sábado, 8 de março de 2008

Mulheres circenses, mães itinerantes

Por Ana Inês
repórter mãe de Íris, Davi e Caio




Essta semana falamos das
mulheres de fibra, escritoras, cientistas, das sofridas e, no meio de tantas outras, de nós mesmas. Lembramos das mulheres circenses com sua tripla jornada secular e seu "Q" reluzente mágico, artístico... Elas também ocupam lugares que, tradicionalmente, seriam de homens: mágicos e ilusionistas, palhaços e adestradores - são as donas da situação, dentro ou fora da lona.

Nos três dias que o repórter mãe acompanhou de perto a rotina dessas mulheres de fibra - mães, meninas e avós circenses - descobrimos (talvez porque nunca paramos pra pensar) que são elas também que correm à procura de escola, médico, dentista e de toda a estrutura que precisam em cada cidade onde moram por "pequenas" fases de sua vida. Perguntadas sobre as possíveis maravilhas e dificuldades de ser mulher itinerante, foi unânime comentar o quanto é tranqüilo e seguro se criar e formar os filhos dentro de uma comunidade circense. Das dificuldades, as maiores são as estradas e o preconceito. Nas estradas, a falta de segurança e de estrutura nas rodovias brasileiras; nas cidades, o preconceito (que hoje vem sendo superado) sobre o estigma "mulher de circo".

Para os rapazes, sempre foi um ótimo cartão de visita apresentar-se como trapezistas, mágicos e malabaristas... Para as mulheres, "o ar de preconceito nos olhares das outras mães, quando deixávamos nossos filhos na escola era terrrível" contou Dona Vera, num desabafo. "Hoje essa realidade tem mudado, mas já senti muito os ciúmes de outras moças, quando era adolescente, parecia que as mulheres de circo eram perigosas e, por isso, quase não saíamos", diz Thaís Medeiros. Thais entrou no circo depois que ficou órfã, aos 8 anos de idade com os irmãos; foi morar com a família (tios, tias e avós circenses). Hoje é mãe da Mirian Gabriela (fadinha Bibi, 4 anos), do contorcionista Guilherme (6 anos) e da Giulia, 5 meses - que durante nossa conversa estava dormindo e acordou pronta pra mamar. Conta que, hoje, sua maior dificuldade é a rotina de mãe. Parou de trabalhar por uns tempos, mas nunca pensou em deixar o circo por conta dos filhos.

5 comentários:

Bárbara disse...

Nossa que legal...
fiquei encantada com as entrevistas... Deve sim, ser uma rotina nem um pouco fácil, aliás, acho que a falta dela é que mais complica...
Enfim, são mulheres para nos espelharmos, pois teem muita garra e vontade de vencer na vida...
Linda a foto...
bjks...

Educadora em Direitos Humanos disse...

Ana - minha querida - talvez eu seja muito suspeita para dizer que sou uma grande admiradora do seu trato com as palavras. Tomo a liberdade de dizer isso porque acompanhei de perto sua aventura para registar com alegria e respeito o dia-a-dia da mulher circense; da mulher mãe-jornalista-professora-mulher plural que vai à luta pra defender as crias com criatividade. E vamos que vamos porque a luta continua. Com abraçares, Graça Graúna

Educadora em Direitos Humanos disse...

27 de março, dia do circo. Vi essa materia e me lembrei de você. Bejos, Mainha.
http://www.ftd.com.br/v4/dataEspecial_exibe.cfm?mes=03&dia=27&cd=75

Anaíra Mahin disse...

estava pesquisando sobre mulheres de circo, achei esse "reporter mãe". lindeza... me emocionou.

Ana Inês disse...

Anaíra, obrigada por sua leitura e elogio ao repórter mãe. Assim como a Thaís, da matéria, estou dando um tempo da condição de repórter blogueira,mas continuo mãe em todos os turnos. Seu comentário me encoraja. Abraço, Ana Inês