segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Onde você lê com seu Filho?

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris, Davi e Caio


Traçado por Oscar Niemeyer para ser um espaço de inclusão, o Conjunto Cultural da República demorou mais de quatro décadas para ser construído e “mais um pouquinho” para começar a funcionar... até hoje é sub-utilizado.
Em meio ao solo fértil do cerrado, as idéias parecem grandiosas, mas falta brotar as oportunidades de conhecimento e misturar as várias realidades que passam por aqui. No museu de grandes eventos, exposições e fóruns abertos ao público, que nem sequer sabe o que está acontecendo dentro daquela cúpula. O conjunto já recebe autoridades e todas as pompas dignas de sua arquitetura, mas parece que a área ainda é cercada por um campo de força (daqueles mesmo que vemos em desenho animado).

Prateleiras Vazias
Há um ano, durante o Festival de Cultura Popular de Brasília, passeamos (eu, Daniel e os meninos) por ali. O cenário já nos é conhecido. Íris, Davi e Caio disseram que é um lugar ótimo pra correr, andar de bicicleta, scate e patins...traços puros de Niemeyer. Mas ficamos de voltar depois, pra conhecer os prédios por dentro, fazer outros passeios.

Nas férias de julho, para quem fazia um roteiro de reconhecer e aproveitar a própria cidade, a Esplanada dos Ministérios e o Conjunto Cultural da República não poderiam ser deixados de lado. O museu estava aberto a algumas exposições - se encantaram principalmente com as histórias dos samurais, durante as comemorações de 100 anos das relações nipo-brasileiras. Atravessaram a rua (o Eixo Monumental), foram ao Teatro Nacional, à exposição internacional sobre Darwin e fizeram grandes descobertas mas, chegaram com uma queixa: não puderam entrar na biblioteca.
Ali mesmo, ao lado do Museu, a Biblioteca Nacional de Brasília, que deveria ter sido inaugurada há pelo menos dois anos, ainda não permitia a entrada de visitantes. Por um simples motivo: estava completamente vazia. O conjunto cultural que abriga a biblioteca seria ideologicamente uma ponte entre o centro de circulação popular (a rodoviária) e o centro do poder público (a praça dos três poderes). Mas, até mesmo as crianças fizeram sua releitura prática da situação. “Mas como pode mamãe? Uma biblioteca sem livros?”, eles me perguntaram.

Memórias de Infância
Quando eu tinha a idade de Íris (12 anos), morávamos ao lado da Universidade Federal de Pernambuco e aos domingos era feliz e sagrado nosso piquenique e pedalada ao lado da biblioteca Central. Levávamos nossos próprios livros, músicas e histórias pra contar ( eu, minha mãe e meus irmãos) e, durante a semana, entre as pequenas seções infantis das livrarias, ou a espera de minha mãe na universidade, crescemos nos achando – entre os livros - num ambiente familiar.

Hoje, indo ao trabalho, parei na Esplanada dos Ministérios (naquela biblioteca - edifício com características de pavilhão, retilíneo em cinco pavimentos).

Timidamente fui recebida por um guarda. Depois de meia dúzia de perguntas, ele me respondeu que no último andar acontecia ali uma exposição – era vestígio da I Bienal de Poesia de Brasília. Subi, tirei umas fotos, li as instalações, vi os espelhos de Mario Quintana e Cecília Meireles e resolvi procurar alguém pra conversar. Sorte minha, no elevador encontrei (sem ainda nem saber de quem se tratava) o professor Antônio Miranda, diretor da Biblioteca. Em poucos minutos ele me tranqüilizou.

Disse que iriam inaugurar todo o espaço até o próximo mês de novembro e justificou que a intenção de abrir as portas junto à Bienal de Poesia não se concretizou porque ainda estavam trabalhando na catalogação dos 50 mil títulos do acervo que precisa ser organizado, mas confirmou também a idéia do espaço prático, que além das estantes cheias de livro, servirá estrategicamente para se trabalhar a inclusão digital. Mas, foi sua última frase que me animou de verdade: “para as crianças, teremos aqui uma ampla sala de leitura e um espaço multimídia”, apontou o professor Miranda para o primeiro saguão, ao destacar também a atenção especial à acessibilidade.

Espero realmente que essas idéias se concretizem o mais rápido possível e possamos, durante os finais de semana, em vez de ir a shoppings e cinemas, fazer um passeio de bicicleta ali perto da biblioteca... exercitar a leitura sem a prática do consumismo.


