terça-feira, 1 de julho de 2008

Reflexos e reações...atenção, gentileza e segurança

Por Ana Inês
Repórter mãe de Íris, Davi e Caio


Hoje Mariana ( repórter mãe de Enrique) me mandou este vídeo, com a mensagem de que talvez estivesse sendo repetitiva sobre os temas que cercam nosso tal instinto maternal. Mandei uma resposta, que virou desabafo:


Que nada Mari! repetitivo não. Reflexivo.
Nossos pequenos não só repetem o que fazemos, mas refletem o que projetamos mesmo para eles. Assimilam, aprendem e se comportam como nós. O mais interessante é que esses vídeos, essas histórias, essas imagens nos lembram algo muito pessoal. Uma briga, um exemplo, um momento bom ou difícil durante o qual nem sequer notamos nossa tamanha influência.

Nos últimos dois meses enfrentei uma barra com Davi e, talvez por não saber como lidar com a situação, também não conseguia fazer com que ele se sentisse seguro

Ele levou um susto durante um assalto aqui embaixo do prédio. Só agora, quase dois meses depois estamos sabendo lidar melhor com nossa reação. Não posso dizer que não foi nada demais. Ninguém se feriu e ninguém gritou, mas o susto-trauma foi grande: uma abordagem de um cara encapuzado, com uma faca na mão, pedindo o celular da professora de futebol que o trazia para casa. talvez o capuz, a imagem mais forte que tenha ficado para os pesadelos, além das pernas trêmulas e do grito engasgado.

Pra mim, a sensação pior foi a de não estar ao lado dele. Mesmo abraçando, tentando resolver de forma prática, acalentando e o recebendo durante as noites de inquietas com a situação, não conseguíamos passar a segurança que queríamos até outro dia, quando ele não dormia e, simplesmente, fiquei sentada ao lado, conversando, fazendo carinho e mostrando que estávamos todos ali e ele não estava sozinho. Não sei se isso também tem relação (é claro que sim). Enquanto ele tinha medo de um olhar diferente na rua, ou se explodia em casa com medo de tudo e estresse por tudo e, nós, vice-versa; também não consegui escrever.

Ensaiei várias vezes. Abria e fechava a tela e os bloquinho de anotações e não rendia. Mesmo recebendo vários e-mails pra que eu mandasse as atualizações do blog, nada feito. Deixei os endereços todos pra armazenar e talvez comunicar um longo afastamento. Fiz rascunhos de postagens mas algo estava errado, inseguro. É como se eu não tivesse nada o que falar, embora todas as pautas estivessem fervendo - sobre células tronco, não ao erotismo infantil, aulas de música, apresentações infantis, notas na escola, pique de trabalho, procura por babá...) tudo-tudo e, ao mesmo tempo, dando um sono danado. Como dizia Alice, num tal país... uma total descoragem!

Hoje retomamos. Davi está mais tranquilo, animado com o início das férias e andando sozinho pela casa sem pedir companhia em cada cômodo que vai. Caio também mais independente e Íris, como sempre dando shows de meiguisse e maturidade. Ainda não sei se precisamos de ajuda pra superar o que para tantas pessoas em realidades distintas é simplório (não deveria ser) mas, graças a Deus, para nós é algo que não conseguimos banalizar. Sem clichês, essa tal violência urbana nos tem feitos prisioneiros. Mas não devemos refletí-la em nossa casa.

Um comentário:

Bela disse...

Ai, Ana, que situação! Nossa, difícil mesmo prever a reação, sei lá, você quer proteger seus filhotes, né? Antes de qualquer coisa, sei lá.

Bom estarmos juntas pelo menos por aqui. Tenho um carinho especial por todos vocês. Beijo em todos!

Bela