nesse momento é importante pra mim. E o assunto, que era água, preservação do meio ambiente, sustentabilidade dos recursos hídricos e consciência ecológica e econômica virou outro tema de maternidade...inevitável carreira de mãe!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Liberdade incondicional?

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Este post foi publicado hoje,
no lançamento do site Desabafo de Mãe

Mães têm dessas coisas...uma afinidade, nem sempre umas com as outras, mas com o que vivem. É por isso que estamos aqui trocando idéias, muito mais sobre nós mesmas do que sobre os filhos. Mas, é exatamente daí que vem a tal afinidade: do que move nossas vidas, além da independência utópica. Ela talvez seja tão sonhada por não existir.

Uma coisa é certa: não são os filhos os grandes responsáveis por nossa perda de direção. Deixamos de amamentar quando decidimos dizer "é agora ou nunca", colocamos na escola quando precisamos, soltamos a mão para que ele corra se nos sentirmos seguras. Nunca fomos independentes (ainda que tenhamos pulado todos os carnavais até os 30 anos, ainda que tenhamos nosso emprego, nossa casa). Se a escolha é morar sozinha, também somos dependentes de alguma coisa que nos deixa assim... tão livres na família unilateral.

Quando casamos, também deixamos nossa independência de lado – dividimos a cama e sentimos falta quando o lado está desocupado ou, do contrário, corremos pra aproveitar a liberdade de ocupar todo o espaço. Oba! Eu comigo mesma! Mas a parte gostosa de ter filhos é sentir que algo se completa. Perceber que não tem amor igual ao dos pais (mães em especial) pelo filho. Não sei se diria incondicional, mas cada um tem seu jeito.

Sim, hoje mesmo passei pela angústia de querer fazer mais do que consigo todos os dias, de produzir antes ou depois da madrugada. Mas o durante também faz a gente buscar um lado zen. Perceber que, mesmo com todos dormindo a noite inteira (depois de um certo tempo, é claro), a gente acorda, ou passa momentos olhando pra aquele crescimento que nem sequer conseguimos ver de fato mas, que na manhã seguinte, com uma palavrinha, uma tarefa mais difícil, uma pergunta, um pulinho com os dois pés, ou um carinho descompromissado...aí todo gostinho bom começa a aparecer.

Mas, tudo isso pode se resumir no comentário de um amigo ao dizer que "deveria haver uma licença especial para quem deseja ser mãe ou pai e que, com certeza, nem todo mundo estaria apto a recebê-la". Concordo com a idéia e acho sim que vivemos hoje em uma realidade que nos permite escolhas, sem hipocrisia. Nosso auto-conhecimento é fundamental. Por mais que me sinta bem e não me veja tão à vontade assim em qualquer outra atividade senão na condição de mãe, concordo extremamente e respeito a decisão de não ter filhos.

Não dá pra encarar nossas escolhas como exceção. Há uns anos me vi assim (às avessas). Na verdade, a opção pela maternidade causou grande estranheza no meio profissional, de jornalistas bem resolvidas com dedicação exclusiva à vida profissional. Bem, hoje vi que fiz minhas três melhores escolhas: Íris, Davi e Caio. Eles são minhas três grandes produções e realizações de vida! Aprendi também a dar um passo de cada vez e agora posso seguir em frente.

sábado, 8 de março de 2008

Mulheres circenses, mães itinerantes

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio




Essta semana falamos das
mulheres de fibra, escritoras, cientistas, das sofridas e, no meio de tantas outras, de nós mesmas. Lembramos das mulheres circenses com sua tripla jornada secular e seu "Q" reluzente mágico, artístico... Elas também ocupam lugares que, tradicionalmente, seriam de homens: mágicos e ilusionistas, palhaços e adestradores - são as donas da situação, dentro ou fora da lona.

