quinta-feira, 13 de março de 2008

Liberdade incondicional?

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Este post foi publicado hoje,
no lançamento do site Desabafo de Mãe

Mães têm dessas coisas...uma afinidade, nem sempre umas com as outras, mas com o que vivem. É por isso que estamos aqui trocando idéias, muito mais sobre nós mesmas do que sobre os filhos. Mas, é exatamente daí que vem a tal afinidade: do que move nossas vidas, além da independência utópica. Ela talvez seja tão sonhada por não existir.

Uma coisa é certa: não são os filhos os grandes responsáveis por nossa perda de direção. Deixamos de amamentar quando decidimos dizer "é agora ou nunca", colocamos na escola quando precisamos, soltamos a mão para que ele corra se nos sentirmos seguras. Nunca fomos independentes (ainda que tenhamos pulado todos os carnavais até os 30 anos, ainda que tenhamos nosso emprego, nossa casa). Se a escolha é morar sozinha, também somos dependentes de alguma coisa que nos deixa assim... tão livres na família unilateral.

Quando casamos, também deixamos nossa independência de lado – dividimos a cama e sentimos falta quando o lado está desocupado ou, do contrário, corremos pra aproveitar a liberdade de ocupar todo o espaço. Oba! Eu comigo mesma! Mas a parte gostosa de ter filhos é sentir que algo se completa. Perceber que não tem amor igual ao dos pais (mães em especial) pelo filho. Não sei se diria incondicional, mas cada um tem seu jeito.

Sim, hoje mesmo passei pela angústia de querer fazer mais do que consigo todos os dias, de produzir antes ou depois da madrugada. Mas o durante também faz a gente buscar um lado zen. Perceber que, mesmo com todos dormindo a noite inteira (depois de um certo tempo, é claro), a gente acorda, ou passa momentos olhando pra aquele crescimento que nem sequer conseguimos ver de fato mas, que na manhã seguinte, com uma palavrinha, uma tarefa mais difícil, uma pergunta, um pulinho com os dois pés, ou um carinho descompromissado...aí todo gostinho bom começa a aparecer.

Mas, tudo isso pode se resumir no comentário de um amigo ao dizer que "deveria haver uma licença especial para quem deseja ser mãe ou pai e que, com certeza, nem todo mundo estaria apto a recebê-la". Concordo com a idéia e acho sim que vivemos hoje em uma realidade que nos permite escolhas, sem hipocrisia. Nosso auto-conhecimento é fundamental. Por mais que me sinta bem e não me veja tão à vontade assim em qualquer outra atividade senão na condição de mãe, concordo extremamente e respeito a decisão de não ter filhos.

Não dá pra encarar nossas escolhas como exceção. Há uns anos me vi assim (às avessas). Na verdade, a opção pela maternidade causou grande estranheza no meio profissional, de jornalistas bem resolvidas com dedicação exclusiva à vida profissional. Bem, hoje vi que fiz minhas três melhores escolhas: Íris, Davi e Caio. Eles são minhas três grandes produções e realizações de vida! Aprendi também a dar um passo de cada vez e agora posso seguir em frente.

2 comentários:

Bárbara e Ellen disse...

Olha Ana... Acho que não tem nada no mundo que dê mais prazer, do que ver os pequenos crescendo, acho sim, que faculdade, mestrado, doutorado, fundamental pra vida (apesar de não ter feito faculdade), mas, não tem nada no mundo que explique a sensação de ser mãe, de poder geral uma vida, não tem preço um sorriso, não tem medida o que sentimos...
Acho que vida sem filhos (apesar de respeitar a decisão de quem não quer ter) é sem graça, sem razão, sem propósito... Dê que adianta ser tanto profissionalmente se não terei filhos pra contar o que aprendi, o que sei, se não poderei ensinar os meus... Enfim... Não é uma decisão fácil na vida, mas é sim, a melhor escolha que fiz... resta saber, qdo terei coragem de ter mais um, mas que a Ellen é meu melhor e maior presente, isso ela é...
Bjks... : )

Leila disse...

Olá Ana, como sempre as sua colocações são certeiras. Vc tocou em um ponto muito importante para todas as mães, todas nós nos sentimos sufocadas em algum momento mas ninguém quer dizer o quanto é difícil ser mãe. Tenho uma amiga q engravidou de um relacionamento sem pé nem cabeça vamos dizer uma transa louca, e um filho tem q ser concebido de amor não apenas de orgasmo, mas enfim ela estava em duvida se levaria a gestação a diante e me perguntou, expliquei para ela q isso é uma decisão difícil e sem opinião pois é única, mas descrevi não só os louros mas tambem as noites sem dormir, as vezes a ausência do pai q por algum motivo( trabalho ou impaciência) não está presente, a dor de ver seu filhinho sofrendo, o desespero de só ouvir ...
paciência mãe é virose.., coisas q muitas mulheres por não quererem mostrar o seu lado fraco, e q antes de sermos mães fomos filhas e adoramos colo, adoramos uma sopa feita pela avó quando estamos doentes, adoramos um chamego e adoramos tambem por algumas horas não ouvir choro somente o barulho da chuva. Adoro meus filhos não vivo sem eles brincamos, dançamos, rimos, somos uma famíla realmente feliz, graças a Deus meu marido rola no chão com os dois. Mas somos seres humanos e temos fraquezas. Tenho 2 filhos um com 3 anos e outro com 2. Sou uma mulher completa porem sou humana.