segunda-feira, 14 de abril de 2008

Lapidação

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio

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Desde que nascemos querem nos fazer de jóias “que lindo rostinho, um pezinho tão pequenino, um olhinho miúdo...” Aos três a situação é a mesma, nos ensinam os bons hábitos e as palavrinhas mágicas, nos mostram para todos em perfeição e, mais tarde... nada do que fazemos é correto, tudo instiga a lapidação de nós mesmos. Sempre temos que melhorar em alguma coisa, mudar um comportamento, uma resposta errada e a impressão sobre a futilidade de tudo o que fazemos.

Acho que meu mundo está às avessas: os pais não são perfeitos. Me surpreendi querendo moldar meus filhos, num padrão que eu mesma criei com o tempo. Será que é justo? Esse é meu modelo de mãe?

Ontem dei um tapa na boca de Davi... até hoje sinto a dor da minha inquietação, a minha inconformidade...talvez por não aceitar o que tudo aquilo quis dizer: que, como ele disse, eu sou chata mesmo...querendo que ele coma a fruta que ofereço, que tome banho no exato momento, que diga sim, ou diga não.

Por isso, se publiquei os elogios poéticos de Íris, por que não dar o mesmo espaço à opinião contrária de Davi? Me vi num dos episódios da série Menino Maluquinho, quando em um certo dia a mãe é a melhor do mundo e, no dia seguinte, passa a ser a pior mãe do mundo.

O que fazemos em nosso extremo, quando o sol se põe e nos vemos tateando sem caminho certo? Não é esse meu estilo materno...resolvi deixá-lo pensar nas respostas chatas, na desatenção e perceber o quanto perdemos quando, não cumprimos nossa responsabilidade ou magoamos outra pessoa. Meu castigo foi estar exatamente aqui, reconhecendo o lado dramático da maternidade na 2ª infância. Pra ele, ficou o peso de perder algo de muito valor: ficou sem o futebol e sem o campeonato do final de semana.

- “agora sustente a palavra”, retrucou Daniel , que também avaliou nosso estilo paterno.

Hoje, pra agravar ainda mais a situação, Íris acaba de me perguntar sobre o que eu estou escrevendo. Quis saber sobre a campanha que havia mencionado fazer de repúdio à violência contra as crianças. Então perguntei: como posso agora lançar uma campanha contra a violência, se ontem mesmo tive aquela cena com Davi?

Grande desafio para nós mesmos: está lançada a idéia de NÃO à VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS, de palmadas e quaisquer castigos físicos à frustração moral.

2 comentários:

Mariana Galiza disse...

Oi Anita, me solidarizo com você. Enrique está entrando em uma fase difícil, do conflito, dos questionamentos, da birra. Por outro lado, ainda é um bebê no que diz respeito a sua capacidade de discernimento, de compreensão total do que é certo ou não, dos porquês que os pais impõem. Até agora consegui me manter firme, sem perder a ternura, como diria Che. Mas é difícil, muito difícil, evitar uma atitude mais "agressiva" diante das petulâncias infantis. O certo é que estamos sempre buscando o melhor para eles, não? Mas será que nós sabemos mesmo o que é melhor para eles? Será que, como você disse, o nosso padrão de o que é certou ou errado é o certo?? Ah, Anita, uma das maiores dificuldades da maternidade é a conseguirmos definir os limites, para que possamos estabelecê-los.
beijos!

Iraí disse...

Querida Ana,

Adorei a sensibilidade de tuas palavras, que bem descrevem situações tão nossas, com nossos filhinhos...
Acredito que eles vêm não só para que os ensinemos, mas, sobretudo, para que aprendamos com eles a arte da coerência e, ainda, quão simples pode ser viver-amar-ser feliz.

É muito linda a tua forma de escrever o que se passa pelo nosso coração de mãe,
nossas certezas, dúvidas, inquietações, alegrias...

Como diria Roberto Carlos: "são tantas emoções"

muitos beijos e sucesso,
na arte de amar e ser-coerente
luz e paz
Iraí
mãe da Letícia (20) e Maíra(8)