Nos três dias que o repórter mãe acompanhou de perto a rotina dessas mulheres de fibra - mães, meninas e avós circenses - descobrimos (talvez porque nunca paramos pra pensar) que são elas também que correm à procura de escola, médico, dentista e de toda a estrutura que precisam em cada cidade onde moram por "pequenas" fases de sua vida. Perguntadas sobre as possíveis maravilhas e dificuldades de ser mulher itinerante, foi unânime comentar o quanto é tranqüilo e seguro se criar e formar os filhos dentro de uma comunidade circense. Das dificuldades, as maiores são as estradas e o preconceito. Nas estradas, a falta de segurança e de estrutura nas rodovias brasileiras; nas cidades, o preconceito (que hoje vem sendo superado) sobre o estigma "mulher de circo".

Para os rapazes, sempre foi um ótimo cartão de visita apresentar-se como trapezistas, mágicos e malabaristas... Para as mulheres, "o ar de preconceito nos olhares das outras mães, quando deixávamos nossos filhos na escola era terrrível" contou Dona Vera, num desabafo. "Hoje essa realidade tem mudado, mas já senti muito os ciúmes de outras moças, quando era adolescente, parecia que as mulheres de circo eram perigosas e, por isso, quase não saíamos", diz Thaís Medeiros. Thais entrou no circo depois que ficou órfã, aos 8 anos de idade com os irmãos; foi morar com a família (tios, tias e avós circenses). Hoje é mãe da Mirian Gabriela (fadinha Bibi, 4 anos), do contorcionista Guilherme (6 anos) e da Giulia, 5 meses - que durante nossa conversa estava dormindo e acordou pronta pra mamar. Conta que, hoje, sua maior dificuldade é a rotina de mãe. Parou de trabalhar por uns tempos, mas nunca pensou em deixar o circo por conta dos filhos.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Mulheres

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique


Nesta semana comemorativa ao dia internacional das mulheres, inevitável tocar em assuntos inerentes à condição feminina. Mas não vou me ater a discursos inflamados em favor da igualdade de gênero ou lançar campanhas feministas de “guerra” ao mundo machista. É verdade que o mundo ainda é sim muito machista e eu defendo fortemente qualquer ação que vise ao fim do preconceito contra as mulheres. Já passou da hora de exterminar qualquer pensamento e atitude que coloque a mulher em condição inferior, submissa e incapaz. Acho que não preciso citar exemplos que ilustrem o quão forte, batalhadora e competente a mulher pode ser. Tenho certeza de que qualquer um que olhar para o lado - ou para si mesma! -, encontrará uma mulher assim. E, mesmo que não seja tão forte, nem a maior das batalhadoras, nem competente, qualquer mulher é merecedora de respeito, dignidade e atenção.

Mas o que quero deixar registrado aqui é a minha contribuição contra a violência doméstica e familiar sofrida por muitas mulheres. Não podemos fechar os olhos e achar que isso não existe mais. Dados da Secretaria Especial de Política para as Mulheres (SPM), com base na Pesquisa Perseu Abramo, de 2001, revelam que 43% das mulheres já foram vítimas de algum tipo de violência doméstica. Em outra pesquisa, do Ibope (2006), 51% dos entrevistados declararam conhecer ao menos uma mulher que já foi agredida pelo seu companheiro.

Isso é coisa séria. É inaceitável. E por isso, nesta semana em que, teoricamente, devíamos comemorar as conquistas femininas, me proponho a contribuir para a divulgação de ações que buscam mudar esse cenário lastimável.

A SPM lançou a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180 para receber, entre outras demandas, denúncias de violência. Só em 2007, foram 200 mil atendimentos, sendo que 10% foram relatos ou denúncias de violência.


Em conjunto com a sanção da Lei Maria da Penha, em agosto de 2006, que estipula ações e penas mais rigorosas de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, essa ação pode ser um passo importante para gerar resultados positivos. Por isso, vamos divulgar este número.

terça-feira, 4 de março de 2008

Flor embrionária

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio




Daniel acaba de chegar e me entregar uma "flor embrionária"


Trouxe de uma manifestação que aconteceu no Congresso Nacional para a liberação das pesquisas com celulas-tronco embrionárias no Brasil - decisão do STF marcada para hoje, dia 05 de março.

