terça-feira, 30 de setembro de 2008

Solidariedade e Doação

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio

O título do post é de um trabalho que Íris fez pra escola. Exatamente "Solidariedade e Doação". O grupo fez um modelo de revista, com matérias e resenhas de leituras sobre o tema. Os livros-base foram "Amor não tem cor" e "Um garoto consumista na roça". Então ela me fez umas perguntas sobre "Doação" e levamos a sério a entrevista.

Conversamos sobre as leituras para o trabalho e sobre algo ainda mais importante: as atitudes reais em torno do tema. Citei o exemplo dos doadores de órgãos e dos transplantes que salvam vidas; do sangue do cordão umbilical que começa a ser coletado pelos hemocentros e da doação de medúla óssea; falamos ainda dos simples gestos das doações materiais e da solidariedade fora do discurso. Nisso ela e Davi acompanharam de perto, com um exemplo prático, aquilo tudo que conversávamos:

Há um mês, sem saber como ajudar uma amiga na luta contra a leucemia de seu bebê e a burocracia do sistema de saúde pública para tratamento da doença, me vi angustiada e perdida.

Num telefonema que seria para dar as boas novas, Jaciene (moça forte e decidida, de voz e passos firmes) me ligou chorando: o pequeno Pedro Paulo tinha Leucemia Linfoide Aguda (LLA) diagnosticada em seu segundo dia de vida.

Depois de rabiscar no papel minhas pesquisas imediatas sobre o câncer infantil e as entrevistas que resolvi fazer com especialistas, o texto saiu (tímido e amedrontado). Falei sobre a dura realidade que, sinceramente, não gostaria que fosse minha. De certa forma é...Lembrei de outros personagens que já passaram por mim numa situação parecida e, como ficar sem agir?

Não sou cientista médica, não tenho poderes econômicos, nem tampouco a força que precisaria num momento de agonia. Mas, com o diagnóstico de um caso raro e a queixa generalizada pela burocracia, entrei em contato com editorias de jornais para dar destaque ao problema - não apenas de Jaciene, Silvio e Pedro Paulo - enfrentado por tantas crianças que, neste momento, dormem e acordam na luta por mais um dia de vida.
Encaminhei a matéria como sugestão de pauta à imprensa mas, o pequeno Pedro Paulo não conseguiu esperar. Como não houve retorno de apuração dos veículos contactados, publiquei a luta das crianças com câncer, no Repórter free. Quem sabe a divulgação online surge como opção para debate, conscientização e mais atitudes...

Infelizmente muito se perde no meio do caminho. Mas, a interpretação do dia-a-dia pode se transformar em uma nova leitura de mundo. Se ensinada desde cedo, a transformação do conhecimento para uma atitude pode inspirar maior solidariedade e respeito às futuras gerações.


Com, ou sem Picles...
As crianças com câncer não podem esperar apenas pelo retorno de campanhas isoladas, como as do último dia 30 de agosto (dia do big mac) e dos eventos promovidos pela Abrace para arrecadar fundos. Como todas crianças, para crescerem saudáveis elas precisam de atenção especial, roupas brinquedos alimentação, educação e acompanhamento integral. Acesse o site da Abrace e saiba como ajudar: http://www.abrace.com.br/wtk/pagina/inicial. As doações podem ser deduzidas do Imposto de Renda e direcionadas a cada projeto e necessidade. Central de Doações/Telemarketing: (61) 3212.6000, 3212.6003 Atendimento das 8:00h às 20:00h.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Por um livro livre!

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris Davi e Caio

Faça um comentário sobre este post e concorra ao Livro O Saci, de Monteiro Lobato. O Concurso faz parte do debate "Onde você lê com seu filho" promovido pelos blogs que participam dos sites Mulheres na Rede e Desabafo de Mãe. Participe!


Ainda no debate sobre as bibliotecas públicas, afora minhas lembranças de infância (do post anterior)... e nossas expectativas para apresentar um mundo de ótimas possibilidades a nossos pequenos leitores, percebi no boca-a-boca (com os tímidos para comentários online), que o passeio mais comum para apresentar o mundo da leitura à nova geração tem parada estratégica nas livrarias, de shoppings em geral.

Embora as seções infantis das grandes livrarias, ou o espaço das lojas especializadas em produtos pedagógicos tragam o encantamento que tanto queremos apresentar às crianças, fico com a dúvida de estar associando os passeios de leitura ao contraponto do consumismo.

Esta semana mesmo, Davi chegou em casa dizendo: "pequei um livro que nunca li antes". Ele se referia ao "Baú contador de histórias", que já buscou na biblioteca da escola por inúmeras vezes e não se cansa de ler. Iris já chegou com outro tipo descoberta: há uns dias, depois de ver uma notícia sobre a façanha do gigantesco acelerador de partícula, pesquisou com uma amiga tudo o que podia sobre o assunto. Na mesma hora, lembrei do físico brasileiro Marcelo Gleiser e tecemos sobre seu livro "A dança do Universo".

Uma coisa é certa: seguindo o exemplo e a curiosidade deles, também voltamos a nos inspirar. Adorei quando os dois chegaram outro dia em casa com livros emprestados por outros amigos. Caio também já faz o mesmo. O projeto de leitura de sua escola estimula a troca de livros e, exatamente por saber que não vamos ficar com aquele exemplar em casa, fazemos juntos a leitura de tarefa de casa, tantas e tantas vezes quanto conserguimos.