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11 comentários:

Ceila Santos disse...

Uauuuuuuuuuuuuuuu...isso que é ser jornalista de corpo e alma, hem, mulher?! Reportagem maravilhosa. Adorei. Coisa linda de se ler e melhor ainda ver a promessa do bibliotecário. tomare que não seja mais uma promessa. E em breve podemos ver esses 50 mil títulos na mão de quem sabe que existe biblioteca no brasil. Agora vou dar meu pitaco neste debate: eu não conheço nenhuma biblioteca de bairro perto de casa, mas no mês passado descobri que tem uma aqui perto. vou visitá-la em breve pra poder participar mais deste debate, mas to lendo agora um livro da biblioteca do sesc-pinheiros. é bastante pobre, mas tem melhorado muito. a Malu fica debaixo da mesa lendo os livros infantis, enquanto eu vou escolhendo alguns livros pra mim e o maridão ataca jornal e revista. ele lê pouco livro, mas devora jornais. Por enquanto é isso! bom debate e inté!

Bianca disse...

Olá Ana!
Cheguei aqui através da Evellyn. Puxa, que texto maravilhoso! Tomara mesmo que as promessas deixem de ser apenas promessas. Quando eu era criança, meu pai foi tranferido por um tempo para Paracatu - MG, e eu ferquentava as bibliotecas de BSB nesta época, rs. Aqui no Rio costumo frequentar a biblioteca da casa dos amigos, rs. Mas a Biblioteca Nacional foi a única biblioteca que tive o hábido de frequentar entre a escola e a faculdade. Depois disso a vida tornou-se um pouco nomande, e há uns cinco anos não vou á bibliotecas públicas. Tenho que descobrir uma por aqui, e quem sabe incluir passeios de bicicletas até lá? ;o) Adorei a dica! Beijos!!!

Ceila Santos disse...

Oi bianca, que legal que o debate da ana Inês lhe permitiu resgatar a busca pelas bibliotecas. quando encontrar uma no seu bairro não deixe de nos avisar, hem!? boa leitura!

Educadora em Direitos Humanos disse...

Ana, que é também bela Inês: Quero reiterar as opiniões de Célia e Bianca: teu texto é maravilho e não poderia ser diferente, considerando que você não é só 100%jornalista; és uma mãe e tanto, uma filha exemplar, uma criatura divina. Tenho meus direitos de me derramar em elogios, pois você é uma das criaturas mais lindas que Deus pôs no meu mundo. Grata lembrança das nossas andanças pela biblioteca da Cidade Universitária, em Recife. Vejo o belo futuro de Iris, Caio e Davi em meio aos livros. São quixotesco desde nascença. Bjos e bençãos, deta Graça Graúna

Natuza Ferreira disse...

Aaah mundo bom de livros e bibliotecas!!
adorei teu blog, já tinha visto antes mas fazia um tempo...
só não sei como comentar=/
Mas esse texto e a lembrança que tu me fez ter sobre a biblioteca me fez recordar tanta coisa boa.
Lembro bem que quando quis fazer a carteirinha da biblioteca pra mim, era porque tava aprendendo matemática na 5º série quando descobri nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Emília ensinando matemática, daquele jeito dela...Acabou que eu queria todos livros pra mim e a unica maneira era correr atrás de fazer a carteirinha da biblioteca.
Outra lembrança muuito boa, que por sinal foi tema de uma pauta fotografica que escolhi, era quando mainha levava eu e Alá pro Gabinete Português de leitura pra fazer os trabalhos de Estudos Sociais ou Biologia, ao invés de fazer em casa ou na biblioteca da escola. Era uma mistura de encantamento com o lugar que é perfeito e com os enormes livros velhos, empuerados...acho que isso deixava a gente com um ar de tesouro (hehehe coisa boa de criança né!?)...
Sempre gostei de ver pratileiras e pratileiras de livro na minha frente...
mais lembranças que tenho era da casa de vocês na Varzea, quando tia Gracinha me chamava pra ajudar a arrumar as estantes. Era tão bom! Cada livro tinha uma história diferente de vocês: esse eu dei a Ana por causa disso...Esse a Fabiano por conta do nome dele...E a Agnes por conta daquilo outro...Esse lemos juntos... e por ai iam sendo contadas as histórias de vocês e dos livros (hehe).
Muito bom relembrar isso tudo!
Até hoje tenho maior vontade de trabalha em uma livraria tipo a livraria Cultura, o problema é que acho que vou me distrair e me perder ao invés de trabalhar.

hehe

xerão Aninha!