Há aproximadamente 5 anos acompanhei uma discussão no Congresso Nacional e conversei com a coordenadora do Centro de Estudos Genoma Humano, Mayana Zatz(USP). Hoje voltei no tempo e me perguntei como podemos protelar tanto no avanço científico, por tamanha burocracia e senso puritano? A demora nesse processo faz com que, a cada dia, milhares de pessoas percam a esperança e a chance concreta de lutar contra a sobrevida.

Segundo pesquisa do Ibope divulgada ontem, 88% dos brasileiros concordam com o uso de celulas-tronco embrionárias para a recuperação de pessoas portadoras de doenças graves. Então, por quê estagnar o assunto? Que tal uma blogagem coletiva para estimular nossa consciência crítica sobre o direito e resgate da vida?

Brincar&Aprender - à moda antiga

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Topei o desafio de Ceila Santos, do desabafo de mãe, para falar sobre nosso papel na formação de uma nova geração. Sinceramente, descordo de ver meus filhos enquadrados no conceito “geração google” e, como não bastasse, realmente faço o impossível para tira-los desse estigma. Prefiro não ligar a televisão, ou deixa-los na internet, se não tenho certeza do que estão fazendo.

À moda antiga, ainda guio as pesquisas da escola com uma primeira busca por livros, jornais, revistas e deixo a internet como complemento de leitura, que faz a vez das enciclopédias (de minha época). Uma dica é ter bem separadas as revistas de recorte e aquelas ricas em informações – todas ao alcance dos pequenos interessados. Mesmo aquelas que já foram usadas por Íris (há três ou quatro anos), hoje servem para as descobertas de Davi e Caio. Um bom exemplo são as edições da Ciência Hoje das Crianças.

O mais importante de tudo isso é o hábito da leitura. Agora mesmo, enquanto Caio e Davi já estavam dormindo, recebi um boa noite bem gostoso de Íris, minha bela literária:

- Boa noite mamãe, já tô quase terminando o livro...

E, para a felicidade dela (e meu orgulho, é claro!), esse finalzinho de dia é sempre assim. Enquanto vejo um monte de pop-up do MSN avisando que uma amiga da escola está conectada, ela normalmente bate recorde em sua veia de traça (aquele bichinho que come papel)... puxou à avó! . Lembrei desta foto de íris, literalmente sobre os livros, com menos de um ano de idade.

Ontem Davi passou a manhã entusiasmadíssimo com a leitura de seu jornal, o suplemento infantil.

Creio que tudo é uma questão de formação e cultura, ou seja, tudo uma simples questão de hábito. Hoje Davi dormiu falando sobre o ótimo trabalho que fez na escola e planejando acordar cedinho pra fazer a lição de casa. Esse costume devo a uma pessoa com a qual nem tenho mais contato, Marilene, a professora de Íris da 1ª série (há cinco anos).

Uma curta historinha
Eu saia pra trabalhar cedo e, no corre-corre do café da manhã e organização geral da “nação”, como tantas outras mães, sem tempo para acompanhar as lições de casa. De maneira providencial, notei que minha pequena arranjou uma solução: quando eu ainda estava na cama, ela aparecia com tudo feito, respondido e organizado (apenas algumas dúvidas) pra que eu revisasse. Fiquei impressionada, é claro! Mas descobri que havia sido um combinado dela com a Professora: acordar cedo, antes que eu me levantasse, para começar a fazer tudo sozinha, do jeito dela. Assim, antes do café da manhã tudo já estaria concluído e, até a hora de eu sair, tudo revisto no caderno. Hoje Íris está no 7º ano do ensino fundamental e essa continua sendo sua rotina. Hábito saudável incorporado por todos nós.

sábado, 1 de março de 2008

Mulheres de fibra

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio

Resolvi inicar a semana da Campanha de valorização à mulher trazendo exemplos memoráveis.

Além de minha mãe, minha vó, bisavó e de todas as gerações de mulheres de fibra, que me deixaram a herança de ir à luta, tirei da gaveta algumas falas anotadas num caderninho de bolso, durante uma viagem, enquanto acompanhei o dia-a-dia das mulheres circenses - meninas, mães e avós: verdadeiras equilibrístas na arte de apresentar a magia como dona de casa, mãe e profissional de carreira milenar.

