terça-feira, 1 de julho de 2008

Pai de primeira viagem

Há uns dias tive uma grande surpresa:
com o título repórter pai, recebi um e-mail de Javier, pai da fofa Malu e companheiro de Bela, outra pernambucana com raízes no cerrado.
Javier nos brindou com este texto de "pai de primeira viagem", publicado há pouco na revista Deck Magazine, onde assina uma coluna.

Por Javier Martinez
Repórter pai de Malu

Semana passada fui para Argentina com a minha filha, sem a mãe. Malu tem um ano e oito meses. Era coisa rápida: visita a parentes e amigos. Saímos numa sexta e voltamos na segunda seguinte.

A ida foi tranqüila, o avião quase vazio e um espaço para brincar no chão da primeira fileira. Em Buenos Aires houve momentos muito lindos, revi muita gente. Enquanto isso, a saudade de Malu pela mãe aumentava.

Chamou a minha atenção que ela pedisse para passear com muita freqüência. Saímos várias vezes pelos quarteirões do bairro. Fiz uma pergunta capciosa para pegá-la, já que ela não conhece Santos Lugares, bairro onde mora minha mãe:
- Onde você quer ir filha?
Respondeu, na lata:
- Mamãe!
Um dia antes da volta eu disse que, após dormirmos, a gente voltaria a ver a mamãe. Minha filha foi correndo para o quarto e disse que queria dormir. Essa capacidade de surpreender das crianças é incrível.

A volta foi tranqüila até a escala em Porto Alegre. Atraso de trinta minutos. Avião lotado. Minha filha, já cansada, teve que sentar no meu colo e começou a chutar o respaldo da poltrona da frente. Atrás da gente havia outra criança passando por estresse similar. O vôo foi acompanhado por uma sucessão de gritos. Uma boneca foi parar no colo do vizinho, fiz um leite emergencial para acalmar, mas minha filha continuava a abrir e fechar a mesinha do respaldar para deleite do passageiro sentado na nossa frente. Entre chutes e gritos a mamadeira foi lançada e sumiu pelo chão entre as poltronas vizinhas.

Arrumaram um canto mais tranqüilo. Duas poltronas livres. Era um prefácio do paraíso. Mesmo assim, minha filha gritava do lado de cá e a resposta era um grito do lado de lá. Era sistemático: uma criança chorava e a outra respondia. Finalmente, as crianças dormiram. Malu acordou algum tempo depois nos braços da mãe. Estava tão cansada que olhou fixo e ficou em silêncio. Nem comemorou e voltou a dormir... Mas, dessa vez, com a certeza de que tudo estava voltando ao normal.

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