Michelle Müller disse...

Báh que texto ótimo, é bom saber de iniciativas assim pelo Brasil afora, aqui em minha cidade temos um escasses de dar pena de lugares para a leitura, apenas um livraria sem sessão infantil, uma biblioteca pública que há muito não recebe um exemplar novo e uma biblioteca comunitária que é mantida pela Petrobrás, na praia, mas com poucas opções para crianças! Sinto falta de mais espaços de leitura por aqui, acho que por isso mesmo que transformeu nossa casa em espaço de leitura onde moramos dentro rsrssr
estrelinhas coloridas
Mi Müller

Patricia Kelly disse...

Adorei o seu blog, Ana!
Em pouco tempo de curso havia já percebido o seu lado super-mãe, mas esse lado idealista e cidadã em uma jornalista é simplesmente a mistura mais fantástica! Parabéns!
Quanto aos locais de leitura, fico, agora que sei da notícia, ansiosa pela inauguração do espaço atrás do Museu de Brasília. Vai ser uma excelente opção, sem dúvida.
Gostei da idéia do Livro-livre também, vamos aderir!
Tem uma biblioteca que costumava visitar ainda no final da década de 80 na 504 sul. Não sei como está hoje, pretendo visitá-la em breve com as crianças para checar o acervo para pimpolhos de 3 a 6 anos. Por enquanto, Isabela (3 anos) traz livrinhos semanalmente no projetinho da escola onde fazem um rodízio entre os colegas de livros que compramos na feira-de-livros promovida pela própria escola no primeiro bimestre. E Iasmin (6 anos) faz o mesmo, mas agora acessando a biblioteca do Marista João Paulo II. Lemos em casa mesmo e ajudo Iasmin a lembrar-se da data de devolução dos livros.
Fora isso, eram visitas às livrarias de Shoppings mesmo.
Para amenizar a tendência ao incentivo ao consumismo, combinávamos previamente só de olhar naquele dia a fim de escolhermos após várias visitas o que realmente gostaríamos de comprar.
Beijos!
Pat Kelly

Andrea Fiuza Abrao Avesani disse...

Oi Ana! Será que cheguei tarde? O meu Pedrão adora ler e o mais interessante é que do alto dos seus três anos (quase quatro) ele quer ler sozinho, então primeiro eu leio e depois ele toma conta do livro e põe a imaginação para funcionar. Sempre que podemos estamos lendo algo, seja na cama, no sofá, no computador... Eu, que sou mãe 24h por dia, nunca tive babá ou algo parecido, tive que desenvolver os meus momentos de leitura nas situações mais inusitadas, seja em meio a uma aula mega barulhenta de judô ou até mesmo no banheiro! Esse, agora que o Pedro saiu das fraldas, passou a ser também mais uma opção para a leitura dele! Afinal, somos sempre exemplo, não é mesmo?! A propósito, comecei a escrever para não permitir que a cabeça fique à toa e me rendi ao Blog. Dá uma passada por lá! Já incluí o seu link! http://fiuzavesani.blogspot.com/
Bjs!

Andrea Fiuza Abrao Avesani disse...

Oi Ana! Será que cheguei tarde? O meu Pedrão adora ler e o mais interessante é que do alto dos seus três (quase quatro anos) ele quer ler sozinho, então eu leio a história e depois ele toma do conta do livro e coloca a imaginação para funcionar. Sempre que dá, estamos lendo: na cama, no sofá, no computador... Eu, que sempre fui mãe 24h, sem babá ou algo parecido, tive que desenvolver os meus momentos de leituras, seja em uma aula mega barulhenta de judô ou até mesmo no banheiro! Agora que o Pedro se livrou das fraldas de vez, esse passou a ser também mais um lugar para a leitura do meu filho. Afinal, servimos sempre de exemplo, não é mesmo? Ana! Para não ficar sem trabalhar a mente, resolvi montar um blog para escrever meus devaneios. Dá uma passada por lá! http://fiuzavesani.blogspot.com/
Bjs!

Anônimo disse...

Hey very nice blog!! Man .. Beautiful .. Amazing .. I will bookmark your blog and take the feeds also...

rH3uYcBX

Anônimo disse...

Excellent post. I learned a lot reading it. Thanks.