No desabafo de Dona Vera, 57, antes de qualquer movimento feminista pela emancipação, as circenses já dividiam o palco da vida entre o trabalho no picadeiro e as várias jornadas de mãe e mulher. Dona Vera trabalha desde os nove anos de idade, quando começou a fazer acrobacia com a irmã de 7 anos. Depois passou ao arame, virou equilibrista e palhaço - "personagem eterno". Atuou em circos na Bolívia, Argentina, México e depois de outros tantos países voltou ao Brasil e continua na estrada afirmando que "o circo sempre dá oportunidades e te acolhe até o fim da vida".

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Brincar&Aprender - num cantinho gostoso...

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio
Esta é nossa nova seção: Brincar&Aprender, para falar exatamente sobre (...) o que o nome já diz...
Essa semana, correndo pra lá e pra cá, não tive tempo de acompanhar os meninos nas tarefas de casa. Íris já tira de letra, mas Davi ainda não conseguiu criar rotina, nem muito menos independência. Deixo os dois fazendo as “lições” e quando chego pro almoço (antes de levá-los pra escola), Davi chega dizendo que precisa de mim pra terminar algumas questõezinhas... “Parei pra brincar um pouquinho com Caio”, explica cheio de razão.
Terça-feira, depois de arrancar duas folhas do caderno de matemática de Davi, pra que todos entendêssemos melhor os problemas por ali (e pasmem: ele não reclamou!), comecei a brincar com objetos e cores, adesivos e lápis de cor, pra que tudo ficasse dentro das margens e dos quadriculados...ele adorou!

Pois é...resolvi que a solução é transformar tudo (ou quase tudo) em brincadeira, aprendizado e até... em posts no repórter mãe. O “causo” da semana é que montei um “escritório” pra cada um. Íris voltou a ter sua mesinha de estudos no quarto - não dá pra ficar estudando na mesa da sala, enquanto Caio quer assistir a um desenho ou fazer barulho com algum brinquedo e Davi se desconcentra. Pra eles, montei na varanda um lugarzinho bem legal: as gavetas, que guardavam sapatos, passaram a ter massinha de modelar, legos, carimbos, lápis e papel. A mesinha - que hora está por lá, e hora em qualquer canto da casa - ainda dá pra os dois e, quando Caio cansa de riscar e rabiscar, vai brincar no tapete de borracha, com o cavalinho e um tantão de coisas... Daí, quando Davi precisa de um lugar mais sossegado vai estudar no quarto, onde virei duas torres de estantes e transformei em bancadas, na medida certa, tanto pra decoração quanto pra um ambiente utilitário.

Pronto, os primeiros passos foram dados e funcionou! Hoje, enquanto Davi pesquisava sobre a alimentação de alguns animais, Caio ajudou trazendo suas, zebras, girafas e elefantes... Semana que vem tenho reunião e vou saber o que a professora está achando dessa nova tentativa de evolução. O final de semana também nos reserva novidades: depois da seção de hoje sobre Aprender & Brincar teremos também um campeonato de futebol de botão muito esperado nesses últimos dias – não pelos filhos, mas pelo pai e pelo tio. Daniel e Fabiano voltaram ao campo da infância, resgataram os botões com mais de 25 anos de história e marcaram um duelo para o domingo. Garanto que o sábado vai ser de concentração e eu, de repórter mãe, vou colocar em prática a idéia de sempre trazer para o Blog um pouquinho dessas brincadeiras e brinquedos populares que temos orgulho em reapresentar à nossa nova geração.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Não fale com estranhos e não dê sua senha!

Por Ana Inês
Repórter mãe
de Íris, Davi e Caio




Pensamos sempre em mil maneiras de garantir um ambiente seguro para nossos filhos, desde quando escolhemos os protetores do berço, até quando acordamos no meio da noite pra ouvir a respiração do bebê. Sem falar nos primeiros passeios de carro: se no colo, ou direto no bebê-conforto. Ainda lembramos da pergunta que mais parece um clichê: babá ou creche?.

