terça-feira, 1 de abril de 2008

A carapuça serviu: "Não tire as crianças da sala!!!"

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

Quando Daniel me mostrou o texto " Não tire as crianças da sala!!!" eu adorei. O título não foi dado por acaso. Confesso que foi o que sempre fiz; o que sempre fizemos ao assistir aos noticiários com tantas informações negativas, tragédias e violências que assustam qualquer um. De fato, nunca gostamos de apresentar aos nossos filhos, uma realidade fora do tempo. Para quê, deixa-los assistir a notícias violentas e saber de coisas que não acrescentariam nada à educação e à tranqüilidade infantil deles?

Confesso que ainda faço isso e tento preserva-los o quanto posso. Apresento a eles fatos e situações de risco, sem que necessariamente tenham que vivenciá-las ou presencia-las. Até comentei com Daniel “a carapuça me serviu...” mas, depois de ter ouvido dele o argumento e a lembrança de nunca termos “escondido” fatos ou informações políticas (desde greves, passeatas e polêmicas legislativas) vi que realmente sempre procuramos ilustrar o B, A, BA político e social de forma simples, bem cotidiana. Exemplo disso são as eleições: eles perguntam, participam, vão às urnas, confirmam os votos, participam das festas de posse e sempre perguntam: o que vai acontecer agora?

Outro dia vimos um documentário sobre a construção de Brasília – nada de mini-série JK, nada floreado. Os chamamos pra ver a história dos “candangos” que viveram em condições desumanas exatamente no lugar onde moramos hoje. Caio ainda está pequeno (3 anos) mas Davi (8) e Íris (11) já podem movimentar bem o senso crítico. Concordo que tudo tem seu tempo, que não devemos apressar a maioridade, mas acredito que em nosso papel de pai e mãe, temos que filtrar as informações sem criar alienação.

Ontem Íris mencionou parte de sua aula de geografia “o Brasil é um país de grande diversidade cultural e desigualdade social”, conversamos sobre a discrepância salarial de um juiz do Supremo, de um professor, de um deputado e de um empregado doméstico. No meio tempo ela refez de cabeça nossos gastos aqui de casa: quanto pagamos de escola, saúde, gasolina, supermercado... Hoje foi a vez de Davi: “ mamãe, qual é o seu salário?”. Aos poucos eles vão percebendo a importância de um presente utilitário, de uma realidade nada barata e de uma pessoa bem informada.

Um comentário:

Carla Beatriz disse...

Ana Inês,

Obrigada pelo teu comentário a meu texto no Desabafo de Mãe.

Gostei muito de conhecer teu blog e pode ter certeza que estarei sempre passando por aqui!

Um beijo