segunda-feira, 31 de março de 2008

Águas de março

Mês da mulher (8/03), da poesia(14/03), da água (22/03), do teatro e do circo(27/03)...mês de Davi (30/03)...
"são as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração..."

Parodeando Tom Jobim e, ainda com a lembrança da voz de Elis Regina, essa marcha estradeira das águas de março não me deixou escrever sobre tantas coisas...


Ontem foi o aniversário de Davi. Na última sexta-feira comemoramos na escola. Levei bolo, doces, salgados e fugi do trabalho pra montar e acompanhar a festinha relâmpago de recreio. Ótimo momento, não só para economizar, mas pra colocar em dia a conversa com a professora e conhecer mais de perto os donos de tantos nomes que ouvimos falar: "ontem o gabriel levou a bola, hoje sou eu... Juliana me deu uma carta, isabela ficou zangada".


Não tire as crianças da sala!!!

Por Daniel Cruz
Repórter pai de Íris, Davi e Caio

A cobertura jornalística na televisão é tão negativa que, num primeiro momento, ao aparecer um político na telinha, alguém começa a resmungar ou soltar um palavrão de dá arrepios em qualquer criança. Infelizmente, hoje, a imagem das figuras políticas vem associada à esperteza e astúcia - no sentido figurado mais próximo a uma ação desonesta para conseguir algo; e usar artifícios enganadores e, com isso, obter vantagens às custas de outrem – assim, descrito no Houaiss.

O processo de construção de uma criança cidadã deve estar em harmonia com a sua alfabetização e sua educação elementar do dia-a-dia, como lavar as mãos antes de almoçar ou escovar os dentes antes de dormir. Afinal, o fortalecimento de uma sociedade mais fraterna passa pela consolidação da democracia que, no nosso caso, tem apenas 23 anos. Talvez por isso, nossos representantes nos três Poderes ainda não tenham conquistado a confiança plena da sociedade.

Um dos melhores textos sobre alfabetização política é descrito no poema Analfabeto Político, do alemão Bertold Brecht, que diz “O pior analfabeto é o Analfabeto Político. Ele não ouve, não fala e nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”.

Essa compreensão elementar do conjunto de princípios ou opiniões políticas jamais deve se confundir com a índole de qualquer indivíduo, seja ela positiva ou negativa. São os atos dos políticos que dirão se ele é honesto ou desonesto. E, atenção: nunca caia no jargão político de que “brasileiro tem memória curta” e espante toda e qualquer visão niilista referente à política - de que nenhum político não vale nada. Vamos conversar sobre política com nossas crianças e construir um País mais Justo, Fraterno e Solidário.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Semana da Água

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio


Hoje pela manhã o Plenário da Câmara dos Deputados parecia uma grande sala de aula. Uma sessão solene abriu a Semana da Água e, além de parlamentares e representantes do poder público, foi contemplada por uma parcela importante da sociedade: crianças e adolescentes, alunos do ensino fundamental e médio de algumas escolas do DF e de Goiás.

Mesmo com toda a cerimônia de uma sessão plenária e com um tema tão abrangente a se expor, não havia como passar despercebida a presença dos quase 200 jovens (entre 6 e 18 anos de idade) que entusiasmaram inclusive os discursos dos próprios deputados na tribuna. Convidada pelo presidente da Câmara, Arlindo Chináglia, a Compor a Mesa junto às autoridades, a estudante Nina Barroso, 11 anos - que estava entre os amigos da Escola das Nações no plenário - timidamente dizia que estava ali apenas para fazer uma apresentação do coral de sua escola em homenagem à Água. Mas, segundo o deputado Jorge Khoury, representante da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, “são as crianças, a razão principal deste evento, de toda a nossa luta e da busca cada vez maior do desenvolvimento sustentável do nosso País”.

Ali, bem ao meu lado, outra mãe: Cláudia Martins, mãe de Daniel e Natália, registrava o momento tão pomposo para os filhos - quem sabe futuros atores naquele palco de representantes do povo? “Eu? Sou apenas uma mãe!”, disse toda empolgada por poder acompanhar os filhos no passeio da escola.
Novamente lembrei de mim mesma... ah! Por que não levei os meninos (Íris, Davi e Caio) para me acompanharem no trabalho e participarem daquele passeio histórico-cultural?