Mais tarde, nos parquinhos, na escolinha e em nossa própria casa os cuidados não param. Mais cedo do que imaginávamos nos vemos preocupados com os riscos da rua, a atenção para não soltar a mão, não se perder na praia e não falar com estranhos. Essas velhas dicas servem inclusive na descoberta do mundo virtual! Mas, será que nossas orientações vão servir no primeiro momento de independência?

Nos últimos dias assisti a uns filmes que remetem à formação da infância e à mudança dos rumos na adolescência. Eles me fizeram pensar...

Havia um tempo lembraria de mim mesma e dos amigos. Mas hoje (engraçado e dramático) penso como mãe – de imediato penso em meus filhos. Um dos filmes ainda está no auge, “meu nome não é Jonny”, e pra quem viu ou pretende ver, poucas palavras bastam: como educar, orientar, amar e acompanhar meus filhos? Como lhes passar o pensamento crítico sobre o que não é apenas de um rótulo “certo ou errado”?

Me pergunto uma coisa: mesmo que façam metade do que fiz, mesmo que passem pelas ruas por onde andei, como ensinar o discernimento de viver com segurança, tranqüilidade, paz, saúde e felicidade? Afinal, isso é o que desejamos inclusive pra qualquer pessoa que encontramos nos primeiros instantes do ano, não é?

O que nos resta é orientar e, não esperar, a palavra certa é acompanhar o máximo e (sem cair na paranóia), acompanhar quase o impossível. Pois, assim como tantos riscos futuros existe um que, para muitos, chega de mansinho, aparecendo até como um comentário ou gesto inofensivo mas, de repente, nos dá uma rasteira. Problema sobre o qual devemos, sim, tomar consciência e nos preocupar desde já: a Pedofilia.


Essa semana o assunto veio à tona com a nadadora Olímpica Joanna Maranhão, 21 anos, ao declarar que sofria abusos sexuais, cometidos pelo técnico dentro da piscina aos nove anos de idade. Hoje,14/02 (coincidências à parte), quando a mãe da atleta decidiu divulgar o nome do suposto agressor, havia sido o dia proposto pelos Amigos da Blogosfera, para uma Blogagem Coletiva de alerta Contra a PEDOFILIA, tema que precisa ser pesquisado e escrito com letras garrafais em defesa da inocência.

Leia Mais:
Blog Luz de Luma, responsável pela Campanha

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Nossos Pequenos Acadêmicos

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio





O Escolar - Van Gogh, 1890, óleo sobre tela, 63,5 x 54 cm.
Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, Brasil

Assim como na licença-poética, dada aos renomes da literatura, fazemos uso do que podemos chamar de licença-materna para dramatizar “um pouquinho só” o início das aulas de nossos pequenos acadêmicos. Mas, dramas e “papelões” à parte, ainda bem que a visão que temos da vida escolar de nossos filhos hoje, não é mais tão chocante quanto a impressão de Van Gogh ao retratar O Escolar - jovem estudante, filho de seu amigo carteiro Roulim.

Embora os pequeninos chorem “só um pouquinho”, como comentou Caio sobre sua insegurança nesses primeiros dias de aula, admito que a escola de nossos filhos é hoje um ambiente rico em expectativas, até mesmo pela novidade de uma aula de música, capoeira, dança, inglês, filosofia, xadrez...

Por um lado, Caio (em sua timidez dos 3 anos) hora se enaltece com a mochila nas costas e o uniforme formoso e, hora, demonstra medo dos próprios amiguinhos nos atritos e “mordidas comuns”. Mas, o ano letivo já figura cores alegres, de mudança e uma certa dosagem de independência. Para nossos pequenos estudantes, a nova rotina é assimilada na hora do lanche, da brincadeira com massinha de modelar e no momento de se soltar no parquinho de areia.

Para os maiores, o auge está no entusiasmo do reencontro entre amigos. Hoje Davi (7 anos) acordou falando do sucesso que fez seus próprios desenhos de super-heróis ilustrando as capas dos cadernos de produção de textos. Íris já está com todo o pique: acorda pronta para dar aulas (e palestras inteiras, se deixar!) sobre tudo o que aprendeu nesses poucos dias.