segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Por um livro livre!

Por Ana Inês
Repórter Mãe de Íris Davi e Caio

Faça um comentário sobre este post e concorra ao Livro O Saci, de Monteiro Lobato. O Concurso faz parte do debate "Onde você lê com seu filho" promovido pelos blogs que participam dos sites Mulheres na Rede e Desabafo de Mãe. Participe!


Ainda no debate sobre as bibliotecas públicas, afora minhas lembranças de infância (do post anterior)... e nossas expectativas para apresentar um mundo de ótimas possibilidades a nossos pequenos leitores, percebi no boca-a-boca (com os tímidos para comentários online), que o passeio mais comum para apresentar o mundo da leitura à nova geração tem parada estratégica nas livrarias, de shoppings em geral.

Embora as seções infantis das grandes livrarias, ou o espaço das lojas especializadas em produtos pedagógicos tragam o encantamento que tanto queremos apresentar às crianças, fico com a dúvida de estar associando os passeios de leitura ao contraponto do consumismo.

Esta semana mesmo, Davi chegou em casa dizendo: "pequei um livro que nunca li antes". Ele se referia ao "Baú contador de histórias", que já buscou na biblioteca da escola por inúmeras vezes e não se cansa de ler. Iris já chegou com outro tipo descoberta: há uns dias, depois de ver uma notícia sobre a façanha do gigantesco acelerador de partícula, pesquisou com uma amiga tudo o que podia sobre o assunto. Na mesma hora, lembrei do físico brasileiro Marcelo Gleiser e tecemos sobre seu livro "A dança do Universo".

Uma coisa é certa: seguindo o exemplo e a curiosidade deles, também voltamos a nos inspirar. Adorei quando os dois chegaram outro dia em casa com livros emprestados por outros amigos. Caio também já faz o mesmo. O projeto de leitura de sua escola estimula a troca de livros e, exatamente por saber que não vamos ficar com aquele exemplar em casa, fazemos juntos a leitura de tarefa de casa, tantas e tantas vezes quanto conserguimos.

Mas, também me emociono quando leio alguma notícia sobre alunos de escolas públicas que, mesmo sem condições financeiras para adquirir livros ou montar biblioteca, driblam a realidade e se inspiram no quixotesco prazer de ler.

Por isso, continuamos nossa busca pelas bibliotecas públicas das cidades, dos bairros, das escolas e das esquinas...como disse Bianca e Ceila em seus comentários no último post sobre "Onde você lê com seu Filho?".

Outro final de semana tomei café da manhã numa padaria perto de casa e, para minha surpresa, havia um livro infantil na prateleira do livro livre (projeto muito bacana sobre o qual até já falei no repórter free).
Então, que tal a idéia de libertar um de nossos livros infantis e pensar na multiplicação dos pequenos leitores, além de nossos filhos, sobrinhos, netos e amigos a quem costumamos presentear?

4 comentários:

Ceila Santos disse...

Ana,
ótima sugestão: troca é sempre uma lição que vale pena, né. eu também me preocupo com a relação consumo e leitura já que adoraria que a leitura fizesse parte do direito humano, mas...acho que é um avanço e tanto as livrarias deixarem nós degustarmos o quanto desejarmos os livros e não nos obrigar a levá-los como no passado onde os livros ficavam fechados com plástico, lembra?
fui buscar alguns dados já que sei que vc gosta: 50% dos livros de leitura corrente foram compardos, 8% vieram de bibliotecas e 4% foram dados pela escola. O problema é de acesso, divulgação ou cultura? eis aí um bom lugar para investigarmos. meu chute é mais de cultura que de acesso. motivo? 85% das cidades brasileiras têm biblioteca. Mas também de acesso já que 630 municipios não tem biblioteca. detalhe: estima-se que existe cerca de 2,4 mil livrarias NO BRASIL. ou seja, brasileiro lê 1,8 livro por ano porquê hemmmmmmmmmmmmmm?

Bianca disse...

Oi Ana!
Esse fim de semana descobri um lugar super legal perto da casa da minha mãe. É um brechó infantil. Lá tem tudo para crianças, as mães fazem vendas por consignação e compram também. Até aí, um brechó como outro qualquer. Mas lá eles possuem um espaço biblioteca, com livros infantis. Não são para vender. Os clientes podem fazer trocas. Uma vez que se leva o primeiro livro, você pode estar sempre trocando por outro. Achei a idéia super bacana, apesar de não ter achado lá nenhum titulo para a idade da minha filha. Mas começa assim, não é mesmo, com uma boa idéia. Beijos

meumundoenadamaisevellyn disse...

Ana,
concordo com você no fato da criança associar livraria x consumismo, não só pelo fato de grande parte das livrarias estarem em shoppings, como também pelos "extras" oferecidos com os livros: um brinquedo, um bicho de montar, um jogo... sei que no fim das contas, o que importa é que o livro será lido, mas muitas vezes percebo que meu filho é atraído mais pelo brinquedo que vem junto do livro do que pela história em si.
Sobre as bibliotecas públicas, ainda não conheci nenhuma em Recife para opinar :(
Beijos e bom debate por aqui!

Mariana disse...

Oi Anita!
só agora encontrei tempo para fazer meu comentário. O Enrique tem mostrado um interesse especial pelos livros, o que me deixa muito orgulhosa. Começamos a apresentar os livrinhos a ele, quando ele ainda era bem bebezinho. Deixava-o à vontade com o livro, brincar e até rasgar umas folhinhas para que ele ganhasse intimidade com a coisa! Hoje, Enrique tem na leitura uma das suas diversões preferidas. Ele já "lê" sozinho, inventando a estória com base na ilustração. Quando vai ao banheiro, temos que sentar no chão e ler um livro para ele. Na escola, ele tem a "Roda de Leitura". Toda sexta-feira ele traz pra casa um livrinho para lermos juntos e devolver na segunda. Quando ele reluta em ir à Creche, é só eu dizer que é o dia de trazer livro para casa que ele resolve ir todo feliz. E quando chega, a primeira coisa que ele faz é mostrar o livrinho que trouxe. Procuro estimular ao máximo esse hábito, sem muitas cobranças, para que ele mantenha o costume pra sempre!
beijos