Pensando bem, mesmo que lembre deles o tempo inteiro enquanto estou fora de casa (principalmente em momentos tão expressivos como esse), preciso separar o joio do trigo, aprender a tirar as amarras do cordão umbilical. Mais do que para eles, sinto que nesse momento é importante pra mim. E o assunto, que era água, preservação do meio ambiente, sustentabilidade dos recursos hídricos e consciência ecológica e econômica virou outro tema de maternidade...inevitável carreira de mãe!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Liberdade incondicional?

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Este post foi publicado hoje,
no lançamento do site Desabafo de Mãe

Mães têm dessas coisas...uma afinidade, nem sempre umas com as outras, mas com o que vivem. É por isso que estamos aqui trocando idéias, muito mais sobre nós mesmas do que sobre os filhos. Mas, é exatamente daí que vem a tal afinidade: do que move nossas vidas, além da independência utópica. Ela talvez seja tão sonhada por não existir.

Uma coisa é certa: não são os filhos os grandes responsáveis por nossa perda de direção. Deixamos de amamentar quando decidimos dizer "é agora ou nunca", colocamos na escola quando precisamos, soltamos a mão para que ele corra se nos sentirmos seguras. Nunca fomos independentes (ainda que tenhamos pulado todos os carnavais até os 30 anos, ainda que tenhamos nosso emprego, nossa casa). Se a escolha é morar sozinha, também somos dependentes de alguma coisa que nos deixa assim... tão livres na família unilateral.

Quando casamos, também deixamos nossa independência de lado – dividimos a cama e sentimos falta quando o lado está desocupado ou, do contrário, corremos pra aproveitar a liberdade de ocupar todo o espaço. Oba! Eu comigo mesma! Mas a parte gostosa de ter filhos é sentir que algo se completa. Perceber que não tem amor igual ao dos pais (mães em especial) pelo filho. Não sei se diria incondicional, mas cada um tem seu jeito.

Sim, hoje mesmo passei pela angústia de querer fazer mais do que consigo todos os dias, de produzir antes ou depois da madrugada. Mas o durante também faz a gente buscar um lado zen. Perceber que, mesmo com todos dormindo a noite inteira (depois de um certo tempo, é claro), a gente acorda, ou passa momentos olhando pra aquele crescimento que nem sequer conseguimos ver de fato mas, que na manhã seguinte, com uma palavrinha, uma tarefa mais difícil, uma pergunta, um pulinho com os dois pés, ou um carinho descompromissado...aí todo gostinho bom começa a aparecer.

Mas, tudo isso pode se resumir no comentário de um amigo ao dizer que "deveria haver uma licença especial para quem deseja ser mãe ou pai e que, com certeza, nem todo mundo estaria apto a recebê-la". Concordo com a idéia e acho sim que vivemos hoje em uma realidade que nos permite escolhas, sem hipocrisia. Nosso auto-conhecimento é fundamental. Por mais que me sinta bem e não me veja tão à vontade assim em qualquer outra atividade senão na condição de mãe, concordo extremamente e respeito a decisão de não ter filhos.

Não dá pra encarar nossas escolhas como exceção. Há uns anos me vi assim (às avessas). Na verdade, a opção pela maternidade causou grande estranheza no meio profissional, de jornalistas bem resolvidas com dedicação exclusiva à vida profissional. Bem, hoje vi que fiz minhas três melhores escolhas: Íris, Davi e Caio. Eles são minhas três grandes produções e realizações de vida! Aprendi também a dar um passo de cada vez e agora posso seguir em frente.

sábado, 8 de março de 2008

Mulheres circenses, mães itinerantes

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio




Essta semana falamos das
mulheres de fibra, escritoras, cientistas, das sofridas e, no meio de tantas outras, de nós mesmas. Lembramos das mulheres circenses com sua tripla jornada secular e seu "Q" reluzente mágico, artístico... Elas também ocupam lugares que, tradicionalmente, seriam de homens: mágicos e ilusionistas, palhaços e adestradores - são as donas da situação, dentro ou fora da lona.

Nos três dias que o repórter mãe acompanhou de perto a rotina dessas mulheres de fibra - mães, meninas e avós circenses - descobrimos (talvez porque nunca paramos pra pensar) que são elas também que correm à procura de escola, médico, dentista e de toda a estrutura que precisam em cada cidade onde moram por "pequenas" fases de sua vida. Perguntadas sobre as possíveis maravilhas e dificuldades de ser mulher itinerante, foi unânime comentar o quanto é tranqüilo e seguro se criar e formar os filhos dentro de uma comunidade circense. Das dificuldades, as maiores são as estradas e o preconceito. Nas estradas, a falta de segurança e de estrutura nas rodovias brasileiras; nas cidades, o preconceito (que hoje vem sendo superado) sobre o estigma "mulher de circo".

Para os rapazes, sempre foi um ótimo cartão de visita apresentar-se como trapezistas, mágicos e malabaristas... Para as mulheres, "o ar de preconceito nos olhares das outras mães, quando deixávamos nossos filhos na escola era terrrível" contou Dona Vera, num desabafo. "Hoje essa realidade tem mudado, mas já senti muito os ciúmes de outras moças, quando era adolescente, parecia que as mulheres de circo eram perigosas e, por isso, quase não saíamos", diz Thaís Medeiros. Thais entrou no circo depois que ficou órfã, aos 8 anos de idade com os irmãos; foi morar com a família (tios, tias e avós circenses). Hoje é mãe da Mirian Gabriela (fadinha Bibi, 4 anos), do contorcionista Guilherme (6 anos) e da Giulia, 5 meses - que durante nossa conversa estava dormindo e acordou pronta pra mamar. Conta que, hoje, sua maior dificuldade é a rotina de mãe. Parou de trabalhar por uns tempos, mas nunca pensou em deixar o circo por conta dos filhos.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Mulheres

Por Mariana Galiza
repórter mãe de Enrique


Nesta semana comemorativa ao dia internacional das mulheres, inevitável tocar em assuntos inerentes à condição feminina. Mas não vou me ater a discursos inflamados em favor da igualdade de gênero ou lançar campanhas feministas de “guerra” ao mundo machista. É verdade que o mundo ainda é sim muito machista e eu defendo fortemente qualquer ação que vise ao fim do preconceito contra as mulheres. Já passou da hora de exterminar qualquer pensamento e atitude que coloque a mulher em condição inferior, submissa e incapaz. Acho que não preciso citar exemplos que ilustrem o quão forte, batalhadora e competente a mulher pode ser. Tenho certeza de que qualquer um que olhar para o lado - ou para si mesma! -, encontrará uma mulher assim. E, mesmo que não seja tão forte, nem a maior das batalhadoras, nem competente, qualquer mulher é merecedora de respeito, dignidade e atenção.

Mas o que quero deixar registrado aqui é a minha contribuição contra a violência doméstica e familiar sofrida por muitas mulheres. Não podemos fechar os olhos e achar que isso não existe mais. Dados da Secretaria Especial de Política para as Mulheres (SPM), com base na Pesquisa Perseu Abramo, de 2001, revelam que 43% das mulheres já foram vítimas de algum tipo de violência doméstica. Em outra pesquisa, do Ibope (2006), 51% dos entrevistados declararam conhecer ao menos uma mulher que já foi agredida pelo seu companheiro.

Isso é coisa séria. É inaceitável. E por isso, nesta semana em que, teoricamente, devíamos comemorar as conquistas femininas, me proponho a contribuir para a divulgação de ações que buscam mudar esse cenário lastimável.

A SPM lançou a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180 para receber, entre outras demandas, denúncias de violência. Só em 2007, foram 200 mil atendimentos, sendo que 10% foram relatos ou denúncias de violência.


Em conjunto com a sanção da Lei Maria da Penha, em agosto de 2006, que estipula ações e penas mais rigorosas de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, essa ação pode ser um passo importante para gerar resultados positivos. Por isso, vamos divulgar este número.

terça-feira, 4 de março de 2008

Flor embrionária

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio




Daniel acaba de chegar e me entregar uma "flor embrionária"


Trouxe de uma manifestação que aconteceu no Congresso Nacional para a liberação das pesquisas com celulas-tronco embrionárias no Brasil - decisão do STF marcada para hoje, dia 05 de março.

Há aproximadamente 5 anos acompanhei uma discussão no Congresso Nacional e conversei com a coordenadora do Centro de Estudos Genoma Humano, Mayana Zatz(USP). Hoje voltei no tempo e me perguntei como podemos protelar tanto no avanço científico, por tamanha burocracia e senso puritano? A demora nesse processo faz com que, a cada dia, milhares de pessoas percam a esperança e a chance concreta de lutar contra a sobrevida.

Segundo pesquisa do Ibope divulgada ontem, 88% dos brasileiros concordam com o uso de celulas-tronco embrionárias para a recuperação de pessoas portadoras de doenças graves. Então, por quê estagnar o assunto? Que tal uma blogagem coletiva para estimular nossa consciência crítica sobre o direito e resgate da vida?

Brincar&Aprender - à moda antiga

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Topei o desafio de Ceila Santos, do desabafo de mãe, para falar sobre nosso papel na formação de uma nova geração. Sinceramente, descordo de ver meus filhos enquadrados no conceito “geração google” e, como não bastasse, realmente faço o impossível para tira-los desse estigma. Prefiro não ligar a televisão, ou deixa-los na internet, se não tenho certeza do que estão fazendo.

À moda antiga, ainda guio as pesquisas da escola com uma primeira busca por livros, jornais, revistas e deixo a internet como complemento de leitura, que faz a vez das enciclopédias (de minha época). Uma dica é ter bem separadas as revistas de recorte e aquelas ricas em informações – todas ao alcance dos pequenos interessados. Mesmo aquelas que já foram usadas por Íris (há três ou quatro anos), hoje servem para as descobertas de Davi e Caio. Um bom exemplo são as edições da Ciência Hoje das Crianças.

O mais importante de tudo isso é o hábito da leitura. Agora mesmo, enquanto Caio e Davi já estavam dormindo, recebi um boa noite bem gostoso de Íris, minha bela literária:

- Boa noite mamãe, já tô quase terminando o livro...

E, para a felicidade dela (e meu orgulho, é claro!), esse finalzinho de dia é sempre assim. Enquanto vejo um monte de pop-up do MSN avisando que uma amiga da escola está conectada, ela normalmente bate recorde em sua veia de traça (aquele bichinho que come papel)... puxou à avó! . Lembrei desta foto de íris, literalmente sobre os livros, com menos de um ano de idade.

Ontem Davi passou a manhã entusiasmadíssimo com a leitura de seu jornal, o suplemento infantil.

Creio que tudo é uma questão de formação e cultura, ou seja, tudo uma simples questão de hábito. Hoje Davi dormiu falando sobre o ótimo trabalho que fez na escola e planejando acordar cedinho pra fazer a lição de casa. Esse costume devo a uma pessoa com a qual nem tenho mais contato, Marilene, a professora de Íris da 1ª série (há cinco anos).

Uma curta historinha
Eu saia pra trabalhar cedo e, no corre-corre do café da manhã e organização geral da “nação”, como tantas outras mães, sem tempo para acompanhar as lições de casa. De maneira providencial, notei que minha pequena arranjou uma solução: quando eu ainda estava na cama, ela aparecia com tudo feito, respondido e organizado (apenas algumas dúvidas) pra que eu revisasse. Fiquei impressionada, é claro! Mas descobri que havia sido um combinado dela com a Professora: acordar cedo, antes que eu me levantasse, para começar a fazer tudo sozinha, do jeito dela. Assim, antes do café da manhã tudo já estaria concluído e, até a hora de eu sair, tudo revisto no caderno. Hoje Íris está no 7º ano do ensino fundamental e essa continua sendo sua rotina. Hábito saudável incorporado por todos nós.

sábado, 1 de março de 2008

Mulheres de fibra

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio

Resolvi inicar a semana da Campanha de valorização à mulher trazendo exemplos memoráveis.

Além de minha mãe, minha vó, bisavó e de todas as gerações de mulheres de fibra, que me deixaram a herança de ir à luta, tirei da gaveta algumas falas anotadas num caderninho de bolso, durante uma viagem, enquanto acompanhei o dia-a-dia das mulheres circenses - meninas, mães e avós: verdadeiras equilibrístas na arte de apresentar a magia como dona de casa, mãe e profissional de carreira milenar.

No desabafo de Dona Vera, 57, antes de qualquer movimento feminista pela emancipação, as circenses já dividiam o palco da vida entre o trabalho no picadeiro e as várias jornadas de mãe e mulher. Dona Vera trabalha desde os nove anos de idade, quando começou a fazer acrobacia com a irmã de 7 anos. Depois passou ao arame, virou equilibrista e palhaço - "personagem eterno". Atuou em circos na Bolívia, Argentina, México e depois de outros tantos países voltou ao Brasil e continua na estrada afirmando que "o circo sempre dá oportunidades e te acolhe até o fim da vida".