Mas, também me emociono quando leio alguma notícia sobre alunos de escolas públicas que, mesmo sem condições financeiras para adquirir livros ou montar biblioteca, driblam a realidade e se inspiram no quixotesco prazer de ler.

Por isso, continuamos nossa busca pelas bibliotecas públicas das cidades, dos bairros, das escolas e das esquinas...como disse Bianca e Ceila em seus comentários no último post sobre "Onde você lê com seu Filho?".

Outro final de semana tomei café da manhã numa padaria perto de casa e, para minha surpresa, havia um livro infantil na prateleira do livro livre (projeto muito bacana sobre o qual até já falei no repórter free).
Então, que tal a idéia de libertar um de nossos livros infantis e pensar na multiplicação dos pequenos leitores, além de nossos filhos, sobrinhos, netos e amigos a quem costumamos presentear?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Onde você lê com seu Filho?

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio


Traçado por Oscar Niemeyer para ser um espaço de inclusão, o Conjunto Cultural da República demorou mais de quatro décadas para ser construído e “mais um pouquinho” para começar a funcionar... até hoje é sub-utilizado.
Em meio ao solo fértil do cerrado, as idéias parecem grandiosas, mas falta brotar as oportunidades de conhecimento e misturar as várias realidades que passam por aqui. No museu de grandes eventos, exposições e fóruns abertos ao público, que nem sequer sabe o que está acontecendo dentro daquela cúpula. O conjunto já recebe autoridades e todas as pompas dignas de sua arquitetura, mas parece que a área ainda é cercada por um campo de força (daqueles mesmo que vemos em desenho animado).

Prateleiras Vazias
Há um ano, durante o Festival de Cultura Popular de Brasília, passeamos (eu, Daniel e os meninos) por ali. O cenário já nos é conhecido. Íris, Davi e Caio disseram que é um lugar ótimo pra correr, andar de bicicleta, scate e patins...traços puros de Niemeyer. Mas ficamos de voltar depois, pra conhecer os prédios por dentro, fazer outros passeios.

Nas férias de julho, para quem fazia um roteiro de reconhecer e aproveitar a própria cidade, a Esplanada dos Ministérios e o Conjunto Cultural da República não poderiam ser deixados de lado. O museu estava aberto a algumas exposições - se encantaram principalmente com as histórias dos samurais, durante as comemorações de 100 anos das relações nipo-brasileiras. Atravessaram a rua (o Eixo Monumental), foram ao Teatro Nacional, à exposição internacional sobre Darwin e fizeram grandes descobertas mas, chegaram com uma queixa: não puderam entrar na biblioteca.
Ali mesmo, ao lado do Museu, a Biblioteca Nacional de Brasília, que deveria ter sido inaugurada há pelo menos dois anos, ainda não permitia a entrada de visitantes. Por um simples motivo: estava completamente vazia. O conjunto cultural que abriga a biblioteca seria ideologicamente uma ponte entre o centro de circulação popular (a rodoviária) e o centro do poder público (a praça dos três poderes). Mas, até mesmo as crianças fizeram sua releitura prática da situação. “Mas como pode mamãe? Uma biblioteca sem livros?”, eles me perguntaram.

Memórias de Infância
Quando eu tinha a idade de Íris (12 anos), morávamos ao lado da Universidade Federal de Pernambuco e aos domingos era feliz e sagrado nosso piquenique e pedalada ao lado da biblioteca Central. Levávamos nossos próprios livros, músicas e histórias pra contar ( eu, minha mãe e meus irmãos) e, durante a semana, entre as pequenas seções infantis das livrarias, ou a espera de minha mãe na universidade, crescemos nos achando – entre os livros - num ambiente familiar.

Hoje, indo ao trabalho, parei na Esplanada dos Ministérios (naquela biblioteca - edifício com características de pavilhão, retilíneo em cinco pavimentos).

Timidamente fui recebida por um guarda. Depois de meia dúzia de perguntas, ele me respondeu que no último andar acontecia ali uma exposição – era vestígio da I Bienal de Poesia de Brasília. Subi, tirei umas fotos, li as instalações, vi os espelhos de Mario Quintana e Cecília Meireles e resolvi procurar alguém pra conversar. Sorte minha, no elevador encontrei (sem ainda nem saber de quem se tratava) o professor Antônio Miranda, diretor da Biblioteca. Em poucos minutos ele me tranqüilizou.

Disse que iriam inaugurar todo o espaço até o próximo mês de novembro e justificou que a intenção de abrir as portas junto à Bienal de Poesia não se concretizou porque ainda estavam trabalhando na catalogação dos 50 mil títulos do acervo que precisa ser organizado, mas confirmou também a idéia do espaço prático, que além das estantes cheias de livro, servirá estrategicamente para se trabalhar a inclusão digital. Mas, foi sua última frase que me animou de verdade: “para as crianças, teremos aqui uma ampla sala de leitura e um espaço multimídia”, apontou o professor Miranda para o primeiro saguão, ao destacar também a atenção especial à acessibilidade.

Espero realmente que essas idéias se concretizem o mais rápido possível e possamos, durante os finais de semana, em vez de ir a shoppings e cinemas, fazer um passeio de bicicleta ali perto da biblioteca... exercitar a leitura sem a prática do consumismo.


Faça um comentário sobre a biblioteca de sua cidade, ou sobre "Onde você lê com seu filho" e concorra ao Livro O Saci, de Monteiro Lobato. O Concurso faz parte do debate sobre Escola e Leitura promovido pelos blogs que participam do Mulheres na Rede e do Desabafo de Mãe. Participe!