segunda-feira, 21 de abril de 2008

mãe natureza

Nas manifestações do Abril Indígena - pelo Estatuto dos Povos Indígenas e para garantir políticas públicas que tragam desenvolvimento,  sem esquecer as raízes do país -, a luta de diversos povos e nações indígenas é a luta de muitas mães índias pelo sustento, saúde, respeito e qualidade de vida de suas famílias. A realidade dessas mulheres é uma grave consequência de um 'Erro de Português", como já transformou em poesia Oswald de Andrade:

"Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol,

 o índio tinha despido o português" 


foto Luiz Alves (Sefot/Câmara dos Deputados)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Lapidação

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Este post etá no site Desabafo de Mãe
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Desde que nascemos querem nos fazer de jóias “que lindo rostinho, um pezinho tão pequenino, um olhinho miúdo...” Aos três a situação é a mesma, nos ensinam os bons hábitos e as palavrinhas mágicas, nos mostram para todos em perfeição e, mais tarde... nada do que fazemos é correto, tudo instiga a lapidação de nós mesmos. Sempre temos que melhorar em alguma coisa, mudar um comportamento, uma resposta errada e a impressão sobre a futilidade de tudo o que fazemos.

Acho que meu mundo está às avessas: os pais não são perfeitos. Me surpreendi querendo moldar meus filhos, num padrão que eu mesma criei com o tempo. Será que é justo? Esse é meu modelo de mãe?

Ontem dei um tapa na boca de Davi... até hoje sinto a dor da minha inquietação, a minha inconformidade...talvez por não aceitar o que tudo aquilo quis dizer: que, como ele disse, eu sou chata mesmo...querendo que ele coma a fruta que ofereço, que tome banho no exato momento, que diga sim, ou diga não.

Por isso, se publiquei os elogios poéticos de Íris, por que não dar o mesmo espaço à opinião contrária de Davi? Me vi num dos episódios da série Menino Maluquinho, quando em um certo dia a mãe é a melhor do mundo e, no dia seguinte, passa a ser a pior mãe do mundo.

O que fazemos em nosso extremo, quando o sol se põe e nos vemos tateando sem caminho certo? Não é esse meu estilo materno...resolvi deixá-lo pensar nas respostas chatas, na desatenção e perceber o quanto perdemos quando, não cumprimos nossa responsabilidade ou magoamos outra pessoa. Meu castigo foi estar exatamente aqui, reconhecendo o lado dramático da maternidade na 2ª infância. Pra ele, ficou o peso de perder algo de muito valor: ficou sem o futebol e sem o campeonato do final de semana.

- “agora sustente a palavra”, retrucou Daniel , que também avaliou nosso estilo paterno.

Hoje, pra agravar ainda mais a situação, Íris acaba de me perguntar sobre o que eu estou escrevendo. Quis saber sobre a campanha que havia mencionado fazer de repúdio à violência contra as crianças. Então perguntei: como posso agora lançar uma campanha contra a violência, se ontem mesmo tive aquela cena com Davi?

Grande desafio para nós mesmos: está lançada a idéia de NÃO à VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS, de palmadas e quaisquer castigos físicos à frustração moral.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Brincar & Aprender...MADRE Y PADRE / PADRE Y MADRE

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio




Cheguei em casa na hora do almoço e Íris me falou que tinha um presente pro repórter mãe. Nem consegui ver o que era, mas agora à noite veio a surpresa... corujices à parte, um poema lindo escrito entre bordas de minúsculos corações... e assim, retomamos nossa sessão de Brincar&Aprender:


MADRE Y PADRE / PADRE Y MADRE


Mãe e pai perfeitos são aqueles que cuidam da gente.
Que fazem carinho e dão beijinho, que se importam
com o futuro do filhinho, que entende a gente toda hora
a todo momento. É aquele que não bate. Que quer o nosso bem.

Que se o filho tiver um problema estão sempre dispostos
a resolver. Que brigam, só por uma necessidade, pelo
bem de seu pequenino.

Bom pai e boa mãe são aqueles que acalentam e que botam pra
Dormir. Contam história. Se o filho tiver um certo medo
Estão prontos para proteger.

Ensinam o ABC. E com carinho as perguntas vão responder.
Os caminhos certos da vida vão explicar, e assim vão se alegrar.

Me llamo Íris y soy una chica muy bonita, mi madre se llama Ana e mi padre Daniel tengo once años y moro en Brasil. Tengo dos hermanos Davi y Caio.

terça-feira, 1 de abril de 2008

A carapuça serviu: "Não tire as crianças da sala!!!"

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Quando Daniel me mostrou o texto " Não tire as crianças da sala!!!" eu adorei. O título não foi dado por acaso. Confesso que foi o que sempre fiz; o que sempre fizemos ao assistir aos noticiários com tantas informações negativas, tragédias e violências que assustam qualquer um. De fato, nunca gostamos de apresentar aos nossos filhos, uma realidade fora do tempo. Para quê, deixa-los assistir a notícias violentas e saber de coisas que não acrescentariam nada à educação e à tranqüilidade infantil deles?

Confesso que ainda faço isso e tento preserva-los o quanto posso. Apresento a eles fatos e situações de risco, sem que necessariamente tenham que vivenciá-las ou presencia-las. Até comentei com Daniel “a carapuça me serviu...” mas, depois de ter ouvido dele o argumento e a lembrança de nunca termos “escondido” fatos ou informações políticas (desde greves, passeatas e polêmicas legislativas) vi que realmente sempre procuramos ilustrar o B, A, BA político e social de forma simples, bem cotidiana. Exemplo disso são as eleições: eles perguntam, participam, vão às urnas, confirmam os votos, participam das festas de posse e sempre perguntam: o que vai acontecer agora?

Outro dia vimos um documentário sobre a construção de Brasília – nada de mini-série JK, nada floreado. Os chamamos pra ver a história dos “candangos” que viveram em condições desumanas exatamente no lugar onde moramos hoje. Caio ainda está pequeno (3 anos) mas Davi (8) e Íris (11) já podem movimentar bem o senso crítico. Concordo que tudo tem seu tempo, que não devemos apressar a maioridade, mas acredito que em nosso papel de pai e mãe, temos que filtrar as informações sem criar alienação.

Ontem Íris mencionou parte de sua aula de geografia “o Brasil é um país de grande diversidade cultural e desigualdade social”, conversamos sobre a discrepância salarial de um juiz do Supremo, de um professor, de um deputado e de um empregado doméstico. No meio tempo ela refez de cabeça nossos gastos aqui de casa: quanto pagamos de escola, saúde, gasolina, supermercado... Hoje foi a vez de Davi: “ mamãe, qual é o seu salário?”. Aos poucos eles vão percebendo a importância de um presente utilitário, de uma realidade nada barata e de uma pessoa